O drama de Andrei e a solução do problema da traumatologia - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Há 17 dias aguardando cirurgia - Foto: Divulgação

O drama de Andrei e a solução do problema da traumatologia

Morador de Cachoeirinha aguarda há 17 dias por uma cirurgia na perna quebrada em acidente de moto

Cachoeirinha – O autônomo Andrei Nunes, 33 anos, não imaginou que um acidente de moto no Morro das Cabras, no interior de Sapucaia do Sul no dia 1 de novembro, Feriadão de Finados, se transformaria em um drama marcado por muita dor, luta e indefinição de quando será realizada a cirurgia em sua perna quebrada. Ele fez um relato do que vem enfrentando nos últimos 17 dias no seu perfil no Facebook.

Primeiro, recebeu o atendimento inicial no Hospital Getúlio Vargas em Sapucaia do Sul e iria receber alta depois da instalação de um fixador. Foram três dias. “Disseram que não iriam me operar por eu ser de Cachoeirinha”. O caso chegou a parar na Polícia e Nunes acabou sendo removido de ambulância para o Hospital de Viamão, que é referência para o atendimento de traumatologia de moradores de Cachoeirinha.

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Chegou lá no dia 4 de novembro e, novamente, queriam que ele fosse para casa aguardar dois meses para a cirurgia. Ele e família não aceitaram, insistiram e ele ficou internado. Mas em uma maca em um corretor. Foram 10 horas de agonia sem nenhuma medicação e alimentação.

Pela manhã desta quinta-feira (17), a reportagem solicitou um posicionamento do Hospital de Viamão sobre o que estava acontecendo com Andrei. Por intermédio da assessoria de imprensa, a casa de saúde informou que o“Hospital de Viamão é referência em traumatologia para os municípios de Viamão, Alvorada e Cachoeirinha, de forma que possuímos uma elevada demanda para casos traumatológicos. Temos pacientes internados e também ambulatoriais aguardando tratamentos cirúrgicos para fraturas. Hoje no começo da tarde o paciente e seu familiar foram atendidos pela direção técnica e a coordenação do setor de traumatologia para alinhamento do caso”.

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Andrei foi atendido pelo diretor técnico, Marcelo Bastiani Pasa, e pelo traumatologista Ricardo Augustini, que explicaram a situação de dificuldade e prometeram dar celeridade aos procedimentos para a cirurgia. “Prometeram para no início da próxima semana”, disse à reportagem.

Segundo o secretário municipal da Saúde de Cachoeirinha, Juliano Paz, o atendimento traumatológico/ortopédico é regulado pelo Estado e tem Viamão como referência. Na região, somente Porto Alegre, Gravataí e Canoas, estão na Gestão Plena Municipal da Saúde e conseguem prestar este atendimento. Cachoeirinha tem a Gestão Plena da Atenção Básica. Isso significa que ela não consegue resolver muitas questões que são de competência do Estado. Para mudar de nível de gestão seria necessário cumprir uma série de requisitos e hoje não haveria estrutura para isso.

A solução de parte do problema, contudo, está sendo encaminhada. Segundo Juliano Paz, já há uma negociação com a secretaria estadual da Saúde para que uma clínica em Cachoeirinha seja credenciada para fazer o atendimento de casos que não requerem cirurgia. Desta forma, as pessoas não precisariam se deslocar para Viamão ou ficarem aguardando uma data para atendimento.

Os recursos para esses serviços, em vez de serem repassados para Viamão, seriam destinados para a clínica. Se não resolve totalmente o problema, o atendimento de casos menos complexos, como de fraturas que podem ser resolvidas apenas com a imobilização do membro, desafogaria o Hospital de Viamão. Ele ficaria somente com o atendimento de situações como a enfrentada por Andrei e poderia resolver os casos com mais rapidez.

Enquanto a secretaria municipal da Saúde busca esse caminho, quatro vereadores decidiram tentar outra solução. Paulinho da Farmácia (PDT), Edison Cordeiro (Republicanos), Felisberto Xavier (PSD) e Francisco Belarmino Dias Major (MDB) estiveram em Brasília na semana passada.

Paulinho entende que o Hospital Padre Jeremias poderia ser credenciado pelo Estado para o atendimento de casos menos complexos. Segundo ele, os deputados federais Nereu Crispim (PSL), Alceu Moreira (MDB) e Carlos Gomes (Republicanos) se colocaram à disposição para destinarem emendas ao hospital de Cachoeirinha com a finalidade única de suprirem investimentos e custos com a oferta do serviço.

Xavier, que é presidente da Comissão de Saúde do Legislativo, tem uma reunião nesta sexta-feira (18) com Juliano Paz. “Eu atuo na área de saúde há mais de 30 anos. O que precisamos, num primeiro momento, é verificar o nível da complexidade de atendimento oferecido no Hospital de Cachoeirinha e buscarmos informações sobre a viabilidade de ele ser ampliado para que possa absorver a traumatologia”, explica.

O drama contado por Andrei em seu perfil no Facebook:

Olá pessoal me chamo Andrei Nunes

Sofri um acidente de moto na área rural de sapucaia dia 01/11 e acabei quebrando a perna, ninguém se machuca por que quer… Fui levado ao hospital de sapucaia do sul onde fizeram os primeiros atendimentos, colocaram o fixador na perna fraturada, fiquei lá até o dia 3 quando os médicos se negaram em me operar devido a eu ser de Cachoeirinha. Acreditem ganhei alta melhorada para ir pra casa com uma receita de paracetamol dipirona e codeína.

Sendo que no hospital de sapucaia eu era tratado com morfina, cetoprofeno, tramadol e heparina anticoagulante… simplesmente fizeram um grande descaso comigo sendo que a secretaria de Cachoeirinha citou até pagar todos os gastos assim como pagariam pra o hospital referência de Viamão …

Com muita luta e ocorrência na delegacia sobre o descaso de Sapucaia, conseguiram me transferir direto para Viamão de ambulância no dia 04/11…chegando em Viamão gostariam de me mandar pra casa também pra esperar 2 meses em média pela cirurgia…simples assim.

Batemos o pé e o doutor Rodrigo Rugai traumatologista me aceitou, fizemos raio x e fui para o corredor à espera de leito (neste dia fiquei mais de 24 horas sem comer e sem remédio em torno de 8 a 10 horas agoniando no corredor até o médico prescrever os remédios…. até que me deram morfina pois eu estava na última da dor Doutor Rodrigo rugai passou para conversar comigo no corredor disse claramente que daquela quinta dia 05/11 até domingo não conseguiriam operar mas que na outra semana sim…

Enfim o prazo do laudo de 7 dias para a cirurgia já estourou estou completando quase 20 dias na espera…os médicos traumatos não vem no quarto falar nada. Nem por telefone não são capazes de dar alguma previsão…família, vereadora e secretaria já ligaram, mas ninguém nunca está … O que fazer ????

Em hospital de cardiologia de Viamão ??? Preciso sair dessa. Muitas pessoas já tentaram ligar e não receberem nenhuma resposta … Muito menos Eu

Médicos tem medo de falar com pacientes em Viamão????

O que acontece ????

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