POLÍCIA

Operação Apakani revela esquema de tráfico e lavagem em Cachoeirinha e Gravataí

Ao todo, foram expedidos 28 mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 58 mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de contas bancárias, sequestro de veículos e outras medidas de constrição patrimonial

Cachoeirinha – A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quinta-feira (11), a Operação Apakani, com foco no combate a uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em nível interestadual. A ação é coordenada pela Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro da Divisão de Investigações do Narcotráfico (DRLD/DINARC) e pela Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal (DIPAC), ambas vinculadas ao Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (DENARC).

Conforme a Polícia Civil, ainvestigação apura um esquema estruturado de distribuição de entorpecentes, movimentação financeira ilícita e ocultação patrimonial, com atuação no Rio Grande do Sul e em outros estados. A operação integra a Operação Narke 6, coordenada nacionalmente pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP/MJSP).

Ao todo, foram expedidos 28 mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 58 mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de contas bancárias, sequestro de veículos e outras medidas de constrição patrimonial. Até o momento, 27 pessoas foram presas. As ações ocorreram em diversas cidades, incluindo a Região Metropolitana, com cumprimento de mandados em Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, Eldorado do Sul, Nova Santa Rita, além de municípios do interior do Estado como Caxias do Sul, Gramado, Farroupilha e Santa Maria. Também houve diligências em Santa Catarina, nas regiões Sul e da Grande Florianópolis.

Os mandados ainda foram cumpridos em unidades prisionais do Rio Grande do Sul e do Paraná, com apoio das forças policiais envolvidas. Em paralelo, empresas localizadas em São Paulo e Mato Grosso do Sul também foram alvo de diligências com apoio das polícias civis locais. Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início em 2023, após a apreensão de 1,3 tonelada de maconha em Canoas.


A partir disso, foram identificadas conexões de uma organização criminosa responsável pela distribuição de cocaína e crack, com atuação logística interestadual e uso de imóveis para armazenamento de drogas. Ao longo das apurações, foi identificado que o grupo movimentou mais de R$ 21 milhões por meio de um esquema de lavagem de capitais, utilizando contas de terceiros, empresas de fachada, depósitos fracionados e operações financeiras para ocultar a origem dos recursos ilícitos.

Segundo os Delegados Nonnenmacher e Ractz, a operação busca descapitalizar a organização criminosa e propiciar a responsabilização criminal de lideranças de alto escalão, bem como de sua rede de operadores financeiros e logísticos estaduais e interestaduais. Conforme o Delegado Alencar Carraro, Diretor da DINARC, esta fase da operação é relevante por atingir grandes distribuidores de drogas, com elevada expertise criminal, a partir de provas robustas de lavagem de capitais e organização criminosa, reunidas ao longo de mais de um ano de análises e diligências.

Foto: Polícia Civil/Divulgação

O Delegado Carlos Henrique Wendt, Diretor do DENARC, destaca a importância do apoio mútuo entre as instituições envolvidas no presente trabalho. “No momento em que as organizações criminosas mantêm conexões interestaduais para o abastecimento de drogas na Região Sul do país, é fundamental que os órgãos estatais aprimorem a integração na troca de informações e no apoio operacional à repressão ao narcotráfico. E hoje, foi possível alcançarmos esses resultados extremamente positivos, graças a esse entendimento estratégico, por parte do Poder Judiciário, do Ministério Público e das Polícias Civis dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”, afirmou o Diretor.

A investigação também apontou a utilização de 21 empresas vinculadas ao esquema criminoso, distribuídas entre diferentes estados, que teriam sido usadas para inserção de dinheiro ilícito na economia formal. A operação mobilizou cerca de 300 policiais civis do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

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