Casos de transtornos mentais aumentam durante a pandemia - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
CAPS é referência - Foto: Divulgação

Casos de transtornos mentais aumentam durante a pandemia

Centro de Atenção Psicossocial é referência para acolhimento e atendimento nos casos de necessidade e agravamento de doenças psiquiátricas

Com a chegada do novo coronavírus e as incertezas sobre o futuro trouxeram consigo o agravamento de casos de distúrbio psicológico. Seja pelo medo da morte, pelo desemprego ou pelo isolamento social, muitas pessoas têm passado por quadros graves de ansiedade.

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Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Cachoeirinha (SMS), com o início da quarentena, em março, observou-se um aumento expressivo na procura pelo atendimento de saúde mental através do Centro de Atenção Psicossocial Adulto (CAPS), passando de 55 atendimentos/mês para 71.

“Com relação a dependência química, observamos que no período anterior a pandemia, 20 a 26,7% da busca por atendimento estava relacionado a dependência química. Após março, este percentual chegou a 46,4% na busca por tratamento relacionado ao uso de álcool e substâncias psicoativas”, relata a coordenadora de Políticas de Saúde Mental da SMS, Fernanda Cecília dos Santos.

A SMS não possui dados estatísticos por transtorno mental para avaliar a prevalência ou aumento de cada doença durante a quarentena, mas segundo Fernanda, percebe-se que os casos que chegam via acolhimento da Rede Pública de Saúde passaram a apresentar sintomas mais intensos, tanto os que envolvem ou não riscos, como suicídio, autoagressão, heteroagressão, fuga, exposição moral, dentre outros.

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Para a psicóloga Bruna Seibel, coordenadora do Serviço Escola de Psicologia do Cesuca, outro ponto importante a ser destacado é a situação das crianças em casa. “A falta de contato social, de interação na escola, está gerando sofrimento. A escola, além de ensinar, tornou-se uma rede protetiva aos conflitos familiares e contra violência doméstica. Com a paralisação das aulas presenciais, as crianças ficaram sem esse amparo”.

De acordo com Fernanda, houve um aumento dos acolhimentos no mês de junho com relação a demanda por atendimento de saúde para crianças e adolescentes. “Mas acreditamos que esse fator esteja associado ao retorno dos trabalhos do setor judiciário e solicitações de atendimento de saúde mental, pois nos demais meses não foi identificado aumento da procura pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil”.

O distanciamento social tem contribuído para o agravamento dos casos de depressão, além disso, a preocupação com a saúde e os conflitos familiares agravaram os casos já existentes. “Os pacientes sentem falta de uma rede de apoio, do contato com a família. A situação financeira e a perda do emprego são uns dos mais agravantes, pois muitos passaram a depender de benefícios, doações de cestas básicas, e alguns casos de pessoas que possuíam empregos estáveis e agora estão pedindo nas sinaleiras”, relata Bruna.

O Serviço Escola possui quatro grupos de atuação, um deles direto na comunidade da Vila da Paz. Com a chegada da pandemia, o número de atendimentos caiu de 200 para 50 mensais. “Essa queda se deu, pois muitos participantes são do grupo de risco de contágio”, frisa a psicóloga. Apesar de o ritmo de atendimento não ser o mesmo de antes da quarentena, Bruna explica que, em caso de necessidade, a pessoa deve buscar auxílio através da Rede Pública, como o CAPS.”Com o formato de plantão psicológico, a rede nos encaminha esses pacientes que serão avaliados de acordo com a necessidade e serão encaminhados para a psiquiatria ou até mesmo internação nos casos mais graves”.

Para evitar ou amenizar os sintomas de estresse e ansiedade gerados pela pandemia, a psicóloga dá algumas dicas:

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  • Manter a conexão social com pessoas próximas, seja por telefone ou internet, Até mesmo uma conversa na calçada, mantendo uma distância segura, para que não se sintam sozinhas;
  • Cuidar da saúde no geral não somente com a higiene. Perceber se há um aumento da ansiedade e dar uma caminhada, nem que seja no pátio ou condomínio; Priorizar um sono saudável e uma alimentação regrada, com horários fixos, pois muitos estão em home office e acabam perdendo uma rotina útil, desregulando todo o organismo;
  • Se apresentar uma dificuldade maior, não deixe de procurar o sistema de saúde pública, através do CAPS. Rua Aparício Soares da Cunha, nº 128, bairro Bom Princípio Fone: (51) 3041-6027
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