CACHOEIRINHA

Dólar provoca alta de preços, de reclamações e de comerciantes tentando contornar

Comerciante tenta conter impacto no bolso do cliente, enquanto Procon vê denúncias aumentarem por prática de preços abusivos

Cachoeirinha – As recentes altas de preços registradas em produtos como arroz, feijão e óleo de soja são resultantes do aumento dos índices históricos de exportação destes produtos para outros países, entre outros fatores. A entressafra, no caso do leite, pressiona os preços para cima. Para o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), Antônio Cesa Longo, com o real desvalorizado frente ao dólar, o alimento produzido no Brasil tornou-se ainda mais atrativo para diversos países do mundo.

“No caso do feijão, há uma tendência de preços estáveis firme e poucas ofertas, com previsão de baixa somente em dezembro, enquanto no arroz a tendência segue de alta nos preços. Não estamos medindo esforços para buscar a melhor negociação com os fornecedores e absorver, a medida do possível, parte desta alta de preços, em função de estoques reguladores”.

Ester e Alexandre buscam alternativas para amenizar aumento dos preços nos bolsos dos clientes – Foto: Álbum Pessoal

A situação diminui o poder de consumo da população e agrava a rotina dos pequenos comerciantes, que buscam alternativas em meio à pandemia, para se manter em pé e, agora, para tentar amenizar esse aumento direto no bolso dos clientes. Para Alexandre Sodré, que é proprietário de um pequeno mercado no bairro Parque Brasília, a solução é promover ofertas em outros produtos que compõem a cesta básica. “Faço promoção nas carnes e verduras, pois penso que assim ajudo a diminuir o impacto disso tudo que estamos passando”.


Alexandre reduziu variedade de oferta de arroz em seu mercado por causa do aumento

O comerciante conta que o aumento deixou todos assutados. “Ouço reclamação todos os dias dos meus clientes sobre isso. Quando os preços subiram dessa forma, eu e minha esposa, que antes comprávamos direto dos representantes, tentamos buscar preços melhores direto nos atacados e fomos surpreendidos por valores maiores que os que trabalhamos aqui”, desabafa.

Ao contrário de Alexandre, que busca alternativas para contornar o aumento, muitos comércios de Cachoeirinha têm praticado preços muito além do percentual de aumento constatado. Segundo Fábio Preto Ramos, coordenador do Procon de Cachoeirinha, o número de denúncias teve um aumento de 30% nos últimos 10 dias. “Temos recebido diariamente fotos de produtos com valores absurdos. O que fazemos é fiscalizar esses locais, analisando notas fiscais e a percentagem praticada pelo local antes e depois do aumento, para comprovar o abuso”.

Óleo de soja é um dos produtos da cesta básica com aumento por causa da desvalorização do Real – Foto: Divulgação/Procon

O coordenador comenta que os produtos da cesta básica são os que mais recebem valores considerados inadequados pelos consumidores. “Nas fiscalizações nos deparamos com preços incrivelmente altos, como pacote de 5 kg de arroz por R$ 26 e leite longa vida por R$ 5”.

Fábio ressalta que o consumidor deve entrar em contato com o Procon sempre que se sentir lesado, mas que é importante que a denúncia contenha os dados necessários para que seja feita a averiguação, como nome e endereço do comércio, produto e nota fiscal com o valor praticado, nome e telefone de quem faz a denúncia para que o órgão possa retornar.

“Conter e reverter essa prática abusiva é o nosso trabalho, mas precisamos das informações para poder atuar”, frisa Fábio. Os contatos do Procon de Cachoeirinha para denúncia são através dos telefones 34712835 – 34391036 – 30417114, ou pelo e-mail [email protected]

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), a alta nos preços se deve ao aumento das exportações destes produtos e a diminuição das importações desses itens, motivadas pela mudança na taxa de câmbio que provocou a valorização do dólar frente ao real.

Em nota, a ABRAS afirma reconhecer o importante papel que o setor agrícola e suas exportações têm desempenhado na economia brasileira. Mas faz um alerta para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno para evitar transtornos no abastecimento da população, principalmente em momento de pandemia do novo Coronavírus (Covid-19).

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