POLÍCIA

Mulher é presa no Alphaville acusada de tráfico em caso envolvendo ex-vereador

Ela e o marido, que está preso, comandariam a distribuição de maconha na Região Metropolitana

Gravataí – Uma mulher de 31 anos foi presa na tarde desta sexta-feira (30) em um condomínio de luxo em Gravataí, o Alphaville, acusada de comandar com o marido, de 34 anos, a distribuição de maconha na Região Metropolitana. O casal foi alvo de uma operação comandada pelo delegado Alencar Carrato, titular da 3ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico (DIN), do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc).

Segundo Carraro, as investigações iniciaram em setembro do ano passado com a prisão em flagrante de um suspeito em Gravataí com 55 kg de maconha. Ele seria um dos entregadores de drogas de uma facção criminosa com origem no Vale dos Sinos.

Do decorrer das investigações, foram apreendidos pelo Denarc 3.050 quilos de maconha, 6,5 quilos de cocaína, 2,5 quilos de crack, 142 kg de insumos para produção de drogas, duas armas de fogo, balanças de precisão, aproximadamente R$ 50.000,00 em espécie, diversos veículos automotores e ainda foram realizadas 13 prisões.

Um dos presos foi o então vereador Manoel D’Ávila, de Cachoeirinha, responsável por uma ONG, localizada em um sítio que seria usado pelos criminosos para receber e distribuir as drogas. O ex-vereador está respondendo ao processo em liberdade e sua defesa alega que ele e o sítio na Frederico Ritter não possuem nenhuma relação com o tráfico, tanto que lhe foi concedido um habeas corpus.

Segundo Carraro, o casal comandaria um complexo esquema de distribuição de maconha abastecendo determinadas áreas de Porto Alegre, Cachoeirinha, Viamão, Canoas, São Leopoldo e Alvorada. A droga seria proveniente do Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai, e encaminhada para o Rio Grande do Sul por meio de caminhões, escondida em cargas diversas, lícitas. Na Região Metropolitana, era rapidamente distribuída aos diversos revendedores de cada cidade, os quais abasteciam os pontos de venda de drogas.

A investigação do Denarc apontou que aproximadamente 4 toneladas de maconha por mês, seriam recebidas e distribuídas pelo casal. O marido está recolhido no Presídio Central e de lá receberia o apoio da esposa para as entregas e recebimento do dinheiro dos pontos de tráfico.

O indiciado, conforme o delegado, possui inúmeros antecedentes policiais como tráfico de drogas, inclusive tráfico internacional, receptação, adulteração de veículo automotor e associação criminosa. Já, sua companheira, de 31 anos de idade possuiria antecedentes policiais pela prática de homicídio qualificado. A operação foi chamada de Viúva Negra.

O que chamou a atenção dos policiais foi a ostentação pela moradia em uma casa de alto padrão em condomínio de luxo, veículo de alto valor financeiro, que foi apreendido, joias e roupas de grife. A mulher, apesar de demonstrar ter muito dinheiro, chegou a receber mais de R$ 7 mil de Auxílio Emergencial, pagos pelo Governo Federal, em decorrência do Covid-19, destinado a pessoas de baixa renda.

O delegado afirma que “se trata de um deboche, pois além do casal ser grande distribuidor de drogas e amealhar altos valores financeiros com essas práticas ilícitas, utilizam-se de situações de extrema necessidade da população em geral, como é o caso da pandemia do Covid, a fim de se beneficiar financeiramente”. “É um escândalo social”, afirma. Carraro entende que os acusados devem ser encaminhados ao sistema penitenciário Federal para tentar inviabilizar a complexa rede de distribuição de drogas.

A operação Viúva Negra cumpriu seis ordens judiciais, sendo três mandados de busca e apreensão em Gravataí e Porto Alegre, e três mandados de prisão. Dois mandados foram cumpridos contra o casal e um contra um homem acusado de ser o gerente, que também está recolhido ao sistema prisional. Ele foi preso com 600 quilos de maconha no ano passado na mesma operação que prendeu o ex-vereador.

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