SAÚDE

Câncer infantojuvenil: diagnóstico precoce facilita investigação detalhada

Na Região Sul é mais frequente, em ambos os sexos, de acordo com dados do Inca

O câncer infantojuvenil tende a ser mais agressivo e evoluir rapidamente, especialmente devido à dificuldade de um diagnóstico precoce. Segundo o oncologista Lauro Gregianin, da Oncoclínicas RS, os sintomas iniciais geralmente se assemelham aos de doenças comuns nessa faixa etária, o que pode atrasar a detecção e dificultar o reconhecimento precoce da doença. “Entretanto, se essas alterações persistirem ou adquirirem características que não seguem o padrão esperado, há a obrigação de desencadear uma investigação imediata e mais detalhada e somente desta forma terá um diagnóstico precoce”, considera o oncologista.

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Por isso, os pais devem estar sempre atentos e, quando notarem um comportamento diferente do esperado, devem imediatamente procurar atendimento para esclarecer suas dúvidas. “Na sua fase inicial, as neoplasias causam alterações muito parecidas com doenças comuns desta idade, o que certamente confunde não somente os profissionais de saúde, mas também os pais”, alerta.

O especialista cita que, em casos de pacientes com leucemia na infância, o relato dos familiares inicia com a descrição de inapetência, palidez, indisposição para brincar e, às vezes, febre. Após alguns dias, referem o surgimento de manchas roxas pelo corpo, ou presença de sangramentos puntiformes (petéquias). “Um exemplo clássico é a queixa de dor de cabeça associada a náuseas ou vômitos matinais, que se intensificam nos dias subsequentes”, afirma. Este quadro costuma representar a manifestação inicial de neoplasias no sistema nervoso central.

Embora a prevenção seja difícil, pois não se conhece o fator causal, o diagnóstico precoce acaba sendo uma das principais estratégias no combate do câncer infantojuvenil. “Outro aspecto relevante para aumentar a sobrevida é que estes pacientes sejam atendidos em centros capacitados. A abordagem na população pediátrica tem peculiaridades que são importantes de serem consideradas”, destaca.

Incidência maior é na Região Sul

A leucemia é a principal doença oncológica, responsável por aproximadamente 1/5 dos casos. As mais afetadas são crianças com idade entre quatro e cinco anos, sendo mais comum entre meninos. Já os que atingem o sistema nervoso central são os segundos mais frequentes. “Estamos nos referindo a uma lista de diversos tumores nesta localização, entre eles se destaca o meduloblastoma e os gliomas, ambos no cérebro, como sendo os mais incidentes”, relata Gregianin. Os linfomas representam a terceira neoplasia mais comum. Existem dois subtipos de linfoma, o não-Hodgkin e o Hodgkin, com peculiaridades clínicas e idade de ocorrências diferentes.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), os adolescentes são mais afetados por tumores epiteliais, tais como tireoide e carcinomas, e os melanomas. A Região Sul apresenta maior incidência de câncer infantojuvenil em ambos os sexos e, conforme a instituição, a estimativa anual é de 153,29 ocorrências por milhão para meninos e 151,19 registros por milhão para meninas. A média nacional é de 140,50 e 128,87, respectivamente

O oncologista afirma que, na maioria dos casos, não é possível identificar uma relação causal. A predisposição genética está associada a menos de 10% das situações. Gregianin salienta, porém, que devido à disponibilidade de exames mais elaborados, tem sido possível identificar alterações hereditárias que determinam maior predisposição ao desenvolvimento de neoplasias, não somente no paciente, mas também no seu grupo familiar. A descoberta destas mutações, mesmo em indivíduos que não têm câncer, é relevante para a orientação de seguimento com exames de rotina específicos.

Quando descoberto precocemente e tratados adequadamente, as chances de cura podem ultrapassar 80%. “Este percentual é uma média entre as diferentes neoplasias. Algumas apresentam um prognóstico muito favorável que beiram os 100%, enquanto aquelas que geralmente são disseminadas e com caráter biologicamente mais agressivo, o prognóstico é bem inferior”, informa. Além disso, a incorporação de imunoterapia e outras drogas que atuam diretamente sobre o alvo molecular têm proporcionado resultados muito satisfatórios.

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