Câmara sugere criação de fundo para compra de alimentos - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Vereadores elaboraram lista de sugestões ao Executivo - Foto: Reprodução

Câmara sugere criação de fundo para compra de alimentos

Vereadores também criaram nesta quinta-feira (26) uma frente parlamentar

Cachoeirinha – A Câmara de Vereadores somente vai antecipar a devolução de recursos para o Executivo se for criado um fundo municipal que garanta o uso da verba para a compra de cestas básicas e kits de higiene para a parcela mais carente da população. Durante a Sessão Extraordinária desta quinta-feira (26), que terminou no início da tarde, vereadores apresentaram uma série de sugestões que serão compiladas em um único documento a ser entregue pelo presidente Edison Cordeiro ao prefeito Miki Breier.

Além das sugestões, o Legislativo aprovou a criação de uma Frente Parlamentar de Enfrentamento do Covid-19 tendo a participação de representantes de entidades. A proposta foi do vereador Marco Barbosa e a primeira reunião acontece nesta sexta-feira (27), a partir das 9 horas, na Câmara. A intenção é a de monitorar o que o Executivo vem fazendo para apresentar sugestões.

A maior preocupação demonstrada por vereadores está com as dificuldades que muitas famílias já estariam enfrentando na periferia da cidade já que boa parte delas sobrevivia de pequenos serviços. O vereador Eduardo Keller chegou a comentar que a Sessão só deveria ser encerrada depois de ser definida uma proposta concreta para a compra de alimentos, mas isso acabou não acontecendo.

Edison Cordeiro disse que se o Legislativo antecipar a devolução de recursos ele cairá no caixa único da Prefeitura e poderá ter qualquer destinação. Ele lembrou que no ano passado Fernando Medeiros fez uma antecipação com a promessa do Executivo de que uma pequena parcela seria utilizada em uma obra até hoje não executada. Cordeiro se referia ao conserto de uma cobertura de uma área de uso comum na escola Costa e Silva.

Vereadores de oposição, apesar de concordarem com o líder de Governo, Cristian Wassem, que defendeu uma trégua, não deixaram de criticar o Executivo. “Devemos deixar as divergências políticas, mas isso não significa que não tenhamos que fazer críticas para poder melhorar. Não é verdade que está tudo uma maravilha como o Joaquim Fortunato disse. Temos que abrir espaço de trégua. Só que queremos participar desse processo porque nós temos ideias. Temos que ser também protagonistas”, salientou Marco Barbosa antes de dizer que as linhas de telefones colocadas à disposição da população estão sempre ocupadas ou chamam até cair.

Rubens Otávio segui na mesma linha. “É um momento delicado, sem dúvida alguma. Esse parlamento vai muito além de uma questão de situação e oposição. Nós temos uma situação grave de saúde pública. Temos pessoas que tiveram contato com pessoas do Executivo e não fizeram testes. Pessoas que voltaram de viagem e voltaram para o trabalho e não ficaram em isolamento. Isso acabou criando primeiro caso em Gravataí. A vacinação nos postos. Estão fazendo fila e disseram que iriam vacinar em casa e até agora nada. As pessoas reclamando. Os telefones que estão lá não funcionam. Eu liguei para todos eles. O único que funciona é o do Ministério da Saúde. A população da Zona Norte já está passando fome. Pessoas que trabalhavam de dia para comer de noite agora não têm como trabalhar. Estão passando fome. O município precisa ajudar. Criar um Comitê da Solidariedade é isso, mas não é só isso. O que vamos fazer? Isso não é crítica ao Governo. A falta de água na Zona Norte, como as pessoas vão se higienizar se não tem água”, disse.

A vereadora Jacqueline Ritter, depois de dizer que o coronavírus existe desde a época dos dinossauros e que saiu das cavernas devido a degradação do meio ambiente, lembrou que a Corsan precisa dar uma solução para os bairros que estão sem água. “Cadê os caminhões pipa?”, questionou.

Jussara Caçapava saiu em defesa do Governo: “Eu cheguei a chorar de emocionada com a rapidez que o Miki fez tudo, com aquela garra e coragem.” Joaquim Fortunato também elogiou as iniciativas da Prefeitura e defendeu que oposicionistas não usem redes sociais para promoção política durante este período delicado de pandemia. “Quando eu vejo nas redes sociais alguém propondo hospital de campanha, quando já está sendo feito, eu me preocupo. Não vamos fazer palanque eleitoral”, pediu. Ele se referia a uma proposta do vereador Marco Barbosa, que foi feita antes de a Prefeitura anunciar que transformaria o Ginásio da Fátima em um hospital de isolamento.

O secretário da Saúde, Dyego Matielo, participou do início da Sessão e fez um breve relato das ações que estão sendo desenvolvidas. Ele anunciou que no antigo posto 24 horas, que teve o horário estendido até às 22 horas,  e na UPA serão montadas estruturas nas áreas externas para isolar os pacientes que apresentarem sintomas gripais.

“Desde o dia 13 estão sendo feitos decretos pelo prefeito com medidas, algumas até impositivas, são medidas mundiais. A gente está observando os estudos mais importantes do mundo. Quando iniciamos as ações estávamos em contato direto com pessoal de Seattle nos Estados Unidos. Isolamento era coisa que não se falava. Em termos de política de saúde estamos estruturando as unidades de saúde para manter o vírus longe da gente. Se confunde muito a gripe comum e resfriado com o Covid-19. A UPA e Odil estão recebendo tendas. Não vamos misturar pacientes com síndrome gripal. Essas medidas estão sendo tomadas.O hospital de campanha já está sendo preparado. Teremos oito UTIs, sendo seis no hospital de campanha e duas na UPA. Teremos uma zona vermelha. É importante que as pessoas entendam que estamos adotando medidas drásticas. Se tivermos casos agravados devemos estar preparados. Queremos o bem da nossa população”, frisou.

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