POLÍCIA

Homem é acusado de usar filha como isca para abusar de crianças no P. da Matriz

Caso sendo investigado pela 1ª Delegacia de Polícia depois que uma das vítimas revelou o que o homem havia feito com ela

Cachoeirinha – Um caso de abuso sexual contra crianças, que pela Legislação atual é considerado estupro, vinha ocorrendo há pelo menos cinco anos no Parque da Matriz e veio à tona há uma semana depois que uma menina de 13 anos resolveu revelar para os pais o que havia acontecido duas vezes. Na primeira, ela tinha 8 anos e na segunda, 11.

O acusado é um homem de 54 anos que trabalharia com a locação de equipamentos para recreação infantil e que usaria a própria filha, hoje com 13 anos, como isca para atrair visitas em sua casa. O delegado Anderson Spier representou pela prisão preventiva e ainda não há uma decisão judicial.

O homem teria sido agredido pelo pai de uma das vítimas e sua casa já teria sido alvo de apedrejamento. Ele deixou a cidade e prestou depoimento na 12ª Delegacia de Polícia em Porto Alegre, sendo liberado em seguida.

A advogada Tatiana Borsa está representando famílias de quatro adolescentes. Ela conta que os relatos das jovens são revoltantes. Uma delas chegou na casa da amiga para brincar e ele foi a chamou para ir conversar. Eles entraram no quarto e ele chaveou a porta e pediu para ela baixar as calças. Em seguida, introduziu o dedo. Outra contou que foi obrigada a segurar os órgãos genitais do homem e uma terceira revelou que ele havia passado a mão no corpo dela por baixo da roupa.

“É revoltante. É um pedófilo, estuprador. Tem que ser punido pela Justiça”, diz a advogada. Segundo ela, as jovens contaram suas histórias no Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), em Porto Alegre.

Segundo Tatiana, as jovens estão abaladas. “Elas não sabiam uma das outras. Agora, criaram um grupo de whats. Estão abaladas. Uma só chora. Tem casos que as meninas estão pedindo desculpa para os pais como se elas tivessem alguma culpa”, revela.

O Conselho Tutelar está acompanhando o caso. A conselheira Salete Trajano conta a menina que revelou o abuso foi encaminhada para o Hospital Presidente Getúlio Vargas para fazer exame no intuito de ser descoberto algum sinal do que havia acontecido, apesar de já fazer alguns anos. Ela também foi encaminhada para atendimento psicológico.

As outras meninas ainda não está sendo acompanhadas. Salete explica que o conselho está aguardando os endereços que o pai de uma das jovens ficou de passar. Já a filha do acusado, que também poderia ser vítima de abusos, não foi encontrada porque ele deixou a residência no Parque da Matriz. “A Justiça deverá encontrar ele e a partir daí poderemos saber se a filha também vinha sendo molestada”, afirma.

Uma das dificuldades encontradas neste caso é que muitos pais não querem fazer denúncia. O familiar de uma das vítimas revela que alguns entendem que tu não passou de uma brincadeira.

A advogada Tatiana Borsa acredita que as meninas levaram muito tempo para revelar os abusos porque não compreendiam o que acontecia. Agora, com a chegada da puberdade, passaram a entender o que o homem fazia. “Ele manipulava e chantageava elas. Dizia que era um segredinho deles e se falassem alguma coisa não poderiam mais ir brincar”, revela.

A falta de materialidade no caso, ou seja, provas concretas dos abusos, conforme a advogada, pode ser um complicador para a Justiça determinar a prisão preventiva. “Mas quem ouve os depoimentos delas não tem como duvidar do que aconteceu”, ressalta.

Colaborou nesta reportagem, Rodrigo Alves

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