Desaparecimento da família Aguiar em Cachoeirinha completa 60 dias
Mais de 30 testemunhas foram ouvidas e a polícia busca pistas definitivas para o caso, que também envolve a análise de dispositivos eletrônicos

Cachoeirinha – O caso da família Aguiar, desaparecida desde janeiro, segue sendo investigado pela Polícia Civil e é considerado um dos mais complexos recentes da Região Metropolitana de Porto Alegre. A ocorrência envolve o sumiço de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e de seus pais, Isail e Dalmira Aguiar, de 69 e 70 anos. Nesta terça-feira (24), foram completados 60 dias do desaparecimento. Já nesta quarta-feira (25), também faz 60 dias que os pais sumiram.
Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro. No dia seguinte, os pais desapareceram após iniciarem buscas pela filha. Desde então, não houve mais contato com nenhum dos três.
As investigações indicam inconsistências desde o início. A mulher chegou a publicar em rede social que teria sofrido um acidente de trânsito, mas a polícia apurou que o fato não ocorreu. O carro dela foi encontrado na garagem de casa, com a chave dentro do imóvel, levantando suspeitas sobre o relato.
O principal suspeito é o ex-companheiro de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco. Ele está preso temporariamente desde 10 de fevereiro. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de feminicídio e duplo homicídio. Silvana havia acionado o Conselho Tutelar, conforme a investigação, para denunciar que o ex-marido, que ficava com o filho nos finais de semana, não estava mantendo a dieta especial da criança de 9 anos.
Perícias apontam que o celular de Silvana foi utilizado após o desaparecimento. O aparelho teve sinal rastreado em cidades da região, incluindo Canoas e Gravataí, e teria sido levado ao local de trabalho do suspeito dias depois do sumiço. Cristiano esteve com o celular nos dias 26 e 27 de janeiro. O telefone foi encontrado em 7 de fevereiro, escondido sob uma pedra em um terreno baldio, após denúncia anônima, com fita isolante nas câmeras.
As buscas mais recentes se concentram em áreas rurais de Gravataí, próximas a locais ligados a familiares do suspeito. Equipes com cães farejadores participam das diligências, mas até o momento nenhum corpo foi localizado. A investigação também tenta esclarecer a presença de um carro vermelho que teria sido visto na casa de Silvana no dia do desaparecimento, além de verificar álibis apresentados pelo suspeito.
Mesmo sem a localização das vítimas, a polícia afirma já ter elementos suficientes para avançar no indiciamento do caso. Cristiano prestou depoimento como testemunha nos primeiros dias do desaparecimento. Depois, na condição de principal suspeito e preso, não se manifestou em dois depoimentos. A polícia vai tentar ouvi-lo mais uma vez.
Saiba mais
- Prisão Temporária e Prorrogação: Cristiano, que é ex-companheiro de Silvana Germann de Aguiar, foi preso temporariamente logo após o sumiço. A justiça gaúcha prorrogou por mais 30 dias essa prisão temporária no início de março de 2026.
- Indícios e Investigação: A polícia considera ter elementos suficientes para indiciar Cristiano por feminicídio (de Silvana), homicídio (dos pais dela, Isail e Dalmira) e ocultação de cadáver, mesmo sem a localização dos corpos.
- Passagem para Preventiva: A polícia tem trabalhado com o objetivo de converter a prisão temporária (que tem prazo determinado) em prisão preventiva (sem prazo definido, ideal para a garantia da ordem pública e conclusão das investigações), dada a complexidade do caso e a necessidade de finalizar perícias técnicas, como vestígios de sangue encontrados na residência.
- Investigação em andamento: Mais de 30 testemunhas foram ouvidas e a polícia busca pistas definitivas para o caso, que também envolve a análise de dispositivos eletrônicos.
Linha do tempo do caso
24 de janeiro de 2026
- Silvana Germann de Aguiar é vista pela última vez.
- Publica nas redes sociais relato de um suposto acidente, posteriormente descartado pela polícia.
25 de janeiro de 2026
- Pais de Silvana saem para procurá-la após alerta de vizinhos.
- Eles também desaparecem no mesmo dia.
26 e 27 de janeiro de 2026
- Sinal do celular de Silvana é rastreado em Canoas.
2 de fevereiro de 2026
- Novo rastreamento do telefone indica presença na área rural de Gravataí.
7 de fevereiro de 2026
- Celular da vítima é encontrado escondido sob uma pedra após denúncia.
10 de fevereiro de 2026
- Prisão temporária do principal suspeito, ex-companheiro de Silvana.
Fevereiro a março de 2026
- Polícia realiza buscas em áreas rurais com apoio de cães farejadores.
Março de 2026 (cerca de 60 dias após o sumiço)
- Polícia reforça hipótese de feminicídio e duplo homicídio.
- Investigação aponta que o suspeito utilizou o celular da vítima após o desaparecimento.





