Maioria dos vereadores desiste e CPI do hospital não vai acontecer
Parlamentares retiraram suas assinaturas do requerimento para abertura de CPI para investigar o que acontece no Padre Jeremias
Cachoeirinha – A CPI para investigar o que acontece no Padre Jeremias, alvo de dezenas de reclamações da população relativa a atendimentos e ainda a falta de investimentos, não vai ser realizada na Câmara de Vereadores de Cachoeirinha. A investigação, proposta pelo vereador Mano do Parque, havia ganho o apoio de 14 parlamentares. Na última semana, contudo, 11 deles voltaram atrás. Sobraram apenas as assinaturas de Mano, Jordan Protetor e do presidente do Legislativo, Paulinho da Farmácia. Para ser aberta, a CPI precisava de no mínimo seis assinaturas. Na Sessão desta terça-feira (7), a CPI foi descartada.
“Lamentável. Eu tive colegas que vieram aqui e disseram eu não retiro a assinatura. Novamente de joelhos diante do Executivo. Somos vereadores. Fomos eleitos para fiscalizar”, disse Mano do Parque. A vereadora Sandrinha foi uma que usou a Tribuna na semana passada para fazer uma defesa enfática da necessidade de ser investigado o que acontece no Padre Jeremias e citou o sofrimento que pessoas idosas passam no hospital. Ela, no entanto, desistiu de ser favorável a investigação.
Desde que Mano colheu assinaturas, Felisberto Xavier, Nelson Martini e Francisco Belarmino Dias Major foram contra por dois motivos. Primeiro, porque o requerimento não trazia uma denúncia específica, sendo genérico. Segundo, porque eles entendem que seria melhor ouvir o hospital em audiência pública na Comissão de Saúde. Os vereadores que desistiram foram convencidos disso.
O Líder de Governo, Otoniel Gomes, salientando que não houve interferência do prefeito Cristian Wasem, destacou que Mano não cumpriu com um combinado de avaliar uma outra alternativa que não fosse a realização de CPI. A preocupação de parlamentares é de que a investigação poderia trazer problemas para o hospital uma vez que haveria uma cobrança maior da população por questões que, necessariamente, não caberiam serem investigadas em uma CPI, como mortes cujos familiares dos falecidos não aceitam.
O presidente da Câmara, Paulinho da Farmácia, favorável a CPI, também lamentou a decisão dos colegas. “Não adianta audiência pública. Se adiantasse a Corsan seria hoje a melhor companhia da nossa cidade. Então, pra mim, não vai adiantar audiência pública. Temos que aprender a atravessar a ponte para nós procurarmos lá no Estado algumas coisas. O Padre Jeremias, hoje pra mim, é lamentável o que acontece dentro daquele hospital. Não adianta vir aqui para uma audiência pública dizer que nós vamos fazer, tem que fazer, não vai adiantar nada. Vamos ficar empurrando com a barriga”, destacou.
Ele ainda falou sobre as emendas parlamentares: “… eu quero que apresente o que é feito com as emendas que vêm dos nossos deputados, porque eu não vi melhoria nenhuma. Vi emendas de R$ 2 milhões, emendas de R$ 500 mil, emendas de R$ 300 mil e nada. Nem as poltronas lá na frente estão sendo colocadas”, salientou. Paulinho lembrou que o vice-governador, Gabriel Souza, mesmo partido do prefeito, pode ajudar a esclarecer o que acontece no hospital e para onde vão os recursos. Durante a Sessão, Fernando Medeiros, disse que acabara de receber aviso do deputado federal Afonso Motta, sobre a destinação de mais R$ 150 mil para o hospital.
O presidente da Comissão de Saúde do Legislativo, Felisberto Xavier, vai definir nos próximos dias a realização de uma audiência pública para que a direção do Padre Jeremias possa se manifestar e responder questionamentos dos vereadores. Uma audiência pública não tem nenhum poder deliberativo. É um espaço onde quem é convidado pode falar livremente e responder perguntas. Tudo que é dito gera uma ata para que fique registrado. Ela pode ser encaminhada para órgãos ligados a área que foi tema da audiência e quem recebe pode ou não tomar alguma providência, não sendo obrigatório. Uma cópia também poder ser enviada ao Ministério Público. Dependendo do desenrolar de uma audiência, havendo alguma denúncia considerada grave e que não foi devidamente esclarecida, ela pode dar origem a uma CPI por iniciativa dos vereadores.
Quem manteve a assinatura para a CPI:
- Mano do Parque (autor)
- Paulinho da Farmácia
- Jordan Protetor
Quem não tinha assinado e foi contra desde o início:
- Felisberto Xavier
- Nelson Martini
- Francisco Belarmino Dias Major
Quem tinha assinado, era a favor, e voltou atrás:
- Jussara Caçapava
- Gilson Stuart
- Sandrinha
- Brinaldo Mesquita
- Uilson Droppa
- Fernando Medeiros
- Zeca Knevitz
- David Almansa
- Gelson Braga
- Otoniel Gomes
- Deoclécio Mello








