POLÍCIA

Golpe de R$ 37 milhões: operação prende empresário em Gravataí

A investigação segue para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a extensão da atuação do grupo criminoso

A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (13), a Operação Criptoabate, contra um grupo suspeito de integrar uma organização criminosa internacional especializada em golpes de falso investimento e lavagem de dinheiro. A ação é coordenada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) e ocorre no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo.

Ao todo, são cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Em Gravataí, um dos alvos foi preso durante a operação. O mandado foi cumprido no condomínio Alphaville contra o proprietário de uma empresa que, segundo as investigações, atuava como correspondente de instituições financeiras. A empresa tem sede em Porto Alegre e não teve o nome divulgado. O investigado possui antecedentes por estelionato, associação criminosa, receptação, uso de documento falso e furto qualificado.

Vítima perdeu R$ 37 milhões

As investigações tiveram como ponto de partida o caso de uma aposentada gaúcha que, entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, acreditou estar realizando investimentos em uma plataforma de criptomoedas. Durante aproximadamente seis meses, a vítima recebeu orientações por meio de grupos de WhatsApp. Um homem que se apresentava como “professor Miguel” dizia ser especialista no mercado financeiro e indicava aplicações que, segundo a plataforma, apresentavam rendimentos muito acima dos praticados no mercado.

No início, a vítima realizou aportes menores e chegou a visualizar supostos lucros e até realizar um saque. A estratégia, segundo a investigação, serviu para aumentar a confiança no sistema e fazer com que ela ampliasse gradualmente os valores investidos. Os aportes posteriormente chegaram a centenas de milhares de reais e, em determinado momento, a transferências superiores a R$ 2 milhões. Ao final, uma idosa, de 73 anos havia repassado aproximadamente R$ 37 milhões.

Como funcionava o golpe

O esquema utilizava uma modalidade conhecida internacionalmente como “pig butchering”, ou “abate de porcos”. Nesse tipo de fraude, os criminosos passam um período construindo uma relação de confiança com a vítima antes de induzi-la a realizar aportes cada vez maiores.

Os integrantes do grupo simulavam uma comunidade de investidores, com supostos alunos e clientes que apresentavam resultados positivos. A plataforma utilizada mostrava rendimentos fictícios, fazendo com que a vítima acreditasse que seu dinheiro estava se valorizando. Quando tentou retirar quantias maiores, a vítima teria sido informada de que precisava pagar supostas taxas e impostos para liberar o dinheiro. Os valores, porém, não estavam disponíveis para saque.

Investigação identificou 18 suspeitos

De acordo com a Polícia Civil, 18 pessoas foram identificadas como suspeitas de envolvimento no esquema. Dez são alvos de prisões preventivas e oito receberam medidas cautelares, que incluem restrições de contato, recolhimento domiciliar e suspensão de atividades econômicas e de operações bancárias, financeiras ou envolvendo criptoativos.

Entre os investigados estão empresários ligados ao setor financeiro, operadores de recursos, dois estrangeiros e uma gerente de instituição bancária. A investigação também apontou movimentações financeiras suspeitas superiores a R$ 30 bilhões em relatórios analisados pela polícia. A Polícia Civil afirma que o grupo possuía uma estrutura organizada para movimentar e ocultar os recursos obtidos por meio das fraudes.

Parte do dinheiro era transferida entre empresas e intermediários e posteriormente convertida em criptomoedas. A investigação segue para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a extensão da atuação do grupo criminoso.

Artigos relacionados

error: Não autorizamos cópia do nosso conteúdo. Se você gostou, pode compartilhar nas redes sociais.