47% das hospitalizações de crianças e adolescentes no RS são decorrentes de quedas
O percentual supera a média nacional de 43,4% e reforça a dimensão do problema no Estado
As quedas responderam por 2.647 das 5.624 hospitalizações de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos por acidentes no Rio Grande do Sul em 2025, o equivalente a 47,1% dos casos. A proporção supera a média nacional de 43,4% e reforça a dimensão do problema no Estado. É o que informa um levantamento realizado com base em dados do Ministério da Saúde pela Aldeias Infantis SOS, Organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo.
Os dados serão apresentados no Seminário Estadual Criança Segura, que terá duas edições ao longo do mês de setembro. Uma nesta quarta-feira (2) e outra no dia 30, ambas na sede da Defensoria Pública Estadual (DPE), parceira da Organização desde a emergência climática de 2024.
O Rio Grande do Sul respondeu por 4,4% das 128.466 hospitalizações por acidentes registradas no país, no ano passado, entre crianças e adolescentes de até 14 anos. Foram contabilizadas, em média, cerca de 469 internações por mês, ou aproximadamente 16 por dia. Quando considerado o tamanho da população, porém, a taxa estadual foi de 52 hospitalizações por 100 mil habitantes, abaixo da média brasileira, que ficou em 63.
Para José Carlos Sturza de Moraes, cientista social e pesquisador do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS, os números reforçam a necessidade de fortalecer uma cultura de prevenção. “As quedas continuam sendo um dos principais riscos para crianças e adolescentes e os dados mostram que, no Rio Grande do Sul, elas representam uma parcela ainda maior das hospitalizações do que no conjunto do país. Prevenir esses acidentes exige atenção aos diferentes ambientes em que crianças vivem, circulam e brincam, além de informação e medidas concretas de segurança”, afirma.
Além das quedas, as queimaduras também chamam atenção no perfil gaúcho. Foram 1.244 hospitalizações de crianças e adolescentes por essa causa em 2025, número que corresponde a cerca de 22,1% das internações por acidentes no Estado, um pouco acima da participação nacional de 19,6%.
O cenário é diferente quando observados os acidentes de trânsito. No RS, foram 290 hospitalizações, equivalentes a 5,2% do total estadual, enquanto a participação nacional foi de 9,9% (12.671 casos). As intoxicações também apresentaram participação proporcionalmente menor no Estado: foram 41 hospitalizações, equivalentes a 0,7% das internações por acidentes, contra 3,3% no Brasil (4.229 casos).
“No conjunto, o retrato do Rio Grande do Sul mostra uma concentração especialmente elevada das hospitalizações em quedas e queimaduras. Embora a taxa geral de internações por acidentes esteja abaixo da média brasileira, essas duas causas representam, juntas, cerca de 69% dos casos registrados no Estado, reforçando a importância de medidas preventivas direcionadas aos riscos mais frequentes no cotidiano de crianças e adolescentes”, avalia Sturza.







