EXCLUSIVO: Maurício Medeiros quer união e foco na população - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
O decreto foi assinado pelo prefeito em exercício Mauricio Medeiros - Fotos: Roque Lopes/oreporter.net

EXCLUSIVO: Maurício Medeiros quer união e foco na população

Vice assumiu a prefeitura na última quinta-feira depois do afastamento de Miki Breier

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Cachoeirinha – O prefeito interino, Maurício Medeiros, quer união entre Executivo e Legislativo, independentemente de cores partidárias, com foco na busca de soluções para problemas que a população vem sofrendo em consequência da suspensão de serviços essenciais decididos pela Justiça em investigações desencadeada pelo Ministério Público. O prefeito Miki Breier foi afastado do cargo na última quinta-feira (30) por 180 dias, além de outros agentes políticos e servidores, acusado de estar envolvido em esquema de corrupção.

Os alvos do Ministério Público, nas operações Proximidade e Ousadia, são os contratos das empresas SKM Empreendimentos, que fazia a capina e varrição de ruas, entre outros serviços, a Urban, que era a responsável pela coleta de lixo manual e coleta seletiva, e a Eppo, da coleta mecanizada. A cidade está desde junho, quando foi realizada a primeira operação, a Proximidade, sem capina, varrição e limpeza de praças. Já a coleta de lixo deixou de ser realizada na última sexta-feira (1).

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A operação da semana passada, a Ousadia, ainda interrompeu o processo licitatório para a contratação de uma empresa para fazer a manutenção da malha viária, ou seja, tapar buracos, entre outros serviços. As propostas financeiras seriam abertas nesta terça-feira (5), mas todos os envelopes foram levados no cumprimento de mandado de busca e apreensão.

Nesta terça pela manhã, no gabinete do prefeito, e ao lado da diretora de comunicação, Gisele Ortolan, Maurício Medeiros recebeu a reportagem e concedeu a seguinte entrevista:

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Como o senhor recebeu a informação de que o prefeito Miki Breier estava afastado da prefeitura por decisão judicial?

  • Recebi com surpresa. A gente já sabia que tinha uma investigação em andamento e agora aconteceu o aprofundamento envolvendo outras duas empresas. Eu conheço o Miki há muito tempo e estamos aqui juntos na prefeitura. Pela história de vida dele, é difícil acreditar nisso tudo. Então, vamos esperar as conclusões das investigações. Temos que ter cautela e aguardar antes de fazermos qualquer comentário crucificando ou absolvendo.

É possível que Miki não soubesse da existência de um esquema envolvendo CCs, e até mesmo alguns servidores, para a arrecadação e partilha de propina?

  • Não tenho como falar sobre esse assunto porque eu não sei. Isso, a Justiça vai esclarecer. Por enquanto temos apenas suposições e são necessárias provas. Temos que aguardar o desfecho das investigações.

O senhor já teve acesso ao processo, procurou a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça ou o Ministério Público?

  • Nós vamos ter uma reunião amanhã (quarta-feira) na 4ª Câmara Criminal. O objetivo vai ser o de buscar orientações sobre como agir a partir de agora, porque temos vários serviços essenciais suspensos. Também precisamos esclarecer algumas coisas. Eu, por exemplo, exonerei todos os CCs citados nas operações. O Charão [secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Leonardo Charão] estava recebendo salário porque orientaram que o afastamento era com remuneração. Já nesta operação me colocaram em um brete. Eles não podem demitir, só afastar, mas dizem que o prefeito sou eu e que a decisão é minha. Como são cargos de livre nomeação, decidi exonerar todos.

Um dia depois da operação, o senhor se reuniu a portas fechadas com todos os vereadores. Somente o Gilson Stuart e o Cristian Wassem, que estavam em viagem, não participaram. O que foi tratado?

  • Fiz um chamamento para todos os vereadores estarem conosco, oposição e situação. É um momento delicado para o Município e a gente tem que olhar para a população que está precisando de nós. Não tem mais tratamento diferenciado para situação e oposição. A cidade tem que se unir. Isso não afeta só a prefeitura. Afeta a cidade toda.

O senhor já está tomando várias decisões e terá muitas outras pela frente. Quando decide, pensa em como Miki resolveria determinadas questões?

  • Não. São decisões do prefeito interino, até porque não tenho conversado com o Miki. Nem sei se pode, mas se eu conversar com ele posso atrapalhar ele mais ainda. Eu respeito a história do prefeito. Eu estou em uma situação de interinidade e vou tomar as decisões em conjunto com o secretariado.

Na operação da última quinta-feira (30), os agentes também levaram os envelopes com as propostas de preços da licitação que estava em andamento para a contratação de empresa para a manutenção da malha viária, entre outros serviços. E agora, como resolver isso?

  • A licitação estava em andamento e a primeira fase, da documentação, foi homologada pelo prefeito Miki. Na quinta, levaram os envelopes com as propostas financeiras e nos disseram que uma empresa que está na concorrência não poderia participar porque está sendo investigada, mas a gente nem sabia disso. Agora precisamos ver como resolver. A nossa sugestão é que eles retirem esse envelope e nos devolvam os demais para darmos prosseguimento.

O senhor fez a requisição dos containers da Eppo, a empresa responsável pela coleta do lixo mecanizada. Mas como vai fazer a coleta sem caminhões e pessoal?

  • Isso está uma novela que precisa terminar rápido. A gente chamou a segunda colocada quando houve a contratação emergencial. Ela aceitou e depois parece que desistiu, mas voltou atrás. Esperamos resolver isso o mais breve possível porque estamos recolhendo os excessos. Ontem a situação na cidade estava tolerável, mas agora vai começar a virar um caos. Precisamos da compreensão da comunidade porque estamos empenhados em termos uma solução o mais rápido possível.

Os contratos da varrição de ruas, capina e limpeza de praças e ainda da coleta seletiva, manual e mecanizada do lixo estão suspensos por 180 dias. O da SKM termina em novembro. Dois dos contratos são emergenciais. O senhor vai fazer novos contratos emergenciais? E quando terminar a suspensão dos contratos, vamos ter duas empresas em cada área? Isso não parece confuso? Como resolver?

  • Vamos abrir licitação para tudo. A orientação da 4ª Câmara Criminal é para que sejam feitas novas licitações e se lá na frente der problema a gente vai buscar uma solução. O que não podemos é deixar a população sem esses serviços.

O senhor defende licitação e é contra contrato emergencial. Porque, então, o seu governo vinha contratando empresas com dispensa de licitação?

  • Todo o processo de contratação de empresas deve ser por licitação. Isso é regra. Apesar disso, nem sempre é possível. Se abrimos uma licitação para um serviço essencial e uma empresa entra na Justiça, temos que fazer um contrato emergencial porque a população não pode ficar aguardando a decisão judicial. Então, contrato emergencial deve ser feito apenas em último caso.

Temos pelo menos dois projetos polêmicos tramitando no Legislativo. Um deles é o da autorização para a prefeitura buscar R$ 80 milhões em financiamentos. O outro é o da Reforma da Previdência. Como o senhor vai tratar esses dois assuntos.

  • Eu não vejo polêmica nos financiamentos. Nós precisamos de recursos para desenvolvermos a cidade. A gente precisa da aprovação deste projeto e ele não vai ser retirado da pauta. Os vereadores estão se apegando a um detalhe: a destinação dos financiamentos está apenas na explicação do projeto e não no texto da lei. Isso significa que podemos abrir uma discussão, depois da aprovação, para avaliar se não seria melhor investir recursos em outras obras que não sejam as apontadas na explicação. Sobre a Reforma da Previdência, temos um prazo até o final do ano. Eu defini, na reunião com os vereadores na sexta, a criação de uma comissão para avaliarmos se algo pode mudar. Se qualquer mudança proposta não for inconstitucional, não tem problema algum alterar o projeto.

O prefeito Miki Breier teria que assinar a renovação do contrato do transporte coletivo, que venceu na segunda-feira (4). O que o senhor decidiu?

  • Nós renovamos o contrato por mais 10 anos e ele pode ser rescindido a qualquer momento se a empresa não cumprir como que ficou definido. A passagem vai baixar. O auxílio emergencial que estamos dando vai até dezembro por causa da pandemia. Depois, não tem mais. O contrato prevê vários pontos que estão sendo finalizados para haver a publicação no Diário Oficial [Ele foi publicado no Diário Oficial depois da entrevista]. Vamos enviar para a Câmara o projeto de isenção de ISSQN para baixar a tarifa e um projeto não permitindo mais isenções para quem tem entre 60 e 65 anos. Quem já tem a gratuidade, vai continuar tento, mas novos não vão entrar. Os ônibus também terão GPS e o passageiro terá um aplicativo. Todos os detalhes sobre o contrato deverão ser publicados até amanhã (quarta).

Vice não participa do dia a dia da administração. Como o senhor vai tomar ciência de tudo que está sendo feito e definir um rumo para esse período em que permanecerá no cargo?

  • Eu pedi aos secretários que me apresentem até a próxima sexta-feira relatórios sobre tudo o que está acontecendo para poder fazer uma avaliação. Preciso tomar pé da situação. A gente não pode agir sem conhecer. Nesse momento conturbado tudo parou e a cidade precisa continuar andando.

O que dizer para a população neste momento tão conturbado?

  • Estamos de mãos amarradas e em breve vamos resolver tudo. Precisamos que a população nos dê crédito.

Atualizada – 05/10/2021 – 20h04min

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