Operação em Gravataí mira grupo por lavagem de dinheiro e homicídios
Polícia Civil mirou organização criminosa com atuação no tráfico e lavagem de dinheiro

Gravataí – A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (12), a Operação Punctum Finale, com foco no combate a uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e envolvimento em homicídios. A ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD), vinculada ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sob comando do delegado Rodrigo Pohlmann Garcia.
A operação ocorreu em conjunto com a Brigada Militar e contou com apoio da Polícia Penal. Mais de 90 policiais participaram do cumprimento de 22 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão nos municípios de Porto Alegre e Gravataí. Ao total, 19 pessoas foram presas, sendo que duas já estavam recolhidas no sistema prisional. Também foram apreendidos valores em espécie e um veículo.
Segundo a Polícia Civil, a Operação Punctum Finale representa a etapa final de um trabalho investigativo iniciado há cerca de dois anos, voltado à apuração das atividades de um grupo criminoso com atuação na Zona Sul de Porto Alegre, envolvido em homicídios e lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Investigações
As investigações identificaram a prática de lavagem de dinheiro por meio da aquisição de bens móveis e imóveis, além de investimentos em empresas, incluindo um negócio voltado ao recolhimento de sucatas e uma franquia do ramo alimentício.
Após ações anteriores contra o grupo, a polícia constatou que os investigados seguiram atuando no tráfico de drogas na região e mantiveram operações financeiras com recursos de origem ilícita. De acordo com o delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, a primeira ação contra a organização foi a Operação Riciclaggio, quando foram apreendidos seis automóveis, dois fuzis, três pistolas e cerca de R$ 70 mil em dinheiro. A segunda fase, denominada Operação Renovatio, foi deflagrada em novembro de 2024, a partir das informações obtidas na etapa inicial. Nessa ocasião, foram apreendidos aproximadamente R$ 34 mil em espécie, além de telefones celulares, um drone, joias e três veículos.

Durante o andamento das investigações, foi registrado um homicídio em 29 de março de 2025 na área de atuação do grupo. O caso passou a ser apurado pela 6ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (6ª DHPP). Conforme a Polícia Civil, as circunstâncias do crime indicaram possível ligação com a facção investigada.
A apuração também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas entre dezembro de 2021 e 2025, que ultrapassaram R$ 10 milhões. Além disso, foi constatada a compra e o fornecimento de telefones celulares para integrantes do grupo que estavam presos. Um dos investigados adquiriu mais de 20 aparelhos em uma loja localizada em um shopping da capital, os quais foram enviados ao sistema prisional, possibilitando a comunicação dos detentos com pessoas fora das unidades.
Um dos mandados de busca e apreensão da Operação Renovatio foi cumprido dentro de uma cela, onde foram localizados celulares provenientes dessa aquisição. Também foram identificadas transações entre uma empresa do setor de reciclagem e integrantes do grupo, que atuariam como fornecedores de material, com pagamento realizado por meio da compra direta de bens móveis. Outras pessoas jurídicas seguem sob investigação por possível participação na ocultação e dissimulação de valores.
Conforme o diretor do DHPP, delegado Mario Souza, a ação integra a Medida 5 do Protocolo das 7 Medidas de Enfrentamento aos Homicídios. Segundo ele, o combate à lavagem de dinheiro busca reduzir a capacidade financeira de organizações criminosas e impedir que recursos ilícitos sejam utilizados para financiar novos crimes.
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