ENTREVISTA: pré-candidato bolsonarista à prefeitura abre o jogo - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Neri (E) e o pré-candidato a prefeito João Paulo Martins - Foto: Roque Lopes/oreporter.net

ENTREVISTA: pré-candidato bolsonarista à prefeitura abre o jogo

O delegado aposentado João Paulo Martins é o pré-candidato a prefeito pelo PSL em Cachoeirinha

Cachoeirinha – O bolsonarismo terá representante nas eleições municipal do ano que vem em Cachoeirinha. Morador de Cachoeirinha desde 1993, o delegado aposentado João Paulo Martins, 63 anos, casado e pai de uma filha com 15 anos, foi o nome escolhido pelo PSL. Neste terça-feira (5), acompanhado do presidente do partido, Neri Crispim, irmão do deputado federal Nereu Crispim, entre outros bolsonaristas, acompanhou a Sessão da Câmara de Vereadores. No intervalo, ele concedeu a seguinte entrevista ao oreporter.net:

Como aconteceu a definição da sua pré-candidatura e a escolha do PSL?

Houve algumas alternativas e eu tive que analisar em termos de ideologia, viabilidade e estrutura. Consequentemente foi em cima disso que a decisão se deu. Esse é um momento em que nós temos um movimento no Brasil capitaneado pelo presidente Bolsonaro e o PSL se apresentou como a melhor alternativa.

A sua pré-candidatura traz um nome novo para o cenário político local dentro de um contexto do Bolsonarismo. Isso lhe traz alguma vantagem?

Eu até acredito que sim. A gente percebe que as pessoas estão querendo alternativas. Eu não estou nisso por ser novo no contexto político, mas sim por uma convicção pessoal que cheguei. Já expressei isso, está lá no meu Face, que nos situamos numa condição de ter que fazer alguma coisa. Eu acho que todo o cidadão tem o dever de fazer alguma coisa, de colocar o meu nome à disposição e por isso eu vou me apresentar na campanha como uma alternativa para a sociedade. Se o povo entender que eu mereço essa condição, que eu tenho condições de fazer uma boa gestão, o que eu vou fazer é procurar não decepcioná-los.

O senhor tem dito em algumas manifestações que não é político, mas no Governo Vicente Pires, de 2014 a 2017, foi CC exercendo o cargo de secretário de Segurança. Isto não é ser político?

Não sou político de ter vinculação partidária. O homem é um animal político, isso todos sabemos, mas o fato de eu ter exercido um cargo no governo do Vicente Pires não seu deu por alguma habilidade política que eu tivesse. Ele me convidou na cota pessoal dele e em nenhum momento me fez um contive para assinar ficha no partido. Fiquei isento disso, mas eu sempre entendi que quem está no time tem que jogar.

O senhor já integrou um Governo do PSB e agora se apresenta num campo oposto figurando como alternativa para o eleitor em um partido de direita. Não há uma contradição nisso?

Não vejo nenhuma contradição. O que é o PSB? O PSB está hoje no Governo do Município, está no Governo do Estado, através do próprio (José) Stédile (secretário de Obras e Habitação do Governo Eduardo Leite), e está no Governo Federal (Nota do editor: o PSB é oposição ao Governo Bolsonaro e inclusive tem a liderança do bloco oposicionista, cargo exercido pelo deputado federal Alessandro Molon, do Rio de Janeiro). Então, do ponto de vista político, é tudo uma questão de harmonizar, de coordenar os movimentos e aliás, em 2014, quando fui convidado (por Vicente), nós não tínhamos o Bolsonaro, nós não tínhamos um movimento de direita. Naquele momento, o que nós tínhamos era um governo municipal do PSB. Então, se eu tinha a possibilidade de dar alguma contribuição para a sociedade, era através daquele lugar.

A crise estabelecida no PSL, com o presidente Bolsonaro podendo deixar a sigla e criar um novo partido, não atrapalha suas pretensões em Cachoeirinha?

Não podemos dizer que ajuda. O atrapalhar, não sabemos ainda, mas o certo é que o PSL, mesmo que o Bolsonaro saia do partido, vai continuar apoiando o Governo.

O grupo do PSL em Cachoeirinha não seguiria Bolsonaro, rumando para o novo partido, se ele chegar a ser criado?

Isso eu não me arrisco a dizer, porque tudo é prematuro. Não sabemos nem se o Bolsonaro vai efetivamente sair.

Nós temos em Cachoeirinha um grupo que vai fechar duas décadas no poder. Até boa parte da oposição já fez parte dele. Como o senhor pretende administrar essa questão das alianças e, se eleito, como vai se relacionar com os vereadores que historicamente tem uma relação de troca de cargos por apoio ao prefeito?

Nós somos contrários a essa política, ou seja, os vereadores já tem cargos na própria Câmara. Eu não posso dizer que de repente não se vai se aproveitar alguém que esteja vinculado a um vereador, mas aquela troca do toma lá, dá cá, essa definitivamente não.

O senhor não descarta aproveitar alguém ligado a um vereador. Mas isso não quase a mesma coisa?

Não é a mesma coisa porque de forma alguma nós vamos aceitar ficar engessados, ficar refém dessa condição.

O senhor vê alguma dificuldade em não ter a maioria na Câmara para governar?

Todas. A gente está percebendo (a crise iniciada após o racha da aliança que elegeu Miki/Maurício).

Como o senhor pretende ter a maioria na Câmara dentro de um contexto no qual o apoio ao prefeito, historicamente em Cachoeirinha, é condicionado a troca por cargos?

Primeiro através da conscientização da população que deve nos dar essa maioria na própria eleição  (elegendo os candidatos a vereador pelo PSL e eventuais partidos que fizerem parte da aliança) e segundo, se ele não acontecer vai ter que se buscar viabilizar dentro do que for possível, porque sem isso não é possível governar.

O número de CCs sempre são alvo de críticas de oposicionistas e de parcela da população. O atual prefeito, Miki Breier, fez um corte no número de cargos através de lei aprovada na Câmara e mesmo assim é criticado por nomear CCs em quantidade considerada exagerada. Como o senhor vai tratar essa questão?

Eu não posso dizer que vamos reduzir tanto por cento de cargos. Nós somos contra o empreguismo, o carguismo, seja lá o que for. A ideia é de que todo o cargo que for necessário, toda a função que tiver que ser preenchida por algum CCs, seja preenchido para atender as necessidades da população e nunca com o propósito de atender a outros interesses. Qualquer preenchimento de cargo será baseado no interesse público.

A sua ideia de romper com a troca de cargos por apoio provoca um choque significativo no que historicamente acontece em Cachoeirinha …

Justamente por isso que estamos na condição de pré-candidato, pois entendemos que as coisas precisam mudar. Nós temos que fazer uma política totalmente voltada para garantir a aplicação dos recursos, enxugamento da máquina e racionalização dos meios. Enfim, melhorar a arrecadação do município através da atração de novos empreendimentos, tornar o ambiente atrativo, buscar o desenvolvimento do município, porém fugindo, tanto quanto possível, de um contexto que estamos vivenciando hoje. Eu até não quero fazer uma crítica contundente até porque fiz parte do governo Vicente. Eu não tenho essa crítica contundente. A minha crítica é o continuísmo. O uso do cachimbo deixa a boca torta. São práticas que vêm sendo feitas. A estrutura está viciada. Os comentários que chegam para nós dizem isso, que está viciada. Essa prática que está escancarada e não há como negar, que é a troca de cargos, engessa.

Mas isso não é uma particularidade de Cachoeirinha …

O Bolsonaro está dando o exemplo. Eu acho que em algum momento isso teria que mudar. Se nós continuássemos assim iríamos parar aonde?

Mas Congresso teve o toma lá, dá cá, na Reforma da Previdência, por exemplo, com a liberação de emendas em troca de apoio …

Mas emendas são previstas na legislação. Não é um favor que o presidente ou o governante faz. Ela está dentro de um contexto e, portanto, entendo que não seja um toma lá, dá cá.

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