POLÍTICA

Governo Cristian começa a ser pressionado a reabrir a Clínica Reviver

Em janeiro completou um ano do fechamento realizado no governo Miki Breier/Maurício Medeiros

Cachoeirinha – Uma audiência pública realizada no plenarinho da Câmara de Vereadores de Cachoeirinha na noite desta segunda-feira (6), pela Comissão de Segurança Pública, Direitos Humanos, Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa e Proteção aos Idosos, às Crianças, aos Adolescentes e às Pessoas com Deficiência, debateu a importância da reabertura da Clínica Reviver. Ela foi fechada em janeiro do ano passado no governo do prefeito Miki Breier e do vice Maurício Medeiros.

Publicidade
Planeje suas conquistas com o Sicredi
Publicidade
Sogil, há 72 anos em novimento

Promovida pelo presidente da Comissão, Mano do Parque, a audiência não contou com a presença dos outros dois integrantes, que são da base governista. Jussara Caçapava apresentou atestado médico e Brinaldo Mesquita informou que não poderia ir. Logo na abertura, David Almansa, reforçou a necessidade de o Município possuir um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPs AD) como parte de uma política de enfrentamento à drogadição.

Publicidade

Já Jordan Protetor, que passou para a oposição, destacou que quando ocorreu o fechamento da Reviver a promessa era a mesma que ocorreu com a Clínica 4 Patas: reformulação. A clínica animal continua aberta depois da crise com o Governo, mas a Reviver, cuja criação ocorreu através de Lei Municipal que não está sendo respeitada, segue fechada. O parlamentar, que atua na causa animal, lembrou que usa o espaço para colocar cavalos resgatados e que havia conversado como secretário da Saúde na época, Juliano Paz, para ser desenvolvido um projeto com os internos envolvendo a causa animal. O parlamentar ainda disse que a área de 12 hectares, em uma zona valorizada da Frederico Ritter, pode até ser vendida pela prefeitura. “Não tenho provas, mas já ouvi isso”, disse.

Publicidade
Envie sua sugestão de reportagem

Pelo microfone, passaram diversas pessoas relatando a falta que tem feito a Clínica Reviver na cidade. Muitos comentaram que o governo passado argumentava que não havia demanda que justificasse a manutenção da estrutura. A secretária da Saúde, Bianca Breier, acompanhou a audiência e foi uma das últimas a falar.

Segundo ela, em agosto do ano passado foi criado o programa A Mente. Uma equipe da área da saúde mental vai nos postos de saúde acompanhar pacientes. Segundo ela, o governo passado, apesar de ter realizado concurso público, nunca havia chamado os psiquiatras. Hoje, cinco foram contratados e há atendimento todos os dias da semana no CAPs. Há também um na UPA 24 horas, onde pessoas chegavam a ficar internadas.

Bianda Breier – Foto: Reprodução

Conforme a secretária, nenhum paciente fica sem internação cujas vagas são disponibilizadas através da regulação do Estado em até 24 horas. Sobre o CAPs AD, ele será aberto. Bianca destacou que o serviço está sendo estruturado e vai funcionar no local do Caps II, no Bom Princípio. Este, vai ser transferido para um prédio alugado na Vila Márcia. Em nenhum momento a secretária se referiu a Clínica Reviver.

Logo depois da secretária, a integrante do Grupo Farol de Luz, Camila Spindler, usou o microfone para argumentar que um dependente químico, quando quer se internar, precisa ser para ontem. Não adianta, segundo ela, registrar alguma reclamação na Ouvidoria. Bianca Breier sugeriu que isso fosse feito por pessoas que encontram dificuldades em conseguir atendimento. “Eu fiquei muito feliz em saber que estão reestruturando a saúde mental, mas não ouvi nada sobre a Reviver”, disse Camila, arrancando aplausos das cerca de 70 pessoas que acompanhavam a audiência. O marido ela foi um dos últimos a ser recuperado na comunidade terapêutica, onde chegou a faltar até alimentação nos últimos dias. “O secretaria disse que era mentira que estava faltando e eu fui lá levar uma cesta básica.”

A Coordenadora Grupo Farol de Luz, Gisele Vargas, fez um longo relato apontando que hoje existe muita dificuldade para o tratamento de dependentes. O Grupo atende familiares e dependentes em recuperação em reuniões semanais. Gisele fez dura crítica aos serviços de saúde mental existentes hoje, salientando que no Caps, a maioria dos servidores, “querem se livrar da pessoa”, de quem é dependente e foi pedir ajudar. “Como é que o Caps vai dizer que existe demanda se quando a pessoa bate lá, eles batem a porta e sequer anotam o nome?”, questionou.

O presidente do Conselho Municipal Antidrogas (Comad), Bruno Nani, que se recuperou na Reviver, argumentou que a má política fechou a clínica. Ele não deixou de chamar a atenção dos conselheiros para que participem das reuniões. “Cachoeirinha já foi exemplo para o Brasil de recuperação de dependentes químicos, hoje estamos passando vergonha. Como não tem demanda? Nos disseram que não tínhamos demanda para fechar a clínica. Foram cruéis”, salientou.

Vicente Pires – Foto: Reprodução

O ex-prefeito Vicente Pires, que fundou a clínica em 2011, defendeu o diálogo com o novo prefeito para que não só a clínica seja reaberta. Para ele, é fundamental existir uma política pública para o enfrentamento das drogas com ações desde a prevenção até o tratamento. Ele não deixou de fazer uma crítica aos próprios dependentes em recuperação, como ele, que deixaram de se reunir.

Mano do Parque vai passar a ata da audiência para o presidente do Comad e adiantou que novas audiências deverão ser realizadas. Elas não possuem um poder de deliberar sobre os assuntos abordados, mas permitem que representantes da comunidade possam se manifestar e serem ouvidos pelo Poder Público.

Confira abaixo, na íntegra, como foi a audiência:

Botão Voltar ao topo