CACHOEIRINHA

Cachoeirinha está entre as 8 piores em mobilidade urbana no RS

  • Roque Lopes

Cachoeirinha está entre os oito piores municípios do Rio Grande do Sul em mobilidade urbana, conforme estudo divulgado pelo Observatório das Metrópoles da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O trabalho, denominado de Índice de Bem-Estar Urbano (IBEU) Municipal, foi desenvolvido com base em informações do Censo Demográfico de 2010 do IBGE e leva em conta cinco indicadores para determinar o posicionamento das cidades. Considerando todos os indicadores, Cachoeirinha ficou na 94ª posição entre os municípios do Rio Grande do Sul e na 1494ª entre os 5.565 cidades brasileiras. O índice IBEU foi de 0,829, considerado um nível Bom na escala elaborada pela UFRJ. Uma análise feita pelo oreporter.net classificou Cachoeirinha entre os 496 municípios do Estado em cada um dos cinco indicadores.

Um dos cinco indicadores é o de Mobilidade Urbana, que considera o tempo de deslocamento que as pessoas ocupadas que trabalham fora do domicílio, e retornam diariamente para casa, utilizam no trajeto de ida e volta. Neste, Cachoeirinha ocupa a 489ª posição no Estado. Neste índice é considerado como tempo de deslocamento adequado quando as pessoas gastam até 1 hora por dia no trajeto casa-trabalho. Não aparece no estudo, mas quem mora em Cachoeirinha sabe que o trânsito na avenida Flores da Cunha, que absorve centenas de moradores de Gravataí, muitos que fogem do pedágio e boa parte que mora nos bairros mais próximos daqui, é o grande responsável pela cidade figurar entre as oito piores em mobilidade urbana. O estudo poderá ser utilizado pelo movimento que reivindica a construção de um acesso a Free Way, servindo como mais um argumento. Outros quatro municípios da Região Metropolitana aparecem atrás de Cachoeirinha. São Gravataí, Guaíba, Alvorada e Viamão, apontando que muitas pessoas trabalham fora de suas cidades. Municípios do Vale dos Sinos, onde a BR-116 é o grande problema da mobilidade urbana, aparecem bem melhores no ranking.

Outro indicador que coloca Cachoeirinha em uma posição ruim é o de Condições Habitacionais. A cidade está entre os 143 piores do Rio Grande do Sul no universo de 496 municípios. A dimensão de condições habitacionais urbanas foi compreendida por cinco indicadores: aglomerado subnormal, densidade domiciliar, densidade morador/banheiro, material das paredes dos domicílios e espécie do domicílio. O indicador aglomerado subnormal corresponde à proporção de pessoas do município que não moram em aglomerado subnormal. O indicador de densidade domiciliar é construído a partir da razão entre número de pessoas no domicílio e número de dormitório.

Considerou-se como densidade domiciliar adequada quando havia até 2 pessoas por dormitório. No indicador de densidade domiciliar morador/banheiro, considerou-se como adequado o domicílio que possui até 4 pessoas por banheiro. No indicador de material das paredes dos domicílios, considerou-se como adequado o domicílio cujas paredes externas são do tipo de alvenaria com revestimento ou madeira apropriada para construção (aparelhada). No indicador de espécie dos domicílios, considerou-se como adequado os domicílios do tipo casa, casa de vila ou condomínio ou apartamento. Foram considerados como espécie de domicílios inadequados: habitação em casa de cômodo, cortiço ou cabeça de porco; tenda ou barraca; dentro de estabelecimento; outro (vagão, trailer, gruta, etc.).


No terceiro indicador, Cachoeirinha aparece no meio da tabela. O IBEU Condições Ambientais Urbanas deixa a cidade na 239ª posição. A dimensão de condições ambientais urbanas foi concebida a partir de três indicadores: arborização do entorno dos domicílios, esgoto a céu aberto no entorno dos domicílios e lixo acumulado no entorno dos domicílios. O indicador de arborização no entorno dos domicílios é obtido a partir da proporção de pessoas que moram em domicílios cujo entorno possui arborização. O indicador de esgoto a céu aberto no entorno dos domicílios é construído a partir da proporção de pessoas que moram em domicílios cujo entorno não possui esgoto a céu aberto. O indicador de lixo acumulado no entorno dos domicílios é obtido a partir da proporção de pessoas que moram em domicílios cujo entorno não possui lixo acumulado.

Já em termos de Infraestrutura Urbana e Serviços Coletivos Urbanos, Cachoeirinha não está em uma posição desastrosa. No primeiro ocupa a 113ª posição no Estado e no segundo está na 13ª colocação. A dimensão de infraestrutura urbana (D5) foi compreendida por sete indicadores: Iluminação pública, pavimentação, calçada, meio-fio/guia, bueiro ou boca de lobo, rampa para cadeirantes e logradouros. Esses indicadores expressam as condições de infraestrutura na cidade que podem possibilitar (quando da sua existência) melhor qualidade de vida para pessoas, estando relacionados com a acessibilidade, saúde e outras dimensões do bem-estar urbano.

A dimensão de atendimento de serviços coletivos urbanos foi concebida a partir de quatro indicadores: atendimento adequado de água, atendimento adequado de esgoto, atendimento adequado de energia e coleta adequada de lixo. Esses são indicadores que expressam os serviços públicos essenciais para garantia de bem-estar urbano, independentemente de ser ofertado por empresas públicas ou por empresas privadas através de concessão pública.

Cachoeirinha no IBEU

– Geral: 94ª posição no RS e 1494º no Brasil – IBEU de 0,829

– IBEU Mobilidade urbana – 489ª posição no RS estando na frente somente de Gravataí, Quatro Irmãos, Guaíba, Ibirapuitã, Alvorada, Viamão e Gramado dos Loureiros.

– IBEU Condições Habitacionais – 353ª posição no RS

– IBEU Condições Ambientais Urbanas – 239ª posição no RS

– IBEU Infraestrutura Urbana – 113ª posição no RS

– IBEU Serviços Coletivos Urbanos – 13ª posição no RS

METODOLOGIA

O INCT Observatório das Metrópoles lançou, em 2013, o Índice de Bem-Estar Urbano (IBEU) com análises para as 15 principais metrópoles brasileiras. Agora com o IBEU Municipal foi calculado a qualidade do bem-estar urbano para para todos os municípios brasileiros com informações no Censo Demográfico de 2010, que totaliza 5.565 municípios.

Segundo Marcelo Gomes Ribeiro, coordenador do levantamento, apesar da distância de seis anos entre a obtenção dos dados e a divulgação dos resultados, o IBEU-Municipal ainda pode refletir as condições urbanas da maior parte dos municípios brasileiros, como são demonstrados por meio da atualização de alguns dos indicadores utilizados no IBEU-Municipal que estão disponíveis para outras escalas de análise existente na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, base de dados que também é construída pelo IBGE.

IBEU Mobilidade Urbana. Avalia o deslocamento casa-trabalho.

IBEU Condições ambientais urbanas. Para analisar essa dimensão o IBEU concebeu três indicadores: arborização do entorno dos domicílios, esgoto a céu aberto no entorno dos domicílios e lixo acumulado no entorno dos domicílios.

IBEU Condições Habitacionais. As condições habitacionais também constituem uma importante dimensão que influencia o bem-estar das pessoas na cidade. Tal dimensão pode ser apreendida pela situação de adensamento (entendida pela razão número de pessoas no domicílio e número de dormitórios), pelas condições materiais da estrutura habitacional, assim como aglomeração dos domicílios.

O IBEU Infraestrutura urbana pode ser compreendido por sete indicadores de análise: iluminação pública, pavimentação, calçada, meio-fio/guia, bueiro ou boca de lobo, rampa para cadeirantes e logradouros. Esses indicadores expressam as condições de infraestrutura na cidade que podem possibilitar (quando da sua existência) melhor qualidade de vida para pessoas, estando relacionados com a acessibilidade, saúde e outras dimensões do bem-estar urbano.

IBEU Serviços Coletivos Urbanos. Para analisar os serviços públicos essenciais para garantia de bem-estar urbano, o IBEU concebeu quatro indicadores: atendimento adequado de água, atendimento adequado de esgoto, atendimento adequado de energia e coleta adequada de lixo.

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