COVID

Hospital de Campanha de Cachoeirinha comemora um ano de vidas salvas

Cerimônia na tarde desta segunda-feira (26), em meio a altas e histórias de recuperação, marcou a passagem da data

Cachoeirinha – Quando foi aberto em abril do ano passado, nem o mais pessimista imaginava que Hospital de Campanha seria fundamental para salvar muitas vidas, ainda mais no período crítico da pandemia em março. Ele quase custou a reeleição do prefeito Miki Breier pelo uso político de oposicionistas durante a campanha eleitoral e na tarde desta segunda-feira (26) uma cerimônia marcou os 21.572 atendimentos em meio a altas e depoimentos de pacientes.

Antes mesmo da atividade inicia, a aposentada Doraci Oliveira Matos, 86 anos, deixava a estrutura montada no Ginásio da Fátima sob aplausos. Foram 15 dias de internação. “Quando eu trouxe ela, saí daqui chorando. Foi muito difícil”, recordou a filha, Rosângela, 54 anos. Os discursos iniciaram e quase uma hora depois uma parada para a segunda alta o dia. A vez foi da apontada Linda Sirlei de Oliveira, 74 anos. Ela chegou na última quinta-feira e estava retornando para casa, onde vai continuar o tratamento. “Ela estava muito fraca e agora podemos ver que melhorou muito”, comentou a neta, Danusia de Oliveira, 24 anos.

Já no microfone, três pessoas fizeram relatos dos momentos de sofrimento e medo da morte. Não só eles, como os demais que discursaram, elogiaram os profissionais de saúde. Alex Sandro dos Santos Alves, 47 anos, lembrou que foi muito difícil. “Passei um pavor. Eu chorava, ria, pensava na família. Eu vi que a cada perda o médico saia brabo enquanto enfermeiras e técnicas se abraçavam chorando. O que me manteve foi a equipe [de profissionais da saúde]. Eu quero imensamente agradecer toda a equipe pelo trabalho”, disse. Hoje, segue o tratamento para a pressão alta e uma doença renal.


O sargento (foto acima) da reserva da Brigada Militar, Emerson Nascimento da Cruz, 50 anos, ainda com muita dificuldade respiratória e que afeta a fala, recordou que ficou 32 dias internado. “Procurei tudo que foi hospital, até o da Brigada Militar. Ninguém quis me receber. Aqui eu fui muito bem atendido. O que fizeram por mim está acima da gratidão. Se eu tivesse ido para outro hospital, teria morrido”, salientou.

Ele destacou ainda que existem três tipos de profissionais. Os que apenas cumprem com suas funções, os que fazem isso mas estão ali pelo salário e os que se dedicam às pessoas com empatia.

A professora da rede municipal, Áurea Sá Teixeira, 49 anos, recordou que ficou três dias internada e contou dois momentos que passou. “Foram me levar para tomar banho e quando cheguei no vestiário minhas roupas estavam dobradas, a escova de dentes com a pasta e um pano no chão para eu colocar os pés. Tudo arrumado, como eu gosto.” O outro momento foi quando ela teve vontade de tomar um iogurte. Uma enfermeira já estava de saída, mas foi ver se ainda tinha. Como havia acabado, a profissional ofereceu o leite em pó que tinha levado para o trabalho. “Eu saciei minha vontade de tomar um leite”, recorda.

As duas passagens foram citadas por Áurea para destacar a atuação dos profissionais do HC. A professora não deixou de recordar que quando foi internada pensou no pior. Imaginou os pais tendo que contar para o neto que a vó havia virado uma estrelinha.

O esforço do Governo

O secretário municipal da Saúde, Juliano Paz, enfatizou que o governo Miki/Maurício fez um esforço muito grande para implantar e manter a estrutura diante das dificuldades financeiras da Prefeitura. “Enfrentar tudo o que foi enfrentado não é para qualquer um. Ter um hospital de campanha salvando vidas há quase um ano quase custou a história e trajetória do prefeito Miki. Entre colocar a sua eleição e risco e fazer o bem, não houve dúvida. Ouviu xingamentos, processos judiciais e políticos”, salientou, enfatizando que é “bom fazer o bem para quem tentou fazer o mal”.

Maurício relembra as medidas de austeridade

O vice-prefeito Maurício Medeiros acrescentou que a manutenção do HC em funcionamento só foi possível porque na administração passada foi possível colocar o caixa da prefeitura em ordem com medidas austeras que não agradaram muitas pessoas. “A gente chegou na estabilidade financeira e só por isso estamos aqui hoje falando de vidas salvas.” Ele não deixou de se referir a oposição. “Talvez tenha faltado na nossa oposição um pouquinho de dose de sabedoria e humildade”, disse, revelando que “teve gente que passou aqui [no HC] e continua falando mal”.

O prefeito Miki Breier pontuou que no início da pandemia muitas pessoas acharam que a prefeitura iria desperdiçar dinheiro com a montagem do hospital. “Mas nós achávamos que em algum momento ele seria necessário, como foi.”

O presidente da Câmara de Vereadores, Jussara Caçapava, se pronunciou depois dos relatos de pacientes. Ela elogiou e pediu uma salva de palmas para os profissionais que acompanhavam a cerimônia. Alguns não estavam no turno de trabalho, mas vieram acompanhar a atividade. “A fé é tudo e o amor constrói. Quanto tudo é feito com amor, dá certo”, disse.

Miki agradece a solidariedade

A solidariedade foi um dos pontos que Miki destacou. O HC recebeu, por exemplo, apoio do setor industrial com cinco respiradores e seis cápsulas respiratórias. O presidente do Centro das Indústrias de Cachoeirinha, Airton Venso, fez um agradecimento ao setor industrial pelo apoio dado na campanha Indústria Solidária. Para ele, foi um ato de coragem o prefeito Miki Breier tem mantido o hospital e foi necessário porque do contrário poderia ter sido trágico para a comunidade. Venso, além de reconhecer o empenho dos profissionais de saúde, acrescentou que “Cachoeirinha tem uma indústria solidária que participa quando a comunidade mais precisa”.

Homenagem ao diretor

O diretor do HC, Vanderlei Marcos, recebeu do vereador Bombeiro Batista, de Gravataí, uma homenagem aprovada pelo Legislativo. Ele já havia sido reconhecido pela Câmara de Cachoeirinha. Recebeu ainda uma homenagem da Prefeitura pelo trabalho realizado.

Fechamento do HC

O HC deverá ser fechado no próxima sexta-feira (30). Já no dia seguinte deverá a operação do Ambulatório Covid no antigo posto 24 horas. Ele deverá ter pelo menos oito leitos e no caso de pacientes precisarem ser intubados o procedimento poderá ser realizado e uma vaga em um hospital será buscada para a transferência. Os detalhes da operação serão divulgados no decorrer desta semana.

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