CACHOEIRINHA

Estudo aponta excesso de sinaleiras e quatro gargalos no trânsito de Cachoeirinha

Plano de Mobilidade Urbana de Cachoeirinha está na terceira etapa e na próxima serão apresentadas propostas para solucionar os problemas

Cachoeirinha – O grande número de semáforos e de paradas de ônibus ao longo da Avenida Flores da Cunha, principal corredor viário de Cachoeirinha, aliado à existência de quatro grandes pontos de conflito no trânsito, está entre os principais problemas identificados no diagnóstico preliminar do Plano de Mobilidade Urbana do município. Os dados foram apresentados durante audiência pública realizada na última quarta-feira (17), na Câmara de Vereadores, quando a Prefeitura divulgou os resultados da terceira etapa do estudo elaborado pela empresa Líder Engenharia e Gestão de Cidades.

Segundo a equipe técnica, a quantidade de sinaleiras e pontos de parada reduz a velocidade de circulação da avenida, que possui limite de 60 km/h e foi concebida como uma via de trânsito rápido. Outro problema apontado é a utilização irregular das calçadas por lojas de veículos para exposição de automóveis, prejudicando a circulação de pedestres.

O levantamento também identificou quatro grandes gargalos viários que deverão receber atenção nas próximas fases do plano:

  • Rua Espírito Santo x Avenida Estados Unidos, onde foram constatados estacionamento irregular sobre calçadas, problemas de acessibilidade, quebra-molas fora dos padrões do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), ausência de semáforo e infraestrutura inadequada para pedestres.
  • Rotatória da Avenida Marechal Rondon, no encontro com as avenidas José Brambila e Deputado Manoel Gonçalves Júnior e as ruas Espírito Santo e São Salvador, considerada uma interseção de elevada complexidade, com congestionamentos frequentes, sinalização deficiente, pavimento deteriorado e conflitos causados por interrupções no canteiro central.
  • Avenida Frederico Augusto Ritter x Estrada dos Capistranos, onde o intenso tráfego de caminhões, calçadas precárias, sinalização insuficiente e motoristas que utilizam um posto de combustíveis para desviar do semáforo aumentam os riscos de acidentes.
  • Avenida Obedy Cândido Vieira x Avenida Frederico Augusto Ritter, trecho marcado pela circulação intensa de veículos de carga, deficiência na sinalização, ciclovia fora dos padrões técnicos, problemas nas calçadas e uso irregular do estacionamento de um supermercado para evitar o semáforo.

Diagnóstico entra na terceira etapa

A audiência pública marcou a conclusão da terceira das cinco etapas previstas para a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana. Conforme explicou a arquiteta e urbanista Jade Borges, representante da empresa responsável pelo trabalho, o cronograma compreende:


  • 1ª etapa: pré-diagnóstico e elaboração do plano de trabalho;
  • 2ª etapa: levantamentos técnicos, pesquisas de campo e instrumentalização das análises;
  • 3ª etapa: diagnóstico e prognóstico, apresentada agora à população;
  • 4ª etapa: elaboração das propostas preliminares para solucionar os problemas identificados;
  • 5ª etapa: conclusão do Plano de Mobilidade Urbana e elaboração da minuta do projeto de lei que será encaminhada à Câmara de Vereadores.

O diagnóstico apresentado é resultado de aproximadamente seis meses de trabalho e reúne mais de 600 páginas de mapas, levantamentos e análises sobre a mobilidade do município.

Pesquisas ouviram moradores e analisaram a infraestrutura

Durante a segunda etapa, foram realizados levantamentos sobre o sistema viário, transporte coletivo, transporte de cargas, caminhabilidade, uso de bicicletas, acessibilidade, contagens volumétricas e pesquisa de origem e destino.

Nesta última, foram aplicados 208 questionários, abrangendo 455 moradores, para identificar os principais padrões de deslocamento da população. O automóvel apareceu como o meio de transporte mais utilizado (34,96%), seguido pelo transporte coletivo (25,92%), deslocamentos a pé (16,63%), motocicleta (6,36%) e bicicleta (4,89%).

Também foram avaliados 142 trechos da malha viária, distribuídos em quatro quadrantes da cidade. Entre os problemas encontrados estão faixas de pedestres desgastadas, ausência de travessias em alguns cruzamentos, quebra-molas fora das normas do Contran, pavimentação em más condições e estacionamento irregular sobre calçadas.

Calçadas e segurança preocupam pedestres

A pesquisa específica com pedestres revelou insatisfação significativa com a infraestrutura destinada à circulação a pé. Dos 161 entrevistados, 85,09% consideram as calçadas desconfortáveis, 75,78% afirmam não se sentir seguros para caminhar durante o dia e 96,89% relatam insegurança no período noturno. A iluminação pública também foi considerada inadequada por 58,39% dos participantes.

Embora quase metade das calçadas analisadas tenha sido classificada em bom estado de conservação, o estudo aponta que ainda existem trechos em condições ruins ou péssimas, além de problemas de acessibilidade e ocupação irregular por veículos.

Cidade ainda carece de estrutura para ciclistas

O diagnóstico concluiu que Cachoeirinha ainda não possui uma rede cicloviária estruturada, apesar da demanda existente. Na pesquisa com 202 ciclistas, 44,55% disseram sentir insegurança ao pedalar por precisarem dividir espaço com veículos, enquanto 93,07% afirmaram não se sentir seguros para utilizar a bicicleta à noite. Entre as principais sugestões apresentadas estão a implantação de ciclovias e ciclofaixas, melhoria da iluminação pública e campanhas de conscientização voltadas tanto a motoristas quanto a ciclistas.

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