Corsan explica o que pretende fazer para acabar com a falta de água
Problema vem afetando Gravataí e Cachoeirinha cujo sistema de abastecimento é interligado
A falta de água em Cachoeirinha e Gravataí atingiu no final de semana seu momento mais crítico gerando muita resolva entre clientes. Desde o início do verão, seja por conta de incidentes na rede de abastecimento ou por deficiências, a falta de água tem sido uma constante e em alguns bairros moradores relatam que parecem estar vivendo em um racionamento.
A Corsan, por intermédio da sua assessoria de imprensa, explicou à reportagem que pelos menos duas situações acabam provocando mais problemas no abastecimento, especialmente na Zona Norte de Cachoeirinha, não deixando de atingir alguns bairros de Gravataí.
A primeira delas são os casos pontuais de rompimentos de rede que acontecem em virtude de um eventual aumento de pressão na rede e formação de bolsas de ar. São situações que não podem receber alguma medida preventiva para evitar que aconteçam.
Já a outra está relacionada a muitas ligações clandestinas em Cachoeirinha, especialmente nos bairros Chico Mendes e Canarinho, todas elas em moradias construídas em áreas invadidas.
O superintendente da estatal na Região Metropolitana, cuja sede está localizada em Cachoeirinha, André Borges, explica que bairros como a Betânia, cuja rede passa antes por áreas onde há muitas ligações clandestinas, são os mais atingidos pela constante falta de água que não estão relacionadas a rompimentos de rede.
Borges, em entrevista para a Rádio Gaúcha nesta segunda-feira (25), disse que enquanto um cliente da Corsan com ligações legal gasta em média 150 litros de água por dia, um usuário clandestino chega a consumidor 500 litros.
Como a rede está dimensionada para atender 1,5 mil litros por segundo em Gravataí e Cachoeirinha, o sistema não dá conta. Para oreporter.net a Corsan explicou de uma parte de uma nova adutora para atender o reservatório da Vista Alegre, em Cachoeirinha, está pronta e uma nova está em projeto.
Outra medida para minimizar a falta de água na Zona Norte que está sendo estudada é a abertura de poços artesianos que possam atender consumidores do Chico Mendes e Canarinho. Esta alternativa, para ser colocada em prática, contudo, depende da qualidade da água a ser encontrada e da vazão. Outra alternativa, conforme revelou o superintendente, é a construção de uma nova rede que faça uma espécie de desvio da água que atende estes dois bairros de forma que não ocorra a falta na Betânia, por exemplo.
O problema no final de semana, que foi o que mais gerou reclamações desde o início do verão, segundo Borges, foi causado por três eventos em sequência. Primeiro ocorreu o rompimento de uma adutora e logo depois do conserto a mesma rede rompeu em outro ponto.
Quando o sistema começou a ser abastecido aconteceu uma queda no chamado controle automatizado de telemetria. Ele foi causando por uma pane com o temporal de domingo e o controle do que havia nos reservatórios parou de funcionar. Os três incidentes em cadeia provocou uma esvaziamento dos reservatórios e depois dos consertos demorou para todos os bairros receberem água.
Troca de rede, caminhão pipa e 0800
Os rompimentos de rede, segundo explicou o superintendente da Corsan, acontecem em trecho de rede muito antigos e que as substituições são feitas rotineiramente. A rede que rompeu duas vezes no final de semana, por exemplo, será totalmente trocada nas próximas semanas já que está com vários remendos.
Sobre a possibilidade de atender regiões sem água com caminhões pipa, Borges argumentou que seria inviável tendo em vista a pequena quantidade que pode ser transportada e a grande necessidade da população. Os caminhões são usados para casos emergenciais, como atendimentos de unidades de saúde e escolas, entre outros.
Já as constantes reclamações sobre a deficiência do atendimento da Corsan, especialmente no 0800, Borges destacou que a demora no atendimento acontece por conta do grande volume de contatos que acontecem quando há o desabastecimento. Ele disse que a estatal mantém canais na internet, como aplicativo e site, que possibilitam aos usuários saber as causas do desabastecimento e previsão de retorno.
Corsan notificada
Na semana passada, o prefeito de Cachoeirinha, Miki Breier, notificou a Corsan dando um prazo de 30 dias para ela fazer a contestação ou apresentar uma solução para a falta de água constante em vários bairros. O secretário do Planejamento e Captação de Recursos, Nilo Moraes, explicou ao oreporter.net que a prefeitura deve seguir o que está previsto no contrato de concessão do serviço. A estatal pode ser advertida mais uma vez e depois receber uma multa.
Miki Breier chegou a ser reunir com o presidente da Corsan antes da notificação para pedir providências e recebeu como resposta os estudos que estão sendo feitos para melhorar o abastecimento e ainda que as partes mais antigas da rede estão sendo trocadas.
Agergs entra no caso
A Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) entrou no caso e nesta segunda-feira divulgou uma nota.
Confira abaixo:
A AGERGS – Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul informa que, em virtude das constantes reclamações de clientes atendidos pela CORSAN – Companhia Riograndense de Saneamento da Região Metropolitana de Porto Alegre, em especial dos municípios de Gravataí e Cachoeirinha, está em constante comunicação com a CORSAN e verificando todos os fatos que ocasionaram o desabastecimento. Esclarecemos à comunidade que a aplicação de sanções, bem como a compensação financeira dos clientes afetados poderá ser exigida pela AGERGS após a averiguação dos fatos, nos termos das resoluções emitidas pela própria Agência.



