COVID

Famílias assumem novas rotinas para enfrentar a pandemia

Mesmo a cidade estando na bandeira vermelha, flexibilização é mantida e população cria novos hábitos para poder trabalhar e continuar se protegendo

Cachoeirinha – Após o acordo de cogestão entre Cachoeirinha, Gravataí, Porto Alegre e Glorinha e a flexibilização que permitiu a abertura dos comércios, com algumas restrições, nessa semana a cidade voltou para a bandeira vermelha que classifica o risco de contágio como alto. No último levantamento, realizado na segunda-feira (07), Cachoeirinha contabilizava 2.340 casos de Covid-19 confirmados e 48 óbitos. Enquanto que o Estado já registra 3.756 mortes, num total de 143.952.

Mesmo com o processo de contágio ainda considerado alto, a forma de comportamento da população desde o início da quarentena até agora sofreu algumas mudanças. Para a cabeleireira Michelle Duarte, 42 anos, que há 20 atua no ramo, não foi fácil manter o salão fechado por três meses. “Como tudo parou em março, inclusive as aulas, e o medo de não sabermos direito o que estava acontecendo, optei por fechar. Foi um período bem difícil, onde me mantive apenas com o auxílio do Governo, mas pude aproveitar esse período em casa, com meus filhos e meu marido”.

A cabeleireira voltou a abrir o salão, localizado no Parque Brasília, com atendimento restrito há dois meses e administra o atendimento às clientes com os cuidados aos filhos Isaac, de 9 anos, e Samuel, 6. “A gente precisou se adaptar, pois meu marido estava desempregado no início da quarentena e voltou a trabalhar agora. Como foi permitido o retorno e eu não tenho com quem deixar as crianças, vou me virando do jeito que dá”.


Roger com a esposa Letícia e os filhos Théo e Lauren – Foto: Álbum Pessoal

O motorista Roger Weber, 34 anos, ficou parado por 45 dias em casa, no bairro Moradas do Bosque, no início da pandemia, com a esposa Letícia, 33, o filho Théo, 4, e Lauren, agora com seis meses. “A minha caçula tinha apenas 20 dias quando tudo começou. Tínhamos e ainda temos um medo enorme principalmente com relação às crianças. Minha mulher ficava sempre em casa, eu saía apenas para ir ao mercado”.

Ele conta que como trabalha com entregas de produtos comprados pela internet, não teve seu trabalho afetado. “No início até teve uma queda no trabalho, mas logo foi tudo retomado, pois as pessoas em casa continuaram fazendo muitas compras online. Fazem quatro meses que retornei à minha função”. Roger conta que mesmo com a flexibilização e a sua volta ao trabalho, os cuidados com a família continuam rígidos.”Permanecemos com os mesmos hábitos do início, lavamos todas as embalagens que trago do mercado, evitamos ao máximo de sair, pois acredito que só assim conseguimos nos proteger”.

Michele com o filho Lucas em atividade da escola antes da pandemia começar – Foto: Álbum Pessoal

Como trabalha para uma empresa da área da saúde, a secretária executiva Michele Thiesen, 41 anos, está trabalhando home office desde março. Ela conta que no início o medo era muito grande em relação ao Covid-19, mas com o passar dos meses e aplicação de regras e cuidados, passou a relaxar mais. “Estava tão assutada que, mesmo antes de a escola do meu filho parar as atividades eu já não estava mais levando ele para aula”.

Depois de passado o choque inicial da pandemia e de ficar encerrada em casa por dois meses, Michele começou a se permitir circular um pouco mais e acredita que os comércios estão cumprindo com as normas. “Creio que a dificuldade maior está em algumas pessoas que ainda não entendem algumas regras. É comum ver pessoas amontoadas nas filas do supermercado, sem manter a distância indicada.

Nos poucos lugares que tenho frequentado, nos últimos dois meses, vejo a disponibilidade do álcool gel, o cuidado com a higiene do lugar e onde as pessoas tocam. Estamos reaprendendo a viver em sociedade para nos proteger”. Mas quando o assunto é o filho Lucas, de 5 anos, a mãe é mais rígida. “Mesmo que haja o retorno das aulas presenciais, eu já decidi que meu filho não estuda mais esse ano. Não vale à pena o risco”.

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