POLÍTICA

Moradores da Vila Paraíso protestam contra cedência de área para igreja

Vereador Leonardo da Costa apresentou manifesto contrário à proposta da prefeita Jussara Caçapava e pediu vista do projeto para permitir que a comunidade se reúna com o Executivo antes da votação

Cachoeirinha – Moradores da Vila Paraíso, em Cachoeirinha, estão mobilizados contra a cessão de um terreno público de quase mil metros quadrados para a Assembleia de Deus Nacional Região Sul. O posicionamento da comunidade foi levado à Câmara pelo vereador Leonardo da Costa (PT), durante a Sessão desta terça-feira (20), quando estava prevista a votação do projeto encaminhado pela prefeita Jussara Caçapava. Após ler um manifesto dos moradores na tribuna, o parlamentar pediu vista da matéria, adiando a votação para a próxima Sessão.

O pedido de vista permitirá que os moradores busquem uma reunião com a prefeita para apresentar suas reivindicações antes que os vereadores decidam sobre a destinação do terreno. Leonardo informou que foi procurado por representantes da comunidade antes do início da Sessão e que apresentou uma das moradoras ao líder do governo, Otoniel Gomes (MDB), para facilitar o diálogo com a administração municipal.

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O Projeto de Lei nº 5324/2026, encaminhado pelo Executivo em 7 de outubro, autoriza a cessão de uma área pública de 929,97 metros quadrados, localizada na Quadra A do loteamento Vila Paraíso. O imóvel, registrado sob a matrícula nº 5.796, poderá ser utilizado pela instituição religiosa durante dez anos, com possibilidade de prorrogação por igual período, totalizando até duas décadas.

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Pela proposta, a Assembleia de Deus Nacional Região Sul deverá desenvolver no local atividades de culto, eventos culturais e cursos gratuitos de música destinados à comunidade. A Prefeitura justifica a iniciativa como uma forma de aproveitar espaços públicos e fortalecer ações comunitárias realizadas por entidades sem fins lucrativos.

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Moradores querem praça pública e mais segurança

No manifesto entregue aos vereadores e lido por Leonardo, os moradores afirmam que o terreno havia sido apresentado, quando adquiriram seus imóveis, como uma área destinada à implantação de uma praça pública, com espaços de lazer, convivência e bem-estar para as famílias.

“Nós, moradores do bairro, somos totalmente contra essa medida”, afirma o documento. A comunidade questiona a decisão de disponibilizar o terreno para uma instituição religiosa, argumentando que o espaço deveria atender a todos os moradores, independentemente de suas crenças.

O manifesto também denuncia problemas de segurança pública na região, incluindo assaltos e arrombamentos de residências. Segundo os moradores, essas situações têm provocado medo e insegurança, enquanto demandas por melhorias na infraestrutura e nos espaços de convivência permanecem sem atendimento.

“A prefeitura e a Câmara não podem nos enxergar apenas no momento de dispor de um patrimônio que é nosso por direito”, afirmam os moradores no documento.

A comunidade reivindica que a destinação original da área seja respeitada e cobra investimentos em segurança, iluminação pública e lazer. Ao final do manifesto, os moradores pedem que os vereadores votem contra a proposta de cessão do terreno.

Vereador defende diálogo antes da votação

Durante sua manifestação, Leonardo defendeu o direito da comunidade de participar das decisões sobre os espaços públicos e questionar iniciativas que considera contrárias aos interesses do bairro.

O parlamentar também ponderou que a destinação legal de um terreno nem sempre corresponde à utilização desejada pelos moradores. Ele lembrou que a região possui características específicas, incluindo a proximidade de um arroio e de duas bacias de contenção, o que exige uma avaliação junto à Prefeitura sobre as possibilidades de utilização do imóvel. Leonardo afirmou que a participação da comunidade é fundamental para a construção de soluções e defendeu que os moradores apresentem diretamente ao Executivo suas demandas e preocupações.

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