5 vereadores não querem CPI para investigar o hospital Padre Jeremias
Três vereadores não assinaram requerimento e dois voltaram atrás e desistiram
Cachoeirinha – A CPI do Hospital Padre Jeremias, cujo requerimento com 14 assinaturas foi apresentado pelo vereador Mano do Parque, perdeu dois apoiadores. O documento foi lido na Sessão desta terça-feira (28) da Câmara e Nelson Martini, Felisberto Xavier e Francisco Belarmino Dias Major, que não assinaram, reforçaram suas posições contrárias e ganharam o apoio de Gelson Braga e David Almansa.
Almansa, que havia assinado o documento, levantou uma questão técnica para se dizer contra uma vez que o requerimento não apresenta uma denúncia específica para justificar a instalação da CPI. Depois, durante a Sessão, acrescentou que entende ser mais adequado discutir os problemas do hospital na Comissão de Saúde, Assistência Social e Meio Ambiente do Legislativo.
Nelson Martini argumentou na Tribuna que o requerimento não traz uma denúncia específica, sendo genérico. “Eu solicito que cada um dos vereadores preste a atenção e se possível mudem de ideia … eu acho que neste momento uma CPI em vez de ajudar só vai atrapalhar o andamento do hospital … Nós vamos abrir precedente para que essa Casa, logo ali na frente, abra CPIs e a CPI da saúde vai ser a primeira. Então, em peço que cada um tenha essa compreensão”, disse.
O presidente da Comissão de Saúde, Felisberto Xavier, conforme já havia dito à reportagem na semana passada, reforçou que o melhor seria chamar a direção do hospital para uma audiência onde seria possível os parlamentares esclarecerem dúvidas. “Quando você abre uma CPI sem denúncia contundente, você tira o foco do atendimento [aos pacientes] … Nesse momento [a CPI] vai atrapalhar bastante, até porque o hospital está fazendo um trabalho que não é seu, de atenção primária. O hospital está atendendo muito porque o Município não está conseguindo fazer. “
Já Major seguiu na mesma linha. “O momento é melindroso e não cabe a CPI agora se não fizer o trâmite legal. Nós temos a Comissão de Saúde, convoca o pessoal do hospital para fazer depoimento e na sequência a gente discute outra coisa.” Gelson Braga foi o primeiro a desistir da assinatura e seguiu a linha dos demais. Para ele, problemas como a sujeira na recepção do hospital, poderiam ser resolvidos com a Vigilância em Saúde, onde trabalha na secretaria da Saúde, fazendo uma fiscalização e exigindo providências da direção do Padre Jeremias.
Logo depois de Braga, foi a vez do presidente da Câmara, Paulinho da Farmácia, usar a Tribuna para defender a CPI. “Não é só uma questão de sujeirinha na entrada. É a sujeira que pode ter lá dentro”, bradou. “Peço sim que seja aberta a CPI do hospital”, disse. O presidente argumentou que há várias denúncias de mau atendimento no hospital e, inclusive, mortes de crianças cujos familiares desconfiam de procedimentos equivocados. A vereadora Sandrinha também defendeu a CPI destacando ser desumano o que acontece com idosos internados no Padre Jeremias. Um idoso, segundo ela, chegou a morrer com uma luva que foi esquecida amarrada em seu braço.
A CPI não foi constituída na Sessão com a escolha dos dois membros e oficialização de Mano do Parque, por ser o autor do pedido, como presidente. Houve apenas a leitura do requerimento. Pelo Regimento Interno da Câmara, bastam seis assinaturas para a formação de uma CPI. Não há a necessidade de haver uma votação para ser decidido se ela será ou não aberta. Em outras CPIs abertas no Governo Miki, elas eram formadas na mesma Sessão em que os requerimentos eram lidos.
O presidente disse que na próxima Sessão haverá a formação da comissão, caso haja no mínimo seis assinaturas. Há na Câmara uma discussão se é legal ou não a retirada de assinaturas uma vez que o trâmite legal já iniciou com a leitura do requerimento sem nenhum outro documento protocolado por quem resolveu voltar atrás. Outro ponto é que a Mesa Diretora poderia ter rejeitado o requerimento sem necessidade de apreciação em Plenário por ele não trazer especificamente a denúncia e as possíveis provas que a sustentam. Isso não aconteceu e o presidente da Câmara é a favor da investigação.


