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overnador esteve reunido com presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga - Foto: Rodger Timm/Divulgação

Crise da GM: as 21 propostas para a unidade de Gravataí


O governador Eduardo Leite e prefeito Marco Alba se reuniram com a direção da empresa em SP nesta quarta


Ainda não há uma definição sobre o futuro da GM no Brasil e em Gravataí. A empresa tem um pacote com 21 medidas para o completo automotivo de Gravataí (veja abaixo) e que foi rejeitada pelos trabalhadores em assembleia na última terça-feira (29). Entre as medidas está a redução do piso salarial para R$ 1,3 mil, representando um corte de 17%. A empresa quer ainda ampliar a jornada de trabalho de 40 para 44 horas semanais e fazer cortes progressivos no Programa de Participação de Resultados (PPR).

A empresa está fazendo pressão para cortar custos nas suas operações no Brasil. Em Gravataí são produzidos o Prisma e o Onix, líder em vendas no país com 389,5 mil emplacados no ano passado, representando 15% da fatia do mercado que tem o HB20 em segundo lugar, com um volume de vendas quase três vezes menor.

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Nesta quarta-feira, o governador Eduardo Leite, acompanhado do prefeito de Gravataí, Marco Alba, estiveram em São Paulo para uma reunião no Centro Tecnológico da empresa em São Caetano do Sul (SP). O presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, o vice-residente da GM Brasil, Marcos Munhoz, o diretor de Relações Governamentais, Adriano de Barros, e a gerente de Relações Governamentais, Daniela Kraemer, expuseram a situação da empresa. Conforme eles, a montadora vem enfrentando dificuldades financeiras nos últimos cinco anos.

a GM projeta ampliar a fabricação em São Paulo, o que depende de negociação com o governo paulista, além de acerto com sindicatos trabalhistas, inclusive gaúchos, para conseguir reduzir o custo operacional.

Essas duas questões, ressaltou Leite, não dependem diretamente do Rio Grande do Sul, mas podem afetar o estado caso as duas negociações não tenham desfecho positivo, pois poderia inviabilizar as operações da GM no país. Se os investimentos não forem viabilizados em São Paulo, a empresa ficaria com apenas dois produtos no país – os dois carros fabricados em Gravataí.

“Não chegamos ao ponto de fazer qualquer oferta para a empresa, porque não dependem de nós essas negociações, mas vamos juntar toda a equipe de governo para fazer o que estiver ao nosso alcance e manter a GM no Brasil e no estado”, afirmou o governador, acrescentando que nova reunião com a diretoria da empresa foi agendada para os próximos 15 dias e que será no Rio Grande do Sul.

“Estou muito confiante de que todas essas condições serão atendidas, chegando a um denominador que fique bom para todas as partes. O governo fará tudo que for possível, porque é uma operação que interessa à economia do RS”, concluiu Leite.

Na última segunda-feira, Marco Alba já havia tratado do assunto na sede da General Motors em Gravataí. Foi uma reunião por videoconferência com Zarlenga Munhoz, e com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra), Valcir Ascari (o popular Quebra-Molas), e o diretor jurídico do sindicato, Edson Dorneles.

Ao final do encontro, o prefeito se mostrou otimista quanto à permanência da montadora no Município. “A fábrica de Gravataí, em que pese seu bom desempenho de produção, está inserida no contexto da estratégia macro da montadora na América Latina”, pondera o prefeito. “Essas reuniões são no sentido de buscar uma solução em conjunto com todos os atores envolvidos”, reforçou Marco Alba.

Hoje, a GM emprega cerca de 6 mil pessoas em todo o complexo de Gravataí. O impacto no retorno de impostos para a Prefeitura, no caso de a unidade ser desativada, é considerado catastrófico. A cidade perderia quase 50% da sua receita com retorno de ICMS, representando algo em torno de R$ 100 milhões por ano. Recursos desta monta, fazendo um comparativo com a cidade vizinha de Cachoeirinha, representa toda a receita de três meses consecutivos. Os impactos em Gravataí seriam ainda maiores em função de uma série de outros negócios que orbitam em torno da GM, como o mercado imobiliário.

Os 21 pontos do pacote da GM para ficar em Gravataí

1 – Formalização de Acordo Coletivo de longo prazo (2 anos renováveis por mais 2). O atual, assinado em 2018, vence no fim de 2019.

2 – Negociação de valor fixo e substituição de aumento salarial para empregados horista e congelamento ou redução da meritocracia para mensalistas.

3 – Negociação do PPR com revisão das regras de aplicação, prevalência da proporcionalidade transição para aplicação de equivalência salarial e inclusão de produtividade.

4 – PPR zero em 2019, de 50% em 2020 e integral em 2021.

5 – Suspensão das contribuição da GMB à Previdência por 12 meses.

6 – Alteração do plano médico.

7 – Implementação de trabalho intermitente por acordo coletivo e individual.

8 – Terceirização de atividades meio e fim.

9 – Jornada de trabalho de 44 horas semanais para novas contratações.

10 – Piso salarial de R$ 1.300,00. (O atual está em torno de R$ 1.570,00).

11 – Redução do período de complementação do auxílio previdenciário para 60 dias para um evento no ano.

12 – Renovação de acordos de flexibilidade.

13 – Rescisão no curso de afastamento para empregados com tempo para aposentadoria.

14 – Desconsideração de horas extraordinárias.

15 – Trabalho em regime de tempo parcial. 16 – Jornada especial de trabalho (12/36 horas).

17 – Ajuste na cláusula de férias com parcelamento previsto em lei.

18 – Regramento do contrato de trabalho intermitente.

19 – Implicabilidade de isonomia salarial acima dos 48 meses para grade nova.

20 – Cláusula regrando a adoção de termo de quitação anual de obrigações trabalhistas.

21 – Congelamento da política de progressão salarial horista por 12 meses.

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