A “Carta Aberta de Maria Eduarda Duarte Costa – Um Grito Por Justiça”
Tia da jovem assassinada em Gravataí fez a publicação em rede social

Gravataí – A tia de Maria Eduarda Duarte Costa, 21 anos, assassinada em Gravataí, publicou uma carta aberta em seu perfil no Facebook. “Minha família está de luto, sim, mas também está de pé, clamando para que esse crime não passe impune”, escreveu Elenara Duarte. A postagem ocorreu na segunda-feira (26), mesmo dia em que a Polícia Civil prendeu em Goiânia o principal suspeito do feminicídio, seu namorado. A jovem foi encontrada sábado (24) pela proprietária da casa que alugava no Breno Garcia. Estava em um pedaço de pano na boca e um travesseiro sobre a cabeça. Conforme a perícia, ela foi morta por asfixia.
Confira a carta aberta:
“Oi… aqui é a Duda. Talvez você me conheça como Maria Eduarda Duarte Costa. Talvez só tenha cruzado comigo uma vez. Mas se você já dividiu um sorriso, um bom dia, ou até mesmo um silêncio ao meu lado, você sabe: eu era feita de amor.
Fui intensa desde sempre. Quando eu amava, era com tudo. Quando sonhava, era alto. Quando ria, ria com o corpo todo. Tinha pressa de viver, como se soubesse que meu tempo aqui seria curto demais.
Quem me conheceu de verdade sabe: eu era daquelas que se emocionava com as pequenas conquistas da vida. Recentemente, tirei minha habilitação de moto — e nossa, como eu vibrei! Cheguei em casa saltitante, com o papel nas mãos, gritando:“MÃE, EU CONSEGUI!”Para muitos, pode parecer pouco. Para mim, era o início da liberdade, da independência, da realização. Eu queria estudar, trabalhar, crescer, viajar, cuidar da minha família. Sonhava com uma vida plena, cheia de significado.
Sempre fui carinhosa, amiga, daquelas que abraçam forte. Amava os animais — eles sentem a energia da gente, e com eles eu era inteira. Onde eu passava, deixava um rastro de gentileza. Eu era da paz, do acolhimento, daquelas que preferem resolver tudo com conversa, com empatia, com escuta.
Mas tudo isso foi tirado de mim. Fui assassinada.
Não tive chance de me defender. Fui vítima de um ato brutal, covarde, cometido por quem dizia me amar. Não. Um assassino. Ele não apenas tirou minha vida — ele tentou calar a minha história, meus planos, minha intensidade. Mas não vai conseguir.
Porque agora, eu sou voz na luta por justiça.Eu sou a saudade que grita no coração da minha mãe.Sou os abraços que não dei.Sou os sonhos que ficaram no meio do caminho.
Por isso, eu te peço: não se cale por mim. Se você me conheceu, me viu crescer, ouviu minha risada, ou simplesmente se comove com a minha história, compartilhe esse pedido de justiça. Quero acreditar que estão investigando. Minha família está de luto, sim, mas também está de pé, clamando para que esse crime não passe impune.”
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