Autistas querem cumprimento de políticas públicas em Cachoeirinha - oreporter.net - Notícias de Cachoeirinha e Gravataí
Isabel fez cobranças na Câmara - Foto: Delmar Costa/Divulgação

Autistas querem cumprimento de políticas públicas em Cachoeirinha

Coordenadora do Movimento Orgulho Autista Brasil, núcleo Cachoeirinha, usou a Tribuna Popular da Câmara nesta terça-feira (6)

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Cachoeirinha – Professora há 20 anos da rede municipal de ensino e coordenadora do núcleo Cachoeirinha do Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab), Isabel Souza Fonseca de Quadros, usou a Tribunal Popular da Câmara na Sessão desta terça-feira (6) para cobrar o cumprimento e fiscalização das políticas públicas existentes.

“Viemos falar como representante porque eu tenho experiência. Deus não me deu um filho autista, mas me deu o dom de trabalhar com eles. Há mais de 15 anos trabalho com eles no município. Fui diretora do Cemael (Centro Municipal de Atendimento Educacional Lampadinha) e vejo o quanto temos que crescer quando se fala em políticas públicas para o autista. Até 2012, os autistas nem pertenciam a politica nacional de educação especial. Foi a lei 12.764 que colocou os autistas dentro do quadro de deficiências. Até o ano passado, nós não tínhamos no censo escolar o ícone que colocava o aluno com transtorno do espectro autista. Diante disso, nós temos muitas políticas que já estão implementadas e eu venho aqui pedir aos senhores que fiscalizem a aplicação destas leis”, disse.

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Isabel destacou que desde 2017 há uma lei, a 13.438, estabelecendo a detecção precoce do autismo em unidades de saúde. Na cidade, ela não é seguida. “As crianças chegam nas escolas sem diagnóstico. Quanto mais cedo, maior a possibilidade desse sujeito ter uma equipe multidisciplinar, que nós também não contamos”, alertou.

O atendimento a autistas em Cachoeirinha também teve um decréscimo. Havia, por exemplo, um transporte disponibilizado pela Prefeitura para lazer em piscina. “Hoje, não temos mais. Nós tínhamos projetos como a horta e a música, e hoje não temos mais. Precisamos pensar em uma inclusão que de fato aconteça. E quando a gente fala em inclusão a gente não pode penar em economia”, salientou.

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Destacando que falava em nome de muitas pessoas, muitas mães de autistas, Isabel disse que a carteirinha de identificação, lei do vereador Edison Cordeiro, é importante e que os estabelecimentos comerciais deveriam priorizar o atendimento, conforme uma lei sancionada em dezembro do ano passado. Ela comentou ainda que a avaliação diagnóstica feita pela secretaria de Educação não atende a necessidade dos autistas. A falta de materiais para que professores possam trabalhar com alunos é outro problema. O pouco que existe é resultado de rifas e festas.

“Eu pergunto: nós temos no nosso município algum estabelecimento que indique essa prioridade?  Nós temos no transporte público? E o que os senhores vão fazer? Estou trazendo aqui uma demanda. Vocês enquanto representantes nossos devem implementar junto ao Executivo essas políticas. A gente sabe das dificuldades, mas eu vou cobrar”, avisou. Isabel explicou que há muitos deputados identificados com a causa e que podem colaborar com emendas parlamentares para suprir muitas carências.

“Não precisa fazer projeto. Aqui temos vereadores de vários mandatos que deveriam conhecer as leis. É importante pensar quem são os autistas, que educação estão tendo, que atendimentos clínicos estão tendo, porque é direito”, defendeu.

Na Sessão, foi aprovado por unanimidade dos vereadores o projeto de lei de autoria de Edison Cordeiro estabelecendo o Dia Municipal do Orgulho Autista como sendo 18 de junho.

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