Biólogo de Cachoeirinha explica como eliminar o mosquito da dengue
Ele participou de uma live da Prefeitura e também da audiência pública promovida na Câmara de Vereadores
Cachoeirinha – A infestação da cidade pelo Aedes aegypti, que entre outras doenças transmite a dengue, é uma realidade já a algum tempo em Cachoeirinha e o combate ao mosquito é uma responsabilidade da sociedade. O assunto foi discutido essa semana em duas atividades. A prefeitura realizou uma live e a Câmara de Vereadores promoveu uma audiência pública dentro da campanha de mobilização da comunidade.
O biólogo João Henrique Dobler Lima, coordenador da Vigilância em Saúde da prefeitura de Cachoeirinha, explica que a única forma de combater o mosquito é eliminando os criadouros. A aplicação de veneno, que muitas pessoas pedem, não é tão eficaz e utilizado somente em um raio de 150 metros da residência de uma pessoa que tenha contraído a dengue.
“Ele mata somente o mosquito que estiver voando no momento da aplicação”, diz, salientando que o processo é o mesmo que muitas pessoas fazem em suas casas com venenos comprados em supermercados. O veneno, cujo método era chamado de fumacê e hoje passou a ser denominado de nebulização, oferece grande risco para outros insetos, matando todos e provocando um desiquilíbrio ambiental. Em uma aplicação em Cachoeirinha, até abelhas de um apicultor acabaram morrendo.
A compra do veneno é feita apenas pela secretaria estadual da Saúde e distribuída aos municípios mediante um controle rígido sobre a aplicação. Segundo o biólogo, como o inseticida mata apenas mosquitos que estiverem voando ou pousados em plantas ou paredes na área da aplicação, desde que atingidos pelo vapor, novos poderão nascer. “Ele não mata ovos, larvas e pupas”, frisa.
Outra característica do Aedes destacada por Dobler Lima é que a fêmea do mosquito não coloca seus ovos na superfície da água. Eles são depositados nas bordas de qualquer tipo de recipiente que possa acumular água.
Quando chove, por exemplo, a água sobe, atinge os ovos e em dois ou três dias eles já se transformam em larvas. Esse processo também ocorre em recipientes usados para dar água a animais de estimação.
Quando o nível da água é completado, inicia o ciclo que vai originar novos mosquitos. Por isso, as vasilhas devem ser lavadas com frequência. O Aedes, conforme o biólogo, hoje está presente dentro de casa, próximo das pessoas que fornecem o sangue para a fêmea se alimentar e produzir seus ovos.
Outro ponto é que nos meses mais frios não há um desaparecimento do Aedes. “O frio não inibe a reprodução, embora ela cai um pouco. O mosquito fica dentro de casa, mais perto do sangue, que é alimento da fêmea. E segue se reproduzindo”, avisa.
O presidente da Câmara, Gelson Braga, que coordenou a audiência pública, destaca que é fundamental a conscientização das pessoas para que limpem seus pátios e eliminem qualquer tipo de objeto que possa acumular água.
Cachoerinha tinha até a última quarta-feira (4), 21 casos de dengue confirmados e 123 em investigação. Para conscientizar a população, conforme explica o biólogo, a cidade foi dividida em 24 regiões que estão sendo visitadas por agentes de combate a endemias.
Confira como foi a audiência pública:


