Hospital vira polêmica e vereador ataca o Ministério Público - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Leitura de relatório será retomada na próxima terça - Foto: reprodução

Hospital vira polêmica e vereador ataca o Ministério Público

Câmara realizou Sessão nesta terça para continuidade da leitura do relatório da CPI dos controladores de velocidade e hospital de campanha virou o assunto principal. Apesar de estar pronto para uso, mas sem pacientes, vereadores fazem questionamentos

Cachoeirinha – O hospital de campanha montado pela prefeitura de Cachoeirinha no Ginásio da Fátima se transformou em polêmica na Sessão da Câmara de Vereadores na noite desta terça-feira (29). Um grupo de seis vereadores oposicionistas foi até o ginásio e alegou que a entrada não foi permitida.

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“Foi dada a informação de que estava pronto, fomos lá verificar. O início das atividades, ou previsão, era para o início de abril. Na china, em 12 dias construíram um hospital com 25 mil leitos (Nota do editor: a China não construiu nenhum hospital com 25 mil leitos). Aqui seria de 10 dias. Estamos findando abril e temos informações que não está pronto. Tomara Deus que ninguém precisa usar aquele estrutura, mas precisamos ter a consciência que precisa estar pronto, mas não pode estar pronto fora dos prazos divulgados”, argumentou o vereador Rubens Otávio, agora filiado ao PSL, antigo partido do presidente Bolsonaro.

Rubens Otávio concedeu um aparte para a vereadora Jussara Caçapava: “O senhor afirma que foi ao local e diz que não conseguiu entrar. Como afirma que não está pronto?”, questionou a parlamentar, frisando que a estrutura já está apta para receber pacientes. Um debate se estabeleceu e o presidente da Câmara, Edison Cordeiro, interrompeu explicando que o Regimento Interno não permite.

O vereador Marco Barbosa também se manifestou argumentando que não se surpreendia com o ocorrido no ginásio: “Na cidade de Cachoeirinha estamos vivendo algo atípico, talvez pela inércia do Ministério Público de Cachoeirinha. Muitas denúncias que levamos são arquivadas, outras são colocadas em banho-maria, demoram para responder. Talvez por isso o prefeito está se achando no direito de passar por cima da Lei Orgânica”, enfatizou

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O presidente da Câmara leu o artigo 34 da Lei Orgânica: “É assegurado ao Vereador, sem prévio aviso, livre acesso, verificação e consulta a todos os documentos oficiais, em qualquer órgão do Município, da administração direta ou indireta ou de empresa de economia mista com a participação acionária majoritária da municipalidade, bem como livre acesso a todas as dependências de órgãos ou estabelecimentos Estaduais e Federais instalados no Município. Então, foi cometido uma coisa muito grave na ida dos senhores lá”, disse, concluindo a manifestação lendo o parágrafo único: “Quem de qualquer forma obstruir ou fraudar o livre exercício do direito assegurado neste artigo estará sujeito às sanções penais impostas aos crimes praticados contra a Administração Pública.”

Foto ilustrativa para mostrar como é uma UTI

Barbosa ainda citou uma foto publicada pelo site oreporter.net de uma UTI. Ela foi divulgada pela Prefeitura a título ilustrativo para mostrar aos leitores como era uma UTI e ela nunca afirmou que a estrutura mostrada na imagem estava montada no Ginásio da Fátima. O nome do arquivo, inclusive, é “modelo-uti-hospital-de-campanha.jpg”. Depois da polêmica, a foto no site da Prefeitura foi substituída.

Apesar disso, oposicionistas aproveitaram o episódio para criar um fato e aproveitar os desdobramentos em polêmicas nas redes sociais. O vereador Rubens Otávio insistiu que o veiculado não existia no hospital de campanha. Barbosa acrescentou que o grupo queria checar uma denúncia de que não havia UTI no ginásio.

A base governista reagiu com timidez aos ataques da oposição. O líder do Governo, Cristian Wassem, demostrou estar mais preocupado em não perder amizades dos colegas no Legislativo. “Eu não considero vocês como oposição. Eu tenho vocês como meus amigos. Podemos divergir, debater. É natural divergência.”

Ao tentar explicar o motivo pelo qual os oposicionistas foram barrados, não fez uma afirmação com convicção. “A informação que eu tenho é que o ambiente está higienizado, por isso, agora vocês podem dizer que não é, mas a informação que eu tenho é que está higienizado, por isso o impedimento da entrada. Bom, agora se não é, se não está, é outro problema.”

“Gostaria que os vereadores pensassem no bem-estar das pessoas”

O vereador Felisberto Xavier, agora no PSD, contou que na manhã desta terça, o secretário da Saúde, Dyego Matielo, havia pedido para que os parlamentares da base governista não fossem mais no hospital. “Para evitar uma situação contagiosa. Mesmo tendo esse direito (o de fiscalizar), é bom que saibam que nós podemos abrir mão pelo bem-estar das pessoas e profissionais. Fiscalização tem que ser feita? Sim, tem que ser feita sim, mas é importante que nós tenhamos a nossa contribuição com a sociedade nessa questão de chegarmos para entrarmos em um hospital que trata de uma questão tão grave. Esse é um direito que qualquer pessoas minimamente inteligente não vai usar nesse momento de pandemia. Gostaria que os vereadores pensassem no bem-estar das pessoas”, ponderou Xavier.

O oposicionista Ibaru Rodrigues, agora no PRB, criticou Xavier: “Essa pandemia está deixando a nossa Câmara um pouco entristecida. O vereador Xavier que chamou de burro. Disse que não sou uma pessoa minimamente inteligente porque eu fui lá fazer o meu trabalho. Sabe o que as pessoas estão dizendo na rua? Que essa cambada de safados parem de brigar entre si e que façam alguma coisa. Eu não vou ficar com picuinha. Faz um mês que nem rede social eu tenho. Eu estou anojado com a forma que esta acontecendo a política nesse município.” Segundo o vereador, guardas municipais tinham acesso na área que eles queriam entrar. “Algumas pessoas, a partir de uma certa porta, estavam com um tipo de polaina ou sapatilha para proteger o sapato. Poderiam ter cedido uma daquelas sapatilhas para nós.”

Já a vereadora Jacqueline Ritter, agora no Cidadania, comentou que o teto do ginásio deveria ter um forro acústico – esse tipo de material tem a função de evitar a propagação do som. “O telhado é de zinco. O sereno condensa e as camas ficam molhadas”, denunciou. Joaquim Fortunato explicou que a entrada no hospital é possível mediante um agendamento para que seja preparado o material a ser utilizado pelos vereadores.

Secretário foi barrado na Câmara

Fortunato revelou que o secretário de Governança e Gestão de Pessoas, Everton Ávila, foi impedido de entrar no prédio do Legislativo para acompanhar a Sessão. “Eu sei que a casa está fechada, mas gostaria de solicitar ao presidente que todas as Sessões tenham representante do Governo. O secretário esteve aqui hoje e foi vetada a presença dele. Acho fundamental para esclarecer algumas dúvidas da gente. Gostaria que o presidente visse essa questão.”

Relatório da CPI

Depois das manifestações dos vereadores e intervalo, foi retomada a leitura do relatório da CPI dos controladores de velocidade. Ela reiniciou na página 950 e são 1.147 páginas. O presidente do Legislativo não prorrogou a Sessão para acelerar a conclusão já que a CPI está barrando a análise de vários projetos do Executivo. Segundo ele, o Regimento Interno da Câmara define que a Sessão poderia ser prorrogada caso alguma matéria estivesse sendo discutida ou votada. “Como não é discussão ou votação, está encerrada a Sessão”, avisou. A leitura será retomada na próxima terça.

Ministério Público

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Ministério Público e aguarda posicionamento sobre as afirmações do vereador Marco Barbosa.

Atualizada 29/04/2020 – 12h41min

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