IA ajudará polícia a analisar casos de violência contra mulher
Digitalização será adotada em todas as delegacias gaúchas na coleta e análise de dados das ocorrências

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul passa a utilizar, a partir de segunda-feira (11), uma ferramenta de inteligência artificial para qualificar o registro e a análise de ocorrências de violência contra a mulher. A digitalização será adotada em todas as delegacias do Estado.
A tecnologia será aplicada no Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), documento preenchido quando a vítima registra ocorrência em uma delegacia física ou pela Delegacia Online do Rio Grande do Sul (DOL). Na corporação, o formulário está disponível no módulo Ocorrência do Sistema de Polícia Judiciária (SPJ).
Nos atendimentos presenciais, o Fonar poderá continuar sendo preenchido diretamente no sistema pelos policiais ou de forma híbrida — em documento impresso respondido pela vítima e posteriormente digitalizado. Com a nova ferramenta, a inteligência artificial atuará na interpretação das respostas durante o processo de digitalização, estruturando os dados de forma automatizada.
Segundo a instituição, a medida permitirá armazenar as informações de maneira mais organizada e padronizada. Os dados irão compor estatísticas, relatórios e mapas que devem subsidiar decisões e políticas públicas nas esferas estadual e nacional, ampliando as ações da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul.
A iniciativa integra as estratégias do governo estadual para fortalecer o enfrentamento à violência doméstica e familiar, especialmente nos casos relacionados à Lei Maria da Penha. A expectativa é que a ferramenta auxilie na identificação de fatores de risco e na avaliação da gravidade das ocorrências.
Para a diretora da Divisão de Sistemas do Departamento de Tecnologia da Informação Policial (DTIP) e da DOL, delegada Viviane Pinto, o uso da IA representa um avanço estratégico. “A ferramenta traz mais proteção, prevenção e cuidado com as mulheres. A análise e a estruturação dos dados podem facilitar o atendimento e agilizar o encaminhamento ao Judiciário”, afirmou.
Instituído em 2020, o Fonar integra a Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. O formulário é composto por questões objetivas e subjetivas e deve ser aplicado preferencialmente no momento do registro da ocorrência. Após a coleta, passa a integrar inquéritos e procedimentos, subsidiando pedidos de Medidas Protetivas de Urgência e outras ações da rede de proteção.






