Gravataí é alvo de megaoperação contra furtos de caminhões
Foram cumpridos 28 mandados de prisão preventiva e 54 mandados de busca e apreensão

A Polícia Civil, com apoio da Brigada Militar, deflagrou nesta quinta-feira (11) a Operação Truck Hunters, em diversas cidades do Rio Grande do Sul. A ação teve como alvo uma organização criminosa especializada no furto de caminhões, extorsão de motoristas e desmanche em larga escala.
Foram cumpridas 78 ordens judiciais, incluindo 28 mandados de prisão preventiva e 50 de busca e apreensão, resultando em 20 prisões. Também houve a apreensão de armas, drogas e de um caminhão. Os mandados foram executados em São Leopoldo, Novo Hamburgo, Viamão, Gravataí, Canoas, Guaíba, Porto Alegre, Capão da Canoa, Tramandaí, Portão, Alvorada, Sapucaia do Sul, Mariana Pimentel e Santa Maria.
Investigações
As apurações começaram em setembro de 2023, após denúncia que levou policiais militares a um galpão em Viamão, onde três homens foram flagrados desmontando um caminhão. Dias depois, outro ponto de atuação do grupo foi localizado em Gravataí. Durante a fuga, um dos criminosos deixou cair um celular, que forneceu novos elementos à investigação.
De acordo com a Polícia Civil, a quadrilha funcionava como uma “empresa do crime”, com estrutura hierárquica, divisão de funções e logística definida. A atuação do grupo incluiu mais de 50 ocorrências policiais, com furtos de dezenas de caminhões e extorsão de motoristas em várias cidades do Estado, entre fevereiro de 2023 e abril de 2024.
Estrutura do grupo
O comando era formado por quatro líderes. Um deles, apontado como o principal articulador, fabricava inclusive as chamadas “chaves-micha”, usadas para ligar os caminhões. Outro membro coordenava as ações de campo, enquanto um terceiro era responsável pelo planejamento dos furtos e pelas extorsões. O quarto integrante cuidava do setor financeiro, administrando pagamentos e lucros obtidos.
Além dos líderes, ao menos 15 executores atuavam diretamente nos furtos. A quadrilha também contava com rede de apoio, incluindo postos de combustíveis que informavam sobre caminhões carregados, além do aluguel de galpões usados para o desmanche.
As cargas mais visadas eram de ração animal, materiais de construção e eletrônicos. Os criminosos utilizavam técnicas de monitoramento, estudavam rotas de fuga e, após o furto, extorquiam valores que variavam entre R$ 5 mil e R$ 100 mil para a devolução dos veículos. Quando o “resgate” não era pago, os caminhões eram desmontados em menos de 12 horas.

As peças adulteradas eram redistribuídas por meio de uma empresa ligada a um dos investigados, com sede em Guaíba, alcançando diversas cidades gaúchas. Documentos falsos e veículos de apoio também eram utilizados na operação criminosa.
Impacto no setor
Segundo o delegado Gabriel Lourenço, da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (DRFC/Deic), a quadrilha representava risco constante ao setor de transportes do Estado.
— Esta organização criminosa tinha alto grau de sofisticação, causando prejuízos econômicos significativos e impondo forte pressão psicológica às vítimas. A investigação foi prioridade absoluta para a especializada — afirmou.





