CACHOEIRINHA

Comércio sente timidez do consumidor após flexibilização

Empresários e ACC falam sobre expectativas para essa nova etapa de flexibilização após Governo do RS aprovar plano de prefeituras da região 10 do Distanciamento Controlado

Cachoeirinha – Desde sexta-feira (21), um decreto municipal permitiu a retomada da maioria das atividades econômicas, com restrições relacionadas aos cuidados para minimizar a propagação do novo coronavírus. O Governo do RS aprovou o plano das prefeituras de Cachoeirinha, Gravataí, Viamão e Glorinha com medidas que ficam entre as definidas para as bandeiras vermelha e laranja. O principal ponto para a cogestão ser aprovada foi a comprovação da desaceleração da ocupação de leitos Covid na região.

Essa era uma reivindicação desde o início da quarentena, para que fosse permitida a abertura do comércio em meio a pandemia. É o que diz o presidente da Associação Comercial de Cachoeirinha, Cleber Rodrigues Soares. “Nosso pedido era que houvesse a flexibilização e o comércio pudesse abrir, para que a população não sofresse tanto quanto tem sofrido”.

Celso está em um segmento que pode continuar a operação, mesmo durante as restrições

Segundo Cleber, a expectativa é que a liberação amenize a crise gerada pelo fechamento e devolva um pouco de dignidade às pessoas. “É importante que todos saibam usufruir dessa nova liberdade com sabedoria para que não retornemos para a bandeira vermelha. Voltar a trabalhar com consciência traz mais confiança para o consumidor e a economia retorna. Não vai ser algo imediato, pois muitos perderam seus empregos. Esperamos que essa iniciativa se estenda para todo o Estado”.


Não basta apenas voltar a abrir, é necessário se reinventar para atrair o público ainda tímido. É o que conta o empresário Giulliano Lopes, 34 anos, proprietário de uma hamburgueria artesanal no bairro Veranópolis. “Com a chegada da quarentena, precisei fechar as portas e passei a trabalhar apenas com delivery. Com essa nova fase, comecei a colocar em prática uma ideia que já tinha, de abrir ao meio-dia e servir almoço”.

Giulliano e a esposa Juliana têm hamburgueria desde 2016

Atuando no ramo desde 2016, Giulliano explica que as portas estão abertas, mas com a metade da capacidade do salão disponível. “Temos espaço para atender 30 pessoas, mas disponibilizamos apenas 15 lugares para manter o distanciamento”. O empresário nota que o público ainda está resistente a frequentar os espaços físicos. “Muitos ligam e perguntam se estamos abertos, sinto que há muito receio entre as pessoas em sair de casa. Além de abrir ao meio-dia, estou abrindo à noite com cardápio reduzido, pois ainda não temos como prever o movimento. Não há como investir, por exemplo, nas cervejas artesanais, com as quais trabalhava, pela validade ser de uma semana”.

Desde 1986 atuando no ramo de tintas, Celso Nunes, conta que nunca presenciou uma crise tão grande como esta e que se recusou a fechar as portas. Revoltado com as decisões municipals e estadual, que restringiram a abertura do comércio, o empresário frisa que foi um grande erro. “O horário reduzido não tem fundamento, pois o vírus não tem horário para agir. Isso só trouxe medo e reduziu a capacidade econômica da população. Foi um ato autoritário, pois não perguntaram a nossa opinião”.

Celso conta que com o início da quarentena, em março, viu as vendas aumentarem. A queda no movimento só aconteceu com a chegada do período de chuva e com o aumento do desemprego. “Como as pessoas passaram a ficar mais em casa, começaram a fazer reformas e a venda de tintas aumentou. No mês seguinte, a situação mudou. Chegamos a ter uma redução de 50% nas vendas. Aos poucos o ritmo está voltando ao normal”.

Jéssica acredita que as pessoas estão com medo de gastar pela incerteza do momento

A empresária Jéssica Siqueira, no ramo gráfico desde 1999, conta que a empresa fechou as portas por uma semana, no início da quarentena e, na sequência, passou a trabalhar com portas fechadas. O que fez com que ela investisse nas vendas virtuais. Sobre a nova fase, com liberação do comércio, ela acredita que o processo vai devagar pelo receio que o consumidor está vivenciando. “O dinheiro está na rua, não sumiu, mas as pessoas estão com medo de gastar por essa incerteza do futuro. Na minha opinião, em Cachoeirinha não houve uma restrição severa, pois sempre se via comércio aberto e as pessoas circulando nas ruas. O que mudou foi a forma como as pessoas passaram a gastar seu dinheiro com muito mais cautela”.

Por sua empresa atender muito o ramo da ramo da construção civil, Jéssica conta que essa não é a pior crise que a empresa dela presenciou. “Quando aconteceu a crise na construção civil nos Estados Unidos, que repercutiu fortemente aqui no Brasil, aquele período foi o mais difícil para nós. Agora, como mantemos o contato com os clientes de forma virtual, mantivemos um ritmo bom de vendas”.

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