Conheça quem dá vida às histórias na Feira do Livro de Gravataí
Bárbara Catarina e Drica Lopes levam a literatura aos frequentadores com suas contações de histórias na feira.
Gravataí – Iniciada nesta quarta-feira (26), a 35ª Feira do Livro de Gravataí teve contação de histórias já na primeira tarde do evento. O Espaço Contação de Histórias Denise Medonha foi inaugurado com a contação do livro “A Lanceirinha” com Bárbara Catarina, seguido do bate-papo com a autora Ângela Xavier.
As contações, com sessões específicas com intérprete de libras, seguem no segundo dia de Feira, 27, com Drica Lopes, baseadas no livro “Os viajantes açorianos no RS”, da escritora Véra Lucia Maciel Barroso. A programação ocorrerá no mesmo espaço, às 9h15, 10h, 14h30 e 15h15. Os momentos são destinados aos estudantes das escolas municipais e demais visitantes da Feira, que têm a oportunidade de embarcar nas aventuras dos livros.
Conheça as contadoras
Bárbara Catarina é profissional da arte há 30 anos e é contadora oficial da Feira do Livro de Porto Alegre há 27 anos. Como contadora, Bárbara já circulou por todo o Brasil, mas conta que sua maior alegria é ser conhecida em todo o Rio Grande do Sul e, dentre essas aventuras, ter recebido o nome de uma biblioteca: Biblioteca Barbara Catarina da E.M.E.I. Fada Madrinha de Cachoeirinha.
“Podes imaginar o mundo que circula numa Feira de Livro, quantos saberes que a gente encontra lá. E ser a primeira contadora do Estado a receber meu nome em uma biblioteca é um grande carinho”, enfatiza.
Ela também relembra quando enfrentou a Covid, dizendo que depois da doença descobriu como a leitura é realmente essencial. “Fiquei em coma durante três meses, se eu não tivesse um cérebro leitor tudo estaria atrofiado. Os livros salvaram e continuam me salvando”, expressa.
Além disso, a Feira do Livro está contemplando artistas e profissionais de eventos gaúchos afetados pelas catástrofes do mês de maio no Rio Grande do Sul. Este é o caso de Bárbara. Moradora de Canoas, ela conta que perdeu tudo durante a enchente. “Ficar só com as paredes da minha casa e ainda não poder voltar pra ela me doe muito, mas o que mais doeu foi perder meus livros, minhas ferramentas de trabalho”, pontua. Com esperança, Bárbara explica que a arte acolhe e faz com que estes momentos sejam menos dolorosos. Na Feira, os livros vêm aí para o socorro novamente. Preciso me manter forte para continuar a contar histórias nos abrigos. E levar a alegria”.
Drica Lopes é moradora de Cachoeirinha. Com 25 anos de teatro, ela é contadora de histórias e mediadora de leitura. Já criou um grupo teatral na região metropolitana e atuou em Porto Alegre com oficinas no grupo ÓI Noix Aqui Traveiz e como educadora teatral nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) da cidade.
Ela explica que a contação de histórias surgiu quando começou a trabalhar com idosos, “dava expressão corporal, resolvi um dia fazer uma atividade diferente, levei um livros de contos gauchescos e eles adoraram”.
Paralelo a outros projetos, Drica começou a contar histórias, e a que mais gostou foi um livro de Ruth Rocha, escrito em plena ditadura militar. “Sapo que vira Rei, Vira Sapo”. Assim, ela passou a contar histórias nos espaços onde trabalhava e depois nas escolas próximas ao bairro Humaitá, em Porto Alegre. Em Gravataí, trabalhou por seis anos como oficineira de teatro pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) com filhos dos catadores, na vila Neópolis.






