Cachoeirinha tem um caso de dengue e dois em investigação
Cidade, assim como a maioria do RS, é considerada infestada pelo mosquito transmissor
Cachoeirinha – A secretaria municipal da Saúde de Cachoeirinha confirmou nesta quarta-feira (23) que a cidade tem um caso de dengue confirmado e dois em investigação. O caso com resultado do exame positivo é autóctone, significando que a paciente, uma mulher de 30 anos, contraiu a doença ao ser picada pelo Aedes aegypti dentro da cidade. “Ela passa bem e está recebendo todas as orientações da equipe da saúde”, afirma o secretário Juliano Paz.
A paciente é moradora do bairro Quitandinha. Os outros dois casos em investigação são de um morador do mesmo bairro e da Canarinho. Cachoeirinha não registrava um caso de dengue desde 2020, mas esse foi contraído pela pessoa em outro estado. Para que o exame seja realizado, é necessário que a pessoa aguarde 7 dias depois de manifestar os primeiros sintomas. Somente assim o exame vai detectar a presença de anticorpos. Depois de enviado ao Laboratório Central de Saúde Pública do RS (Lacen), o resultado leva de sete a 10 dias para ficar pronto.
O caso confirmado reacendeu o alerta sobre as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, que não se resume somente na dengue. Ele pode transmitir também a febre Chikungunya e zika. Segundo o secretário da Saúde, este é o momento de a comunidade se preocupar mais em eliminar em suas moradias e locais de trabalho todo e qualquer recipiente que possa acumular água e servir de criadouro para o mosquito.
Na Quitandinha, na próxima sexta-feira (25), será feira a aplicação do fumacê em um raio de 300 metros da residência da moradora que está em tratamento. Isto, contudo, reforça Juliano Paz, é apenas uma medida protocolar. “O que vai nos ajudar mesmo é a conscientização das pessoas para façam uma vistoria completa onde moram e trabalham”, afirma.
Com os 14 agentes de endemias responsáveis pelas visitações em residências e empresas, já foi realizada uma reunião. Juliano Paz vem fazendo desde ontem uma série de contatos e marcando reuniões para dar forma a uma mobilização na cidade. Na próxima semana, está prevista a reativação do Comitê de Mobilização Cachoeirinha Contra a Dengue.
Com o secretário da Educação, Cláudio Pinheiro, Paz já conversou para solicitar que diretores sejam informados da importância de também ser realizado um trabalho de alerta nas escolas. Esta semana também ocorre uma reunião com a Associação Comercial de Cachoeirinha (ACC) para solicitar o apoio da entidade na mobilização de seus associados.
Outro ponto destacado pelo secretário diz respeito às repartições públicas. Todos os secretários estão sendo informados para que orientem servidores a realizaram uma varredura em seus locais de trabalho para eliminar qualquer possível criadouro. Um ponto sempre polêmico, a possível reprodução do mosquito transmissor da dengue em valões, está sob controle. Há um monitoramento nestas áreas, segundo o secretário, e no momento, elas não oferecem riscos.
O ciclo do mosquito:
A fêmea do mosquito deposita seus ovos nas bordas dos recipientes com água limpa e parada. Dois ou três dias após o contato com o líquido, os ovos viram larvas e dias depois chegam na fase da pupa. Esse ciclo dura cerca de 48 horas e, ao término, se transformam em mosquitos adultos. Os ovos são resistentes e sobrevivem até mesmo por um ano em um local seco. Quando ele recebe água limpa, em cerca de meia hora de submersão, este ovo pode se desenvolver. O Aedes aegypti leva em média 10 dias para se desenvolver e vive durante 30 dias. Uma única fêmea produz de 60 a 120 ovos em cada ciclo reprodutivo e pode ter mais de três ciclos durante sua vida.
O que as pessoas devem fazer:
A melhor forma de prevenir a dengue é evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, eliminando água armazenada que pode se tornar possível criadouro, como em vasos de plantas, lagões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafas.
Medidas simples podem ser adotadas, como substituir a água dos pratos dos vasos de planta por areia; deixar a caixa d´água tampada; cobrir os grandes reservatórios de água, como as piscinas, e remover do ambiente todo material que possa acumular água.
Roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia – quando os mosquitos são mais ativos – proporcionam alguma proteção às picadas e podem ser uma das medidas adotadas, principalmente durante surtos. Repelentes e inseticidas também podem ser usados, seguindo as instruções do rótulo. Mosquiteiros proporcionam boa proteção para aqueles que dormem durante o dia, como bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos.
Os sintomas da dengue:
A infecção por dengue pode ser assintomática, ter sintomas leves ou graves, podendo levar à morte. Normalmente, a primeira manifestação é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. Em alguns casos também apresenta manchas vermelhas na pele.
- Febre alta, maior que 38.5ºC
- Dores musculares intensas
- Dor ao movimentar os olhos
- Mal estar
- Falta de apetite
- Dor de cabeça
- Manchas vermelhas no corpo
Na fase febril inicial da dengue, pode ser difícil diferenciá-la. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de mucosas. Ao apresentar os sintomas, é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados, todos oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
É dengue ou covid-19?
O ponto chave é o quadro respiratório. Tosse, produção de escarro, dor no peito, falta de ar e alteração do olfato e paladar são sintomas apenas da Covid-19 e não aparecem em pacientes com dengue.
Por outro lado, há alguns sinais mais comuns na doença causada pelo Aedes aegypti e não pelo coronavírus. Quando a pessoa apresenta manchas vermelhas na pele, dores nas articulações e problemas gastrointestinais, o paciente provavelmente está com dengue. Estes sintomas não são muito frequentes em pessoas infectadas pelo coronavírus, apesar de possíveis.
Tratamento:
Não existe tratamento específico para a dengue. Em caso de suspeita é fundamental procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico. O tratamento é feito de acordo com a avaliação do profissional de saúde, conforme cada caso, a fim de aliviar os sintomas. A assistência em saúde ao paciente inclui:
- Fazer repouso
- Ingerir bastante líquido (água)
- Não tomar medicamentos por conta própria
- Hidratação por via oral (ingestação de líquidos pela boca) ou por via intravenosa (com uso de soro, por exemplo)
No momento, só existe uma vacina contra dengue registrada no Brasil e ela está disponível apenas na rede privada. É usada em 3 doses no intervalo de 1 ano e, segundo instruções do fabricante, da OMS e da Anvisa, somente deve ser aplicada em pessoas que já tiveram pelo menos uma infecção por dengue.


