Operação Costa Nostra apura lavagem de dinheiro em Gravataí
As diligências ocorreram em Porto Alegre, Gravataí, Capão da Canoa e Tramandaí, no Rio Grande do Sul, e nas cidades catarinenses

Gravataí – A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (3), a Operação Costa Nostra para combater uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do tráfico de drogas por meio da compra de imóveis e de uma pousada no litoral de Santa Catarina. A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro, do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DRLD/DHPP).
Ao todo, foram cumpridas 143 ordens judiciais, incluindo 38 mandados de busca e apreensão, cinco de sequestro de imóveis, oito restrições de veículos, 22 bloqueios de contas bancárias, além de autorizações para quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático. Também foi realizada uma ação controlada.
As diligências ocorreram em Porto Alegre, Gravataí, Capão da Canoa e Tramandaí, no Rio Grande do Sul, e nas cidades catarinenses de Camboriú, Palhoça e Porto Belo. Durante as ações, foram apreendidos R$ 40 mil em espécie, cinco veículos, duas motocicletas, uma arma de fogo, celulares e documentos.
A investigação começou após o encerramento de um inquérito que apurava uma tentativa de homicídio ocorrida em julho de 2023. Na ocasião, um dos líderes da organização teria ordenado a execução de um integrante do grupo. A vítima foi sequestrada e levada até o mandante, mas conseguiu fugir após pular do veículo em movimento, mesmo ferida por disparos.

De acordo com o delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, titular da DRLD, a organização mantém atividades em Camboriú há mais de três anos e teria investido em diversos bens no litoral catarinense. Entre os bens apreendidos ou sob investigação estão uma pousada na Praia de Caixa D’Aço, em Porto Belo, uma residência avaliada em mais de R$ 3 milhões, uma empresa de lavação, além de uma casa em Porto Alegre avaliada em R$ 1,2 milhão. O grupo também é apontado como proprietário de lancha, jet ski, motos e veículos de luxo.
Segundo a Polícia Civil, o patrimônio do grupo está estimado em R$ 8 milhões. As investigações indicam que os integrantes e seus familiares movimentaram grandes quantias em curtos períodos, sem comprovação de renda lícita. Uma das companheiras dos suspeitos teria movimentado R$ 1,6 milhão em quatro meses; outra, R$ 800 mil em seis meses. Um dos laranjas chegou a movimentar R$ 1,14 milhão em dois meses; outro, R$ 4,5 milhões.
Para o diretor do DHPP, delegado Mário Souza, a operação busca desarticular a estrutura financeira da organização. “O combate à lavagem de dinheiro é essencial para enfraquecer o poder econômico desses grupos e impedir que recursos ilícitos sejam utilizados para financiar homicídios”, destacou.





