Câmara de Vereadores poderá cassar o mandato de Miki Breier - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Muitos documentos foram apreendidos na prefeitura - Foto: Roque Lopes/arquivo

Câmara de Vereadores poderá cassar o mandato de Miki Breier

Já há movimento para o oferecimento de nova denúncia contra o prefeito afastado do cargo pela Justiça nesta quinta

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Cachoeirinha – O prefeito Miki Breier, afastado do cargo por 180 dias por decisão judicial em investigação realizada pelo Ministério Público, poderá ter o mandato cassado pela Câmara de Vereadores. Oposicionistas consideram insustentável a permanência do prefeito no cargo diante de afirmações do MP sobre a existência de provas robustas, inclusive filmagens, de recebimento de propina das empresas responsáveis pela coleta de lixo.

A presidente da Câmara de Vereadores, Jussara Caçapava, acompanhada do procurador do Legislativo, Rodrigo Silveira, esteve na prefeitura na manhã desta quinta para apurar detalhes sobre a Operação Ousadia. Para Jussara, falar em cassação de mandato no momento é muito prematuro, sendo necessário aguardar o andamento das investigações. Já o vereador do PT, David Almansa, que também esteve na frente da prefeitura, argumentou que se “há provas contundentes a cassação deve ser debatida”.

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Na tarde desta quinta, vereadores se reuniram na Câmara para analisar o quadro, mas a cassação não foi assunto. Houve um entendimento de que os vereadores deveriam se unir, independentemente de partido, para auxiliar o Executivo na busca por solução para diversos problemas. “A cidade está abandonada”, afirmou Nelson Martini. O prefeito em exercício, Maurício Medeiros, chamou todos os vereadores para uma reunião que vai acontecer nesta sexta-feira na prefeitura.

Na Câmara estão tramitando projetos polêmicos, como o pedido de autorização para a prefeitura fazer R$ 80 milhões em financiamentos e ainda a reforma da previdência, que teve liberação da Justiça para ser votado. Para boa parte dos vereadores, não haveria clima no momento para a votação destas matérias.

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Não depende da Câmara e caiu no colo de Maurício Medeiros a renovação do contrato de concessão do transporte coletivo, que vence na próxima segunda-feira (4). Ele terá que decidir. Se não renovar, no outro dia a cidade fica sem ônibus. A renovação do contrato, sem ter havido um debate amplo com a comunidade, é criticada.

Nos bastidores

Se nas manifestações oficiais o clima é de ser buscada uma união para resolver os problemas da cidade, nos bastidores a conversa é outra. Alguns vereadores da base governista ouvidos pela reportagem, que preferiram falar sem serem identificados, afirmam que se entrar uma denúncia contra Miki Breier, desta vez ele não escapa da cassação.

O impeachment, contudo, teria que ser somente contra ele. “Não há nenhuma evidência de infrações político-administrativas contra o Maurício [Medeiros, prefeito em exercício]. Isso ficou claro no outro processo de impeachment onde colocarem ele. Então, cassar a chapa é mais difícil”, disse um parlamentar da base.

Oposicionistas, contudo, têm o desejo de provocar uma nova eleição cassando tanto Miki quanto Maurício. “O que vai acontecer depende das articulações dos próximos dias e do acesso às provas que o Ministério Público diz ter. Se essas provas forem mesmo contundentes e entrar um pedido de impeachment do prefeito, desta vez, todos vão votar pela cassação e o Maurício fica como prefeito e se fizer algo errado também será alvo de uma denúncia”, argumenta outro parlamentar, também da base.

No último processo de impeachment, arquivado no final de julho deste ano, vereadores da base se revoltaram contra o Governo por dois motivos. Publicamente, afirmaram que a cidade estava um caos. Nos bastidores, contudo, o motivo real eram os pedidos por mais cargos não atendidos pelo prefeito. Depois de uma costura política e da recomposição, com promessa de novas secretárias para o início do ano que vem, a base se realinhou e derrubou o impeachment.

Agora, o quadro é diferente. “A credibilidade do prefeito foi destruída com o que aconteceu hoje [quinta] com essa operação do MP. Quem tinha dúvidas sobre a inocência dele diante de tantas denúncias, não tem mais. E muitos do que acreditavam nele, passaram a ter dúvidas. Dinheiro transportado em malas, como disse o MP, é estarrecedor. E nas ruas, o povo está nos cobrando uma atitude”, salienta outro parlamentar.

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