Médico da UPA vence Covid-19 após ser ligado a pulmão artificial - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Alexandre (E) quando retornou do coma; (D) no dia da alta, recepcionado por Clara - Foto: Arquivo Pessoal

Médico da UPA vence Covid-19 após ser ligado a pulmão artificial

Alexandre Ricciardi, que atende na UPA de Cachoeirinha desde 2016, conta como venceu o novo coronavírus, com método de oxigenação extracorpórea

Cachoeirinha – Era final de junho quando o médico Alexandre Ricciardi, 47 anos, começou a sentir os primeiros sintomas do novo coronavírus. “Tive uma febre isolada e já comecei com falta de ar. Pelo fato de eu ser asmático, achei que era mais uma crise, mas a falta de ar ficou progressiva e agravou demais”, descreve Alexandre. Dia 5 de julho ele procurou o ambulatório da Santa Casa de Porto Alegre para atendimento. Dois dias depois seu quadro piorou e o médico foi transferido para o CTI. “Iniciaram várias metodologias para melhorar minha capacidade respiratória, mas não houve retorno. Dia 13 de julho fui entubado”, descreve.

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Após 10 dias de entubação, em coma induzido e não respondendo ao tratamento, os pulmões de Alexandre entraram em falência respiratória.”A carga viral me causou uma lesão inflamatória que inviabilizava o menor alvéolo pulmonar de realizar a troca do gás carbônico pelo oxigênio. Esta impossibilidade gerou uma falência fisiológica dos meus pulmões”, explica o médico.

Alexandre, com a filha Clara, de 8 anos, antes de enfrentar o novo coronavírus

Foi quando a equipe responsável pelos cuidados de Alexandre resolveu utilizar o último recurso disponível. Colocaram o médico em um equipamento de Oxigenoterapia por Membrana Extracorpórea (ECMO). O método consiste em fazer circular todo o sangue do corpo por uma bomba que realiza a oxigenação sanguínea. “Com 10 horas de descanso, meus pulmões voltaram a apresentar saturação. Fiquei sete dias na ECMO e na ventilação mecânica que deixavam meu sangue limpo de vírus e oxigenado”, conta o médico que ficou 17 dias inconsciente.

No total, foram 36 dias de internação até receber alta médica esta semana. Alexandre continua sua recuperação em casa, com fisioterapia para restabelecer 100% de sua capacidade respiratória e força muscular. “Estou fazendo, em domicílio, muito exercício respiratório para poder recuperar por completo a função pulmonar. Perdi 18 quilos nesses dias de CTI, pois o Covid-19 e a ventilação mecânica consomem muito peso. Será um processo lento e longo de reabilitação de, no mínimo, 60 dias. Eu me olho no espelho e ainda não me reconheço”, desabafa.

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Para Alexandre, a equipe médica da Santa Casa, em especial ao colega e amigo, Spencer Camargo, e ao chefe do setor de Transplante Pulmonar, José Jesus Camargo, juntamente com sua família, foram decisivos em salvar sua vida. “Agradeço muito à Deus por essa segunda chance, pois estive praticamente morto. No dia da alta, fui recebido na saída do hospital pela minha filha Clara com um ramo de girassóis e uma cartinha de amor ao papai. Só tenho a agradecer por todos que se empenharam em me salvar”, emociona-se.

Sobre o novo coronavírus, o médico explica que antes de ser contaminado, sabia o quanto ele era agressivo, mas está muito impressionado com a letalidade da doença. “A gente nunca acha que vai acontecer com a gente. Meu caso foi gravíssimo e muitas pessoas estão morrendo. O vírus é real e apartidário, não se trata de jogada política. Estamos vivendo uma situação de caos na saúde que só será contornada com a vacina. Enquanto isso, não há outra forma de se proteger que não seja o isolamento social e o uso de máscaras. Estamos expostos a um inimigo ardiloso e imprevisível”, ressalta.

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