Governo prepara projeto para dependência química e fecha a Reviver - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Reviver em Cachoeirinha - Foto: Arquivo

Governo prepara projeto para dependência química e fecha a Reviver

Clínica nunca contou com equipe técnica que a permitisse receber recursos federais

Cachoeirinha – A clínica Reviver, inaugurada em abril de 2011 pelo então prefeito Vicente Pires como sendo a primeira pública do Brasil para a recuperação de dependentes químicos, encerrou suas atividades provisoriamente. Foram 10 anos e oito meses funcionando fora dos parâmetros que a permitisse receber o aporte de recursos da União no financiamento de comunidades terapêuticas.

O fechamento não significa, conforme o secretário municipal da Saúde, Juliano Paz, que a cidade ficará sem atendimento para dependentes químicos e que o espaço se transformará, por exemplo, em um canil municipal ou apenas em um local para hospedagem de cavalos recolhidos das ruas, o que chegou a acontecer. “Falam muita coisa. A minha vontade pessoal é de reabrir a Reviver dentro do que ficar definido nesta reorganização que estamos fazendo”, frisa.

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A Reviver, que logo na sua inauguração ganhou repercussão nacional e até um programa em canal fechado de televisão, sempre foi sustentada com recursos livres do orçamento municipal e com doações sem nunca ter possuído uma equipe multidisciplinar para o atendimento dos internos. O secretário não disse isso, mas ela mais parecia a reunião de um grupo de amigos onde uns ajudavam os que queriam sair do mundo da drogadição. Deu certo para muitos casos, mas fora do padrão do SUS de outras clínicas espalhadas pelo Brasil, nunca será possível saber se os resultados não poderiam ter sido muito melhores.

“Vamos fazer uma reorganização. Por mais demanda que a Reviver tivesse, e não vinha tendo muita, a clínica nunca teve todos os critérios técnicos. O que precisamos na cidade é de uma política pública para o enfrentamento da dependência química e é nisso que estamos trabalhando”, afirma.

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O trabalho vai começar a ganhar mais força com a reativação do Conselho Municipal Antidrogas (Comad) previsto para o primeiro bimestre do ano que vem. É por ele que as discussões sobre a organização de um programa municipal vão ganhar corpo. O secretário explica que o atendimento dos dependentes químicos deve iniciar pelo Caps, ainda não credenciado junto ao Governo Federal. No Estado, já há a aprovação e falta o Governo Federal abrir as inscrições para Cachoeirinha se habilitar.

Esta habilitação exige uma equipe completa de profissionais e hoje isso está preenchido. No Caps, o dependente é encaminhado para um período de 15 dias de desintoxicação para depois, então, ser conduzido para uma fazenda para continuar o tratamento, caso queira, pois a pessoa não pode ser obrigada. Hoje, quem precisa desses 15 dias está ficando na UPA, mas uma clínica particular será contratada para esta finalidade, conforme Paz.

“Nós precisamos ter na cidade um método terapêutico dentro dos padrões do SUS e ter uma política pública. É nisso que estamos trabalhando”, ressalta. Antes de ser fechada, a Reviver estava com oito internos. No processo de transferência para uma clínica de Gravataí, com vagas viabilizadas pelo Estado, quatro desistiram. Os outros quatro visitaram a clínica na cidade vizinha junto com seus familiares e também com o secretário. Um deles acabou desistindo e os três que sobraram já estão seguindo o andamento iniciado em Cachoeirinha. “Eu acompanhei pessoalmente tudo”, enfatiza. Não está descartada a possibiliade de a Reviver ser terceirizada, o que, em tese, facilitaria o trabalhado da prefeitura para ter na estrutura uma equipe multidisciplinar.

O secretário preferiu não comentar que a Reviver não era tudo o que se dizia publicamente dela. Lá na área de 12 hectares com frente para a Frederico Ritter, não acontecia produções de fraldas para abastecer a rede de saúde e os hortigranjeiros colhidos não tinham um projeto bem estruturado para abastecer o restaurante popular e escolas, por exemplo. Nem mesmo a produção de pães, algo comum em comunidades terapêuticas, teve uma regularidade.

“Não vou entrar nesses detalhes porque politizar essa discussão não vai nos levar a lugar algum. A minha preocupação está em criar uma política pública dentro dos padrões do SUS para que possamos atender quem tem o desejo de deixar de ser usuário de drogas. É isso que estamos fazendo”, resume. A expectativa do secretário é que até meados do ano que vem o programa esteja todo estruturado.

Quem quer largar a dependência, faz o que?

Quem quiser deixar as drogas, conforme o secretário Juliano Paz, deve procurar atendimento em uma unidade do Caps. A pessoa vai ser encaminhada para um processo de desintoxicação de 15 dias e depois, caso queira, poderá ser internada para uma clínica conveniada com o Estado para o tratamento padrão de nove meses. “Já acertamos isso com o Estado e temos condições de atender com sobra a demanda que vínhamos tendo. Ninguém ficará sem atendimento”, assegura.

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