FAKE NEWS do MBL: dinheiro de multa não sumiu na Prefeitura - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Fake news no Facebook com checagem de oreporter.net

FAKE NEWS do MBL: dinheiro de multa não sumiu na Prefeitura

MBL Cachoeirinha fez postagem distorcendo o caso e dando a entender que recursos públicos teriam desaparecido

Cachoeirinha – Os R$ 4 milhões de uma multa aplicada pela Prefeitura sobre a construtora Brasília Guaíba não sumiram como dá a entender o MBL Cachoeirinha, cujas lideranças são filiadas ao PSL, que terá candidato a prefeito, em uma postagem em uma página no Facebook. Nela, em uma arte, consta a seguinte frase: “4 milhões de multa aplicada pela Prefeitura de Cachoeirinha sobre a empresa Brasília Guaíba simplesmente sumiram. Cadê o dinheiro??”

Bem ao contrário do que o leitor pode imaginar, ninguém pegou o dinheiro para si. O site oreporter.net estreia neste sábado (11) um monitoramento sobre o que é publicado em redes sociais para esclarecer o leitor sobre o que é verdade, o que é mentira e o que está distorcido. Leitores interessados em tirar dúvidas, podem enviar seu questionamento para o e-mail redacao@oreporter.net ou para o whatsapp 51 9 84897155, anexando uma printer e o link da postagem.

Explicando o caso da multa: Ela foi aplicada pela Prefeitura no final de 2018 depois de ser expedida mais um notificação contra a empresa Brasília Guaíba, responsável pelas obras do PAC 2 Mobilidade – Grandes Cidades, prevendo calçadas, ciclovias e pavimentação de ruas. Entre as obras está a construção do prolongamento da Fernando Ferrari.

A empresa, segundo o vice-prefeito Maurício Medeiros já disse ao site oreporter.net, apresentou sua contestação, porém em um setor da Prefeitura diferente do que deveria. Depois que recebeu a multa, a empresa fez o alerta e o prefeito Miki Breier cancelou a multa com uma publicação no Diário Oficial do Município. Maurício Medeiros explicou que a multa, embora tecnicamente cancelada, está suspensa até que seja julgada a defesa da empresa. O processo já completou um ano e o prefeito já disse em entrevista que a análise de documentos, pela complexidade, é demorada. Medeiros acrescentou que acha difícil a empresa se livrar de ser multada. Não há um prazo para o julgamento definitivo da contestação da empresa à notificação que deu origem a multa.

Na Tribuna da Câmara de Vereadores, Edison Cordeiro, que agora é o presidente do Legislativo, foi o último a se manifestar sobre ela. Mostrou documentos apontando que ela está cancelada e não suspensa. Ele não concorda com o cancelamento e disse durante uma Sessão, cujo vídeo está disponível na página da Câmara no Facebook, que só vai aceitar a não cobrança depois que for convencido que não há nada errado em ela não ser exigida.

O caso da multa é apenas um dos pontos polêmicos na tentativa que a Prefeitura está fazendo para pagar com um terreno de 70 hectares uma dívida existente com a Brasília Guaíba pela não atualização do contrato no Governo passado. A dívida gira ao redor de R$ 8 milhões e para Cordeiro a Prefeitura deveria pagar apenas R$ 4 milhões já que o valor da multa deveria ser descontado. O projeto para fazer a chamada dação em pagamento está tramitando na Câmara de Vereadores, pois a Prefeitura só poderá fazer o acordo extrajudicial com autorização do Legislativo.

Então, nenhum dinheiro sumiu como afirma o MBL Cachoeirinha, dando a entender que alguém desviou recursos públicos.

O que são fake news?

A tradução para o português quer dizer “notícias falsas”. São publicações falsas, imprecisas ou distorcidas, feitas geralmente na internet, com o objetivo de atingir uma pessoa, grupo ou organização. Elas foram muitos comuns nas últimas campanhas eleitorais e tiveram por objetivo denegrir a imagem de políticos. Segundo especialistas no tema, o compartilhamento deste tipo de conteúdo é feito, em geral, por pessoas com baixa escolaridade e por quem não tem a preocupação de checar informações antes de concordar e disseminar o conteúdo fake.

Na Câmara dos Deputados o tema vem sendo debatido na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Um dos especialistas ouvidos pela comissão, o diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC/Rio, Leonel Azevedo Aguiar, definiu as fake news como uma série de crimes disseminados pela internet que não podem ser confundidos com o jornalismo informativo e sua contribuição à democracia.

Já o doutor em direito constitucional, Diogo Rais Rodrigues Moreira, classificou as notícias falsas como “mentiras com estética da verdade”, e, diante da forma fragmentada e confusa com que se apresentam, é necessária por parte da sociedade uma abordagem multifacetada de prevenção, educação e repressão. Ele associa o uso de informações falsas a um cerceamento da liberdade das pessoas, pois as levam a tomar decisões erradas.

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