Inverno sob El Niño terá alto risco de enchentes no Sul do Brasil
A MetSul destaca que o período de maior risco será o segundo semestre, especialmente o fim do inverno e a primavera, e o outono de 2027
O inverno astronômico de 2026 começa em 21 de junho, às 5h255, e trará aumento significativo da chuva no Sul do Brasil com alta probabilidade de cheias de rios e enchentes, especialmente na segunda metade da estação, alerta a MetSul Meteorologia. A estação terá como principal destaque neste ano a atuação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico, com grande impacto no clima do Sul do Brasil.
O El Niño 2026-2027 teve o seu começo declarado agora em junho e tem probabilidade muito alta de atingir patamar intenso e se configurar como um Super El Niño durante o segundo semestre. De acordo com a análise da MetSul, o patamar de Super El Niño já pode ser alcançado no inverno pelo critério tradicional de monitoramento da NOAA, denominado de Índice Niño Oceânico (ONI).As projeções dos principais modelos climáticos internacionais indicam que o fenômeno pode rivalizar ou superar em intensidade os históricos episódios de 1982-1983 e 1997-1998, considerados alguns dos mais poderosos já registrados.
O pico do El Niño de 2026-2027 vai se dar no último trimestre deste ano, na primavera e no começo do verão, quando pode registrar mesmo intensidade extrema e talvez sem precedentes nos tempos modernos. Será o trimestre de maior risco para chuva excessiva e enchentes no Sul do Brasil. O El Niño começará a impactar o regime de chuva no Rio Grande do Sul no decorrer da estação. Inicialmente, a chuva mais volumosa vai afetar Santa Catarina e o Paraná, mas com o passar das semanas afetará mais o Rio Grande do Sul, especialmente no Oeste e na Metade Norte, onde está a maioria das nascentes dos principais rios do estado.
Embora julho já possa ter chuva acima da média em parte do estado, em especial na Metade Norte, a precipitação deve aumentar mais em agosto e, sobretudo, setembro, quando podem ocorrer mais eventos de chuva excessiva a extrema. Será quando o risco de cheias de rios aumentará muito com enchentes. Não se pode afastar a possibilidade de enchentes de médio a grande porte nas bacias do Oeste, como Uruguai e Ibirapuitã, e de rios que nascem na Metade Norte como Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí.
A segunda metade do inverno, além do aumento considerável da chuva, deve registrar ainda um aumento da frequência de temporais. O El Niño costuma causar numerosos episódios de tempo severo com granizo e vendavais principalmente no fim do inverno e na primavera. Os mais graves, inclusive, podem vir com tornados. A estação marca ainda o auge da ocorrência de ciclones extratropicais no Atlântico. Há estudos mostrando que o El Niño pode aumentar o impacto destes ciclones no Rio Grande do Sul. No último episódio de El Niño, em 2023, ciclones intensos causaram vento com força destrutiva e chuva excessiva no Rio Grande do Sul durante o inverno.
Veja as projeções de chuva dos modelos para o inverno
Há um consenso entre os modelos de clima de longo prazo sobre chuva acima a muito acima da média no Sul do Brasil durante o inverno deste ano com alta probabilidade de episódios de precipitação excessiva a extrema. Os dados indicam que os três estados do Sul devem ter uma estação com chuva superior aos valores históricos da climatologia como consequência do El Niño. O risco maior de chuva excessiva vai se concentrar primeiro mais em Santa Catarina e no Paraná. Ao longo da estação, o sinal de chuva acima da média se estende para todo ou quase todo o Sul do país.
Os maiores acumulados de chuva na estação devem se concentrar na Metade Norte e parte do Oeste do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Os desvios são especialmente altos nos territórios catarinense e paraense na maior parte das projeções dos modelos analisados pela MetSul, uma vez que as médias de precipitação históricas de chuva no Paraná costumam ser menores que as do Rio Grande do Sul no inverno pela maior proximidade do Paraná com o Centro do Brasil, onde normalmente na estação fria ocorre a temporada seca.
Sul do Brasil será muito afetado pelo El Niño
O El Niño impacta o clima em todas as regiões do Brasil com a diminuição da chuva mais ao Norte do país e um grande aumento da precipitação mais ao Sul, mas nenhuma região deve ser tão afetada por este evento como o El Niño. Para o Sul do Brasil, os sinais são especialmente preocupantes. A experiência histórica mostra que o El Niño inevitavelmente vai trazer chuva extrema, cheias de rios, enchentes, e muitos temporais severos de vento e granizo. Não é uma pergunta se haverá ou não enchentes, mas sim quantas e o tamanho.
A MetSul destaca que o período de maior risco será o segundo semestre, especialmente o fim do inverno e a primavera, e o outono de 2027, mas mesmo no verão podem ocorrer eventos extremos. Embora aumente o risco de uma nova catástrofe, o retorno do fenômeno com intensidade muito possivelmente maior que em 2023-2024 não significa que haverá necessariamente uma repetição da enchente histórica de maio de 2024. Não há relação linear entre a intensidade do El Niño e a ocorrência ou magnitude de um desastre em determinada região. As grandes enchentes dependem da soma de diversos fatores atmosféricos em paralelo e que só podem ser avaliados com maior precisão em previsões de curto prazo.






