O caso de polícia que sacudiu a campanha política essa semana em Gravataí
Polícia Civil deflagrou a Operação Persona contra duas pessoas investigadas por publicações em perfil falso nas redes sociais
Gravataí – A Operação Persona, deflagrada pela Polícia Civil na quarta-feira (9), colocou no centro da campanha eleitoral em Gravataí uma investigação sobre a utilização de perfil falso nas redes sociais para atacar o ex-deputado estadual e candidato a deputado estadual Dimas Costa (PSD). Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos na cidade contra pessoas suspeitas de envolvimento nas publicações.
A investigação ganhou repercussão política depois que informações obtidas com exclusividade pelo jornalista Rafael Martinelli, do site Seguinte, apontaram que uma das pessoas investigadas ocupa cargo em comissão e é ligada ao gabinete do vice-prefeito Dr. Levi Melo (Podemos), candidato a deputado federal. A Polícia Civil não divulgou oficialmente os nomes dos alvos nem confirmou publicamente a identidade dos servidores.
A Operação Persona é conduzida pela Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp), vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). Conforme a Polícia Civil, a investigação identificou um perfil falso que teria sido utilizado para promover ataques sistemáticos contra Dimas. Parte das publicações teria sido impulsionada para aumentar o alcance e produzir impacto no cenário eleitoral.
A delegada Isadora Galian, responsável pela investigação, confirmou que a apuração conseguiu identificar a utilização do perfil falso pelos suspeitos. “Conseguiu-se comprovar que se tratava de um perfil falso. E que estes suspeitos teriam utilizado esse perfil, efetivamente, para proferir essas ofensas”, afirmou.
Outro ponto investigado é a utilização da conexão de internet da prefeitura de Gravataí para o envio das mensagens. A Polícia Civil informou inicialmente que os investigados são servidores sem identificar oficialmente o município. O uso da conexão pública, isoladamente, não comprova participação institucional da administração municipal, e a investigação busca esclarecer quem utilizou a rede e em quais circunstâncias. Conforme o site Seguinte, uma pessoa ocuparia um cargo de CC ligada ao gabinete do vice-prefeito.
Caso começou com denúncia de Dimas
A investigação teve início depois que Dimas procurou a Polícia Civil em abril, quando ainda exercia mandato de deputado estadual. Ele relatou uma sequência de ataques nas redes sociais, inclusive com referências a integrantes de sua família.
Nesta sexta-feira (11), Dimas publicou um vídeo sobre o caso e revelou que algumas das publicações atingiram seu pai, um idoso que estava internado em uma clínica especializada e necessitava de cuidados permanentes. “Nem isso respeitaram”, afirmou o candidato.
Dimas sustenta que a denúncia não teve como objetivo impedir críticas políticas. “A internet não é uma terra sem lei. O que é crime no mundo físico também é crime nas redes. O Código Penal e as leis brasileiras se aplicam da mesma forma”, declarou.
O enquadramento divulgado até agora pela Polícia Civil é de difamação. Os investigadores procuram identificar quem criou e administrou os perfis, quem produziu ou determinou a publicação dos conteúdos e se houve participação de outras pessoas. O material apreendido nos dois endereços deverá ser analisado durante a continuidade do inquérito.
Investigação chega ao gabinete do vice-prefeito
A dimensão política do caso aumentou na quinta-feira (10), quando Martinelli revelou que uma pessoa ocupante de cargo em comissão ligada ao gabinete de Dr. Levi estaria entre os alvos da operação. A informação não havia sido divulgada pela Polícia Civil.
Após a divulgação, a campanha do vice-prefeito publicou uma nota reconhecendo a existência de indícios envolvendo uma pessoa que integrava sua assessoria. “Há, neste momento, indícios que apontam para possível participação de pessoa que integrava a assessoria de gabinete. Não serão feitos julgamentos antecipados, mas já está sendo adotadas as providências necessárias para que eventuais responsabilidades sejam esclarecidas”, informou a campanha.
A nota afirma ainda que, no período em que teriam ocorrido os fatos investigados, Levi enfrentava tratamento de uma mielite dorsal grave e estava afastado das atividades políticas e profissionais. A campanha também repudiou ataques pessoais, desinformação e utilização indevida das redes sociais e afastou a possibilidade de conflito político entre Levi e Dimas, destacando que ambos pertencem a partidos da base do prefeito Luiz Zaffalon (PSD).
Prefeito admite exoneração
O prefeito Luiz Zaffalon também se manifestou depois que o caso veio a público. Segundo informações divulgadas pelo Seguinte, Zaffa busca acesso ao inquérito para conhecer as circunstâncias da investigação antes de tomar uma decisão. Ele afirmou que, se for confirmada a participação de servidores municipais, a medida será a exoneração.
O caso também alcançou outros integrantes da base governista. Conforme Martinelli, o presidente da Câmara, Dilamar Soares, o Dila, apontou a mesma CC como suspeita de ter feito críticas contra ele utilizando o perfil do Podemos. Segundo Dila, o perfil falso investigado também teria realizado ataques contra o vereador Paulinho da Farmácia. Essas informações não foram apresentadas pela Polícia Civil no material divulgado oficialmente sobre a operação.
Até esta sexta-feira, a Polícia Civil não havia divulgado oficialmente a identidade dos investigados nem confirmado a participação ou determinação de agentes políticos na criação dos perfis e nas publicações. Os dois alvos da Operação Persona permanecem na condição de investigados. A eventual responsabilização dependerá da conclusão do inquérito e, posteriormente, de eventual denúncia e processo judicial.
A nota divulgada pela campanha de Dr. Levi
A campanha do Dr. Levi se manifesta sobre o episódio envolvendo a possível criação de um perfil falso nas redes sociais, que teria sido utilizado para ataques a um ex-deputado, fato que está sendo tratado como possível prática de crime cibernético e que deverá ser devidamente apurado pelas autoridades competentes.
É importante esclarecer que o episódio ocorreu em um período particularmente delicado da vida do Dr. Levi. Na ocasião, ele encontrava-se em tratamento de uma mielite dorsal grave, completamente afastado de suas atividades políticas e profissionais.
Há, neste momento, indícios que apontam para possível participação de pessoa que integrava a assessoria de gabinete. Não serão feitos julgamentos antecipados, mas já está sendo adotadas as providências necessárias para que eventuais responsabilidades sejam esclarecidas.
Quem conhece a trajetória do Dr. Levi sabe que ele jamais precisou atacar adversários ou utilizar qualquer expediente dessa natureza para fazer política. É um homem honrado, que construiu sua trajetória com trabalho, respeito e diálogo.
Também é rechaçada qualquer tentativa de transformar esse episódio em um conflito pessoal entre o Dr. Levi e o candidato Dimas Costa, que teria sido o alvo das manifestações. A relação entre ambos é respeitosa, seus partidos fazem parte da mesma base política do Governo Zaffalon e concorrem a seus cargos sem nenhum tipo de ataque.
A campanha do Dr. Levi reitera que repudia qualquer prática de ataque pessoal, desinformação ou utilização indevida das redes sociais. Confiamos nas instituições e na investigação dos fatos para que a verdade prevaleça.
Dr. Levi seguirá fazendo a boa política, reforçando o seu compromisso em trabalhar com dedicação e respeito pela nossa população.
Campanha Dr. Levi.







