Influencer de Cachoeirinha é acusada de agenciar filha para pedófilo
Ela e outra mãe foram presas em operação da Polícia Civil contra a exploração sexual de crianças
Cachoeirinha – A Polícia Civil, por meio da 1ª Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente, do Departamento Estadual de Proteção aos Grupos de Vulneráveis – 1ª DPCA/DECA/DPGV, coordenada pela Delegada de Polícia Camila Franco Defaveri, desencadeou na terça-feira (17), a II Fase da Operação La Lumière (“A Luz” – remetendo à operação Luz da Infância), com o objetivo de apurar exploração sexual infanto-juvenil. Inicialmente, a ação deu-se por existir indícios de que crianças, todas irmãs (8-10-12 anos), estariam sendo submetidas aos crimes de exploração sexual, prostituição, estupro e derivados do crime de pornografia infantil.
Na primeira fase da operação, foram realizadas buscas nas residências do investigado, tanto em sua residência principal, como também, em seu apartamento à beira-mar, na cidade de Imbé. No local, foram apreendidos diversos instrumentos sexuais, localizados medicamentos calmantes de venda controlada, possíveis dopantes, como outros acessórios já denotando sua preferência sexual por crianças. Na ocasião, foram localizados aparelhos celulares e notebooks com o histórico de todas as conversas com a acusada, mãe das menores.
Atualmente, o investigado e a investigada encontram-se presos, preventivamente, diante da gravidade das condutas praticadas. Na primeira operação, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão com equipes do Instituto Geral de Perícias na residência da mãe de três meninas, como no local de trabalho da investigada onde foram apreendidos eletrônicos, celulares e computadores que detinham conversas com imagens, inclusive das crianças, negociando encontros e combinando valores.
Com a extração realizada pela equipe de Informática do IGP foram localizadas diversas conversas entre os investigados negociando os encontros, com pagamentos no formato de “cardápio”, além de outras conversas com outras mulheres.
“Com a apreensão dos aparelhos do investigado pode-se confirmar que se trata de um criminoso contumaz, que busca conhecer mulheres em ONGs, Instituições de Amparo. Além disso, vale-se de sites de prostituição estilo ‘Sugar Baby’ para conhecer outras pessoas, sempre do sexo feminino, com filhos menores, crianças de 0 a 12 anos, onde opta por convidá-las para participação de encontros ‘familiares’, demonstrando boas intenções, ao solicitar PIX para imediato depósito”, diz a Polícia.
Em seguida, iniciam as combinações, remetendo a tabelas de valores a serem pagos por ele para a prática de determinados atos com as crianças. O “cardápio” com valores dos abusos, enviando, inclusive, imagens de animes, já com o modelo do que seria feito. Após, combinado os valores, marcam encontros em locais reservados, em hotéis nas cidades ou em uma de suas residências em Imbé.
Da Operação Policial
A operação na terça-feira foi dividida em locais de cumprimento das prisões preventivas e dos mandados de busca e apreensão, na cidade de Porto Alegre, Alvorada e Cachoeirinha. Os policiais realizaram buscas nas residências de duas mães, uma de 26 anos, residente em Cachoeirinha, que possui ensino superior completo, é digital influencer e tem uma filha de 7 anos, vítima de abusos, conforme a Polícia.
Já a outra investigada tem 23 anos, mora em Alvorada, e é mãe de duas meninas, ambas vítimas de abusos, segundo a investigação. Uma tem um ano e a outra, três anos e meio. Ambas as mães foram presas preventivamente com mandado expedido pela 6ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre. As duas mulheres já haviam trabalhado na empresa do acusado como digitadoras, em Porto Alegre.
As mulheres foram conduzidas para o presídio e as crianças foram encaminhadas para perícia psíquica e verificação de violência sexual no CRAI-IGP por equipes do Conselho Tutelar. A operação contou com apoio das equipes do Instituto Geral de Perícias – Divisão de Informática e Divisão de Genética Forense, como também apoio do CRAI – Centro de Referência em Atendimento Infanto-juvenil, e de equipes do Conselho Tutelar. Ainda teve o apoio de polícia da DECA/DPGV e de equipes de reforço que estão trabalhando na Operação Caminhos Seguros que visa o combate aos crimes e exploração sexual infanto-juvenil no mês de maio.
“Observou-se a total falta de pudor e discernimento dos investigados, bem como de zelo e proteção, inerentes ao dever materno, das investigadas em relação às filhas, tratando-as como mercadorias e submetendo-as a favores sexuais, condutas, portanto, revestidas de gravidade”, diz a delegada. A polícia não divulgou os nomes das presas e nem os bairros onde ocorreram as prisões.





