POLÍCIA

Amigos e familiares de Marta protestam. Mãe tenta suicídio

  • Roque Lopes

A mãe da estudante Marta Gonçalves, 14 anos, morta por estrangulamento dentro de uma sala de aula na escola estadual Luiz Camões em Cachoeirinha, tentou suicídio. A irmã da adolescente, Jessica Avelhaneda Gonçalves, fez a revelação nesta segunda-feira (13) durante protesto em Cachoeirinha. “Enquanto as assassinas estão com proteção do Conselho Tutelar e com acompanhamento psicológico, a nossa família não tem assistência alguma. Onde estão os Direitos Humanos? Eles só existem para bandidos?”, questionou.

VEJA EM VÍDEO COMO FOI O PROTESTO

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Quase 100 pessoas se concentraram em frente à escola por volta das 14 horas. Com cartazes e faixas, pediram justiça e chamaram a diretora, que não apareceu. A auxiliar de enfermagem Maria Claudina Flores, 62 anos, moradora de Gravataí, foi até o local do protesto para se solidarizar com familiares e pediu para falar: “Tem que indiciar todos os alunos da sala de aula, os professores e a direção. Ninguém morre em 1 minuto. Podem ter certeza de que estrangularam ela por pelo menos 10 minutos. Como nenhum professor apareceu?”, questiona.

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O aposentado Alziro Mendes, 70 anos, também se manifestou para o grupo revelando que a diretora Fani Drehmer tem um histórico de revelar certas atitudes de alunos. “Quando ela era coordenadora houve um problema em um banheiro e acharam melhor abafar o caso”, disse, salientando “que os professores têm medo dos marginais”. “Ela era coordenadora e passou a mão por cima do marginal porque tem medo.”

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A tia de Marta, Noeli Oliveira, 36 anos, destacou que a família e amigos quer justiça. “A gente largou ela na porta da escola e depois ligaram para dizer que ela estava machucada quando saiu daqui morta sem que ninguém tivesse feito algo para evitar. A gente quer justiça. A minha irmã está lá pedindo para a gente ajudar, mas que ajuda vamos dar?”, questiona.

Jessica Gonçalves, irmã de Marta, enfatizou que ela jamais provocaria uma briga como a imprensa divulgou. “Elas é que foram para cima dela como umas selvagens. São animais, assassinas. Tiraram a vida da minhã irmã, que tinha sonhos. Queria ser médica. Mataram uma pessoa inocente. A gente traz a pessoa para a sala de aula para ela realizar seus sonhos e recebe ela morta. Nós vamos ir até o fim neste caso”, diz.

Depois do protesto em frente da escola, o grupo se deslocou até a 1ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha. Foi quase uma hora de caminhada.

Ex-colegas dizem que Marta não brigava

Três ex-colegas de Marta no colégio Cristóvão Colombo, em Porto Alegre, onde ela estudou até o final do ano passado, quando se mudou para Cachoeirinha com a mãe em dezembro, garantem que a jovem era calma e fugia de uma briga. “Ela era quieta e não se metia em briga com ninguém. Não tenho palavras para dizer o que fizeram com ela”, diz Raissa Barcellos, 12 anos. Alexandra dos Santos, 13 anos, e Kauany Thormam, 12 anos, frequentaram a mesma turma de Marta na 6ª e 7ª séries. “Ela sempre ficou quieta e aceitava tudo. No máximo ia na direção reclamar”, revela Alexandra. “Se alguém puxava o cabelo dela, ela baixava a cabeça e ia saia. Se tinha alguma chance de dar briga na saída, ela esperava todo mundo ir embora para depois ir”, frisa Kauany.

Delegado vai concluir a investigação até sexta

A inspetora Elizabeth Camargo conversou com a representante dos manifestantes em frente da 1ª Delegacia de Polícia. Explicou para a prima de Marta, Paula Marques, que até sexta-feira todos os envolvidos já terão sido envolvidos e o relatório será encaminhado para a Promotoria da Infância e da Juventude. Pelo menos duas das jovens serão apontadas como autoras da morte. A terceira teria saído da sala para pedir socorro enquanto Marta era estrangulada.

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