NACIONAL

Em assalto, Vidal ficou pendurado pelo pescoço agonizando

Um dos acusados pelo crime foi condenado a 16 anos e oito meses de prisão

O juiz Emerson Silveira Mota, da Vara Judicial de Palmares do Sul, condenou a 16 anos e oito meses de prisão um dos acusados do assalto ao sítio do militante histórico do PT de Cachoeirinha, o advogado Jorge Vidal. O crime aconteceu em 5 de abril de 2020 e a sentença saiu no último dia 15 de março. Outro réu ainda aguarda julgamento.

Na sentença, o magistrado descreve as horas de terror passadas pela família do advogado nas mãos de dois assaltantes, um deles que prestou serviços para a família por dois anos. O mais apavorante para a esposa e dois filhos foi ver Vidal, alvejado com um tiro no pescoço, ser pendurado com o uso de cordas para morrer agonizando.

Somente com as pontas dos pés no chão, ele teria morrido não fosse o filho mais velho ter apoiado o pai em seus ombros enquanto os dois homens agiam. Conforme narrado pelo juiz na sentença, Edimar Lucas Souza Rodrigues e Paulo Cezar de Miranda, contaram em depoimentos que foram arrumar um veículo em Capivari do Sul.

Ambos estavam sem dinheiro e decidiram cometer o assalto que teria sido planejado por Paulo, que conhecia o sítio por prestar serviços. Ele estava com um capuz, mas mesmo assim foi reconhecido. Edimar não escondia o rosto e confessou o envolvimento dele e Paulo no crime.

A esposa de Vidal foi feita de refém por Paulo e levada para os fundos do pátio onde ele e os dois filhos eram mantidos reféns por Edimar sob a mira de uma pistola. Paulo teria jogado uma madeira contra Vidal e ele arremessou de volta uma das duas foices que tinha nas mãos. Ela atingiu a testa de Paulo e imediatamente Edimar atirou contra Vidal, acertando o pescoço.

“…Paulo bateu muito em Jorge e que com certeza a sua intenção era matá-lo. Mandaram que * [a esposa] voltasse com os seus filhos para perto do marido, para que o assistissem agonizar, momento em que o seu filho mais velho apoiou o pai em seu ombro para que não acabasse enforcado, na intenção de afrouxar a corda e prolongar o tempo de vida do pai, ficando nessa posição por mais de 2 horas”, descreve o magistrado.

Conforme o apurado nas investigações, Paulo demonstrava ter inveja da situação financeira da família para a qual prestava serviço. “…perguntava por que tinham aquilo tudo, se sua intenção era esfregar na cara daqueles que não possuíam”, relata o juiz na sentença. O acusado chegou até a roubar roupas do pai de Vidal que eram guardadas como recordação. Os homens fugiram com os dois carros da família, dinheiro e joias. Somente os veículos foram recuperados.

Paulo não foi julgado porque houve uma separação no processo. Seu novo advogado sustentou que a defesa ficou prejudicada em função da advogada anterior ter atuado sem ter procuração assinada. O novo advogado, agora, trabalha na defesa e o julgamento ainda não foi marcado. O advogado de Edimar pode recorrer da sentença.

Como resultado das agressões, Vidal ficou com sequelas que o impedem de levar uma vida normal. Em seu depoimento, ele afirmou que “não possui forças na perna e no braço direito, condição que o impossibilita de andar, cozinhar, dirigir, comer sozinho, escrever. Ou seja, depende de terceiros para as suas necessidades básicas e não consegue mais trabalhar”.

Na última quinta-feira (24), quando retornava de Santa Catarina pela BR-101, o advogado teve seu carro atingido por uma bala. “Me disseram que tenho sete vidas. Mas [acho] que são oito ou mais. Esta bala parou na blindagem, chegando a partir a primeira camada”, escreveu em sua rede social.

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