Idosos são alvo do golpe do amor, alerta Polícia Civil do RS
Criminosos aproveitam-se da fragilidade de pessoas que estão emocionalmente vulneráveis

Casos de estelionato amoroso têm crescido nos últimos anos, e idosos aparecem como as vítimas mais vulneráveis, segundo a Polícia Civil. Conhecido como golpe do amor, o crime é praticado tanto de forma virtual, por meio de redes sociais e aplicativos de relacionamento, quanto presencial, envolvendo cuidadores que se aproximam de idosos para se apropriar de seus bens.
De acordo com a delegada Ana Caruso, titular da Delegacia de Proteção ao Idoso, os golpistas exploram a fragilidade emocional das vítimas, especialmente aquelas que estão emocionalmente vulneráveis ou em busca de afeto. “Embora qualquer pessoa passando por dificuldades emocionais possa ser alvo, os idosos são os mais vulneráveis, sobretudo os que sofrem de solidão e buscam relacionamentos nas redes sociais”, explicou.
Modus operandi
No chamado golpe do soldado americano, os criminosos criam perfis falsos nas redes sociais, apresentando-se como soldados americanos e mantendo contato constante com a vítima. Após algum tempo, passam a solicitar dinheiro alegando custos para um encontro presencial, que nunca ocorre. Uma variação do golpe envolve criminosos que se passam por artistas famosos, reproduzindo conteúdo e fotos de celebridades para criar histórias convincentes e extorquir a vítima.
Quanto aos casos envolvendo cuidadores e idosos, a delegada esclarece que há duas situações distintas:
- Em casos de demência ou senilidade, o idoso pode acreditar que o cuidador é seu parceiro, sendo seduzido e levado a pagar por cursos inexistentes, entregar talões de cheque, celulares ou realizar transferências. Muitas vezes, são formalizados contratos de união estável, mesmo contra a resistência de familiares.
- Quando o idoso está lúcido, a atuação policial é limitada, pois ele pode decidir livremente presentear ou se envolver com alguém mais jovem. “Mesmo que a pessoa perceba o golpe posteriormente, os prejuízos patrimoniais já ocorreram”, alerta Ana Caruso.
Operação Dom Quixote
Entre 2022 e 2023, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em parceria com os Estados de São Paulo e Ceará, deflagrou a Operação Dom Quixote, investigando crimes de estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Um idoso de 71 anos foi alvo de uma quadrilha que utilizava perfis falsos de mulheres estrangeiras e de profissionais de empresas e órgãos públicos para prometer investimentos e bens. O grupo obteve cerca de R$ 2 milhões em prejuízo da vítima.
Segundo o delegado Anderson Pedro Riedel, titular da Delegacia de Tupanciretã, seis dos 13 suspeitos foram presos, e aproximadamente R$ 80 mil em bens e valores foram bloqueados, que poderão ser destinados à vítima em caso de condenação. Durante as buscas, a Polícia apreendeu documentos, celulares, notebooks, cartões bancários e outros objetos relacionados ao esquema.
Orientações da Polícia Civil
A Polícia recomenda cautela ao manter contato com desconhecidos, especialmente em interações virtuais. Caso a pessoa seja vítima do golpe, é fundamental:
- Registrar imediatamente a ocorrência na delegacia mais próxima ou na Delegacia Online;
- Reunir todos os documentos possíveis, como e-mails, mensagens, comprovantes de pagamento, chaves Pix e registros em redes sociais;
- Fornecer os dados à Polícia para possibilitar investigação patrimonial, bloqueio de bens e eventual ressarcimento.





