Evento reúne rede de atendimento as vítimas de violência em Gravataí
A atividade integra uma série de outras ações que serão realizadas ao longo do mês alusivo ao Agosto Lilás e à 24ª Semana da Justiça pela Paz em Casa
Um público predominantemente feminino e atento lotou nesta sexta-feira (4), o Salão do Júri da Comarca de Gravataí para falar sobre violência contra a mulher. A atividade integra uma série de outras ações que serão realizadas ao longo do mês alusivo ao Agosto Lilás e à 24ª Semana da Justiça pela Paz em Casa
Instalado em março deste ano, o Juizado da Violência Doméstica e Familiar de Gravataí já deferiu 527 pedidos de Medidas Protetivas de Urgência, uma média de quase 4 pedidos por dia. Em 2023, já foram distribuídos 11 processos de feminicídios. Em breve, a Comarca contará com grupo reflexivo de gênero (formado por homens que cometeram agressão) e adotará o uso de monitoramento eletrônico (tornozeleira) para agressores.
Mitos e a cultura da violência

Na abertura, a Juíza Diretora do Foro local, Mariana Aguirres Fachel, deu as boas-vindas aos presentes e destacou a atuação da Rede Lilás na Comarca, que reúne os municípios de Gravataí e Glorinha. “A Rede Lilás de Gravataí é modelo. Eficiente, funciona muito bem e busca se aprimorar. Que consigamos trazer também os homens para participar. Combate a violência doméstica não é assunto de mulher. É assunto da sociedade como um todo”, afirmou a magistrada.
Titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca, a Juíza de Direito Samyra Remzetti Bernardi fez uma reflexão sobre mitos e situações do dia a dia que ajudam a manter arraigada a cultura da violência contra a mulher na sociedade. Ela reproduziu um trecho da música “Como eu quero”, do compositor e cantor Leoni, que, apesar de muitos pensarem que se trata de uma música romântica, fala de um relacionamento à base de manipulações.
“Eu trouxe esta música para refletir sobre esta perspectiva de enxergar a violência como um carinho – e não é. Isso demonstra a necessidade de mudar várias coisas na nossa sociedade”, afirmou Samyra, citando a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que tornou inconstitucional a tese da legítima defesa da honra.
Rede Lilás

A Promotora de Justiça Janine Rosi Faleiro falou às mulheres presentes sobre o trabalho realizado pelo Ministério Público que, além do papel de acusador, também tem um viés de acolhimento. A Promotora lembrou que, em muitos casos, as vítimas desistem de levar adiante a denúncia contra seus agressores. “Ela, muitas vezes, sofre a pressão da família, às vezes, até ameaças. E acaba dizendo que nada disso aconteceu. Precisamos lutar diariamente para que este ciclo de violência deixe de acontecer”.
A titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Gravataí, Delegada Fernanda Generali, revelou que a Polícia Civil gaúcha conta hoje com 21 unidades voltadas ao atendimento da mulher vítima de violência. E que, nos locais onde elas ainda não chegaram, há as Salas das Margaridas, reservadas a esse atendimento especializado. “Não importa quantas vezes a vítima bate nas nossas portas. Ela sempre vai ter o mesmo acolhimento. Cabe a nós auxiliar para que ela consiga quebrar o ciclo da violência”.
Porta de entrada para receber, orientar e prestar atendimento psicológico às vítimas, a Casa Lilás funciona em Gravataí desde 2007 e já atendeu mais de 5,8 mil mulheres atendidas. A Coordenadora do local, Analu de Jesus Sônego, ressaltou o fortalecimento do trabalho em rede. “Estamos sempre em busca de parcerias para que possamos qualificar esta mulher, para que ela possa ter escolhas. Ela precisa de uma profissão, de curso profissionalizante, se empoderar, acreditar”, destacou a Psicóloga, que está à frente da casa desde 2015.
Os soldados da Brigada Militar Janaína Sant Ana Bohn e Marcos Vinicius Lermen atuam na Patrulha Maria da Penha, prestando atendimento às vítimas. A Patrulha foi criada no RS em 2012 e hoje está presente em 114 municípios gaúchos. Um dos trabalhos realizados pelos militares é o acompanhamento do cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência. “Fazemos duas visitas mensais, mesmo que a vítima não tenha nos chamado”, explica a Soldado Janaína. “Fazemos um acolhimento inicial, conversamos com ela sobre a rotina, fornecemos contato para que ela possa se sentir tranquila para conversar conosco”, acrescentou o Soldado Marcos.
Terapia alternativa

Em um segundo momento das atividades, terapeutas ministraram reiki, aromaterapia, auriculoterapia e cromoterapia, que integram o rol de Práticas Integrativas e Complementares (PICS). Antes, o grupo participou de uma meditação coletiva.
Estiveram presentes ao evento a Primeira-Dama do Município de Gravataí, Marlene Zaffalon, Secretário da Cidadania e Desenvolvimento Social de Glorinha, Argeu Antônio Becker, Juíza de Direito Valéria Eugênia Neves Willhelm, Defensora Pública Juliana Vieira Mariani, Vereadora de Gravataí Anna Beatriz da Silva, Tenente-Coronel Clodemilton Silva Bueno (Comandante do 17º BPM), Coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social de Glorinha, Aniela Bednarck, Assessora do Gabinete da Prefeitura de Gravataí, Thais Marcelino e o Gestor do Cartório do JVDFCM de Gravataí, Dalton Piegas Simoni.
Próximo evento
No próximo dia 14 de agosto, às 14h, será realizada uma mobilização na Praça Ambiental do bairro Morada do Vale I, com a divulgação dos serviços da Rede Lilás, Ônibus Lilás, Biblioteca Móvel do SESC, entre outras atividades.
Se você é vítima de violência doméstica ou conhece alguém que esteja sofrendo essa situação, denuncie! Conheça os principais canais de atendimento:
180 – Central de Atendimento à Mulher
190 – Brigada Militar
(51) 3945-2712 – Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher



