Cordeiro fala em máfia de funerárias ao abordar primeiro óbito por Covid-19 - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Edison Cordeiro - Foto: Câmara de Vereadores/Divulgação

Cordeiro fala em máfia de funerárias ao abordar primeiro óbito por Covid-19

Presidente da Câmara falou na Sessão desta terça-feira (9) que não quer acreditar que prefeitos façam parte de uma máfia que está querendo se instalar

Cachoeirinha – O primeiro óbito pela Covid-19 registrado em Cachoeirinha foi colocado em dúvida por um suposto parente da vítima em um comentário em uma live da Prefeitura no Facebook, gerou uma Nota Oficial (leia no final da matéria) e foi abordado pelo presidente da Câmara, Edison Cordeiro, na Sessão desta terça-feira (9).

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O nome da pessoa não havia sido divulgado pelas autoridades da saúde por questões éticas. Já na Sessão, Cordeiro pediu um minuto de silêncio revelando a identidade da pessoa:

“Eu queria fazer um minuto de silêncio para a dona Maria Terezinha Neres, de 67 anos, que morreu de câncer, mas tem uma polêmica na cidade, mas eu queria um minuto de silêncio para ela. Meus pêsames para os familiares”, disse, sem citar de forma clara que se referia ao óbito de uma mulher diagnosticada com Covid-19.

Ele fez o pedido logo no início da Sessão e antes do intervalo voltou a tocar no assunto dizendo que não queria acreditar que um prefeito ou município se sujeitassem a uma possível esquema relacionado a Covid-19 para se beneficiarem.

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Confira o que disse o presidente, sem correções:

“Antes de nós entrar no intervalo, eu só queria, como presidente dessa casa, eu pedi um minuto de silêncio para a dona Maria Terezinha Neres.  Eu não queria que a morte das pessoas que estão passando por essas situações do Covid-19, eu não quero acreditar que prefeitos ou pessoas venham se usar da morte das pessoas para se beneficiar. Eu ouvi falar muito sobre a máfia das funerárias. Vocês sabem quanto é que custa ou dois caixão para enterrar a pessoa com Covid-19? A pessoa tem que ser colocada em dois caixão e lacrado. Aí a pessoa morre de câncer e aí tem que se sujeitar a essa situação. Eu não quero acreditar que um prefeito ou um município se sujeite a uma funerária ou a um sistema desses e colocar famílias nessas situações. Quem vai arcar com esse custo, que é altíssimo? Isso só os caixão, foram onde a pessoa vai ser colocado, se no chão ou se vai ser colocado numa gaveta. Eu não quero acreditar que prefeitos façam parte dessa máfia que está querendo se instalar juntamente com esse problema do Covid-19”.

A primeira morte por Covid-19 registrada para Cachoeirinha não envolveu nenhum órgão de saúde ou médicos locais. A paciente morreu no Hospital de Clínicas em Porto Alegre e teve o atestado de óbito assinado por um médico da capital. O prefeito Miki Breier, explicou em live transmitida pelo Facebook, que a Prefeitura apenas foi comunicada e atualizou suas estatísticas.

A reportagem entrou contato com a pessoa que se diz parente da vítima e que afirmou que ela não teria morrido de Covid-19 e sim de câncer. No perfil no Facebook, o nome é de um homem e não existem postagens sobre o caso e nem o tradicional luto que a maioria das pessoas posta quando há o falecimento de algum familiar. Ele tem Edison Cordeiro entre seus amigos.

O perfil tem apenas sete fotos e esse ano foram feitas apenas quatro postagens. Pelo Messenger, o homem se apresentou como neto da vítima, mas quando questionado para uma reportagem, não respondeu mais. Na manhã desta quarta-feira (10), a reportagem obteve um telefone e o homem atendeu e disse que não gostaria de falar sobre o caso e desligou. Outros dois parentes da vítima também foram procurados, mas preferiram não falar. Em seus perfis no Facebook também não há nenhuma referência sobre a morte.

O custo extra para o enterro de uma pessoa diagnosticada com Covid-19, conforme a reportagem apurou em contato com funerárias, fica em torno de 50% acima do preço normal. O gasto a mais com a funerária gira ao redor de R$ 3 mil. Um funcionário de uma funerária explicou que o corpo é colocado em uma urna de zinco e o caixão de madeira é lacrado – o caixão é zincado, ou seja, revestido por uma folha de zinco.

Confira a Nota Oficial da Prefeitura, emitida antes da fala do presidente da Câmara:

Informamos que os dados divulgados pela Coordenação de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Cachoeirinha seguem os fluxos e normas estabelecidas pelo Centro de Vigilância Estadual em Saúde e do Centro de Operações de Emergências (COE) do Estado.

A informação sobre o resultado positivo para COVID-19 do primeiro caso de óbito do município foi confirmada pelo COE Estadual e consta nos sistemas de informação oficiais do estado. A Secretaria de Saúde está em contato com a família que foi devidamente notificada e eventuais contatos serão testados, segundo o protocolo municipal.

O município mais uma vez manifesta o pesar pela morte da paciente e reafirma seu compromisso em seguir estruturando suas ações de cuidado e de vigilância segundo as melhores, mais atuais e robustas evidências científicas.

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