Dinheiro da merenda é pouco para compra de cestas básicas para todos os alunos
Governo Federal autorizou o uso da verba do Plano Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), mas ele é insuficiente conforme a secretária de Educação
Cachoeirinha – Diversas famílias que moram nos bairros mais periféricos de Cachoeirinha não estão sendo atendidas pela Prefeitura no fornecimento de cestas básicas com alimentos que seriam do Plano Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). O líder comunitário Claudemir Almeida conta que já distribuir cerca de duas mil cestas básicas em ações realizadas com outras lideranças comunitárias e ONGs, tanto em Cachoeirinha quanto em Gravataí. Segundo ele, o dinheiro da merenda escolar não está chegando na periferia.
Clarissa dos Santos Alves, 30 anos, tem quatro filhos, três em idade escolar com seis, oito e 11 anos. Moradora do Jardim do Bosque, ela conta que o marido está desempregado e com a crise até os pequenos serviços desapareceram. “Estamos nos virando como dá. Eu recebi o auxílio emergencial do Governo, mas meu marido só dá em análise. Até agora não recebemos nada e qualquer ajuda é sempre bem-vinda”, afirma. As crianças estão matriculadas na escola Getúlio Vargas. Outra mãe que relata não ter sido atendida ainda é Débora Souza, 30 anos. Ela tem um filho de 12 anos matriculado na escola Natálio Schlain, na Anair. “Eu trabalho no comércio e recebi o auxílio. Já cesta básica, não”, revela.
Segundo a secretária de Educação, Joelma Rodrigues Stuart, a verba do Pnae é insuficiente para ser transformada em cestas básicas para serem distribuídas aos 13.129 alunos da rede municipal. O motivo é muito simples: “A parcela que recebemos em maio foi de R$ 160 mil. Dividindo este valor pela quantidade de alunos, temos como resultado R$ 12,30 para cada um. Não tem como comprar cesta básica com este valor”, argumenta. Nem todos os alunos fazem refeições nas escolas e o preparo da alimentação para várias pessoas tem um custo baixo se comparado ao investimento necessário para a compra de cestas básicas.
Sem ter como atender todos os alunos, os diretores das escolas elaboraram listas com dados das famílias em situação mais vulnerável e são estas que estão sendo atendidas. O que havia sido comprado para a merenda escolar foi utilizado na composição de cestas básicas viabilizadas com doações de empresas e da comunidade.
“A secretaria já distribuiu 1088 cestas até o presente momento, desta forma alcançou a totalidade das listas enviadas pelos diretores de escolas municipais, seguindo o critério de famílias em vulnerabilidade social. Em um primeiro momento contamos com doações das farmácias São João, Rissul, Asun, ACC, Lojas Quero-Quero, Vancosty e SESC, além de doações da comunidade em geral, através das ações propostas pelo Comitê de Solidariedade criado pela Prefeitura. Quem quiser comprovação das entregas, temos todos os recibos assinados por cada família que recebeu e está à disposição para consulta. Sobre a não utilização do PNAE, entendemos que o melhor é guardar este ‘parco recurso’ para o retorno das aulas. Inclusive, o município terá que complementar o que falta para que não falte a alimentação. Caso se estenda a suspensão das aulas por mais tempo, teremos que utilizar este recurso, receber mais doações e rezar para que consigamos dar conta disso, porque a perda de arrecadação do município está em torno de R$ 5 milhões por mês”, detalha.
Joelma destaca que a Prefeitura está conseguindo, através das doações recebidas pelo Comitê de Solidariedade, “alcançar muito mais cestas básicas do que se utilizasse apenas o recurso federal destinado para a merenda”. Conforme a secretária, famílias que estejam atravessando séria dificuldades, devem procurar um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para fazer um cadastro.






